Seu browser não suporta JavaScript!

22/04/2013 | Portal do PSDB na Câmara

A um ano da Copa do Mundo, baixo índice de conclusão das obras reafirma descompromisso do governo

Por Letícia Bogéa

Estádios, intervenções de infraestrutura e projetos de desenvolvimento. A pouco mais de um ano do início da Copa de 2014, o índice de conclusão das obras prometidas não chega a 25%. O balanço foi apresentado pelo próprio governo em evento na Itália, segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”. O Brasil deve gastar milhões de reais na construção e modernização de estádios, aeroportos, estradas e transporte público para o evento esportivo, mas as construções estão muito atrasadas, o que leva deputados tucanos a temerem um colapso durante o mundial.

Otavio Leite (RJ) e Eduardo Azeredo (MG) acreditam que a falta de planejamento foi o principal entrave e deve comprometer a realização do evento. Conforme lembrou Leite, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa em 2007, ou seja, já se passaram seis anos.

“Planejamento é a palavra fundamental nesse processo. Seria preciso um ano para planejar as intervenções seja nos estádios, hotéis ou aeroportos. Ocorre que o governo vem reiteradamente revelando incompetência na execução dessas obras”, apontou o tucano.

Exemplos demonstrando a situação crítica não faltam. O Estádio Nacional de Brasília (foto), por exemplo, deveria ter sido entregue em dezembro de 2012, mas a conclusão foi adiada pela segunda vez. Os estádios foram quase totalmente financiados por recursos públicos, mas Leite acredita que o certo seria atrair capital privado. Os aeroportos, completou, são uma vergonha, a começar pelo Tom Jobim, no Rio de Janeiro. “As obras não são concluídas. O governo não chama a iniciativa privada. Uma hora diz que vai fazer, outra hora que não vai. É uma incompetência generalizada”, criticou.

Na opinião de Azeredo, o governo federal gasta muito tempo fazendo propaganda. Ele considera preocupante a situação das obras e lembra que os prazos estão começando a vencer. “Temos, portanto, uma ação que exige maior explicação do Planalto. O Brasil não pode passar vexame pela falta de planejamento. O governo continua se preocupando mais com propagandas do que com ações efetivas”, ressaltou.

O Ministério do Esporte considera que “foi um erro” os responsáveis pela Copa dispensarem por muito tempo a participação do Executivo. Em abril do ano passado – há praticamente um ano – o governo brasileiro assumiu a organização.

“É uma declaração defensiva da pasta e demonstra a ausência de integração do governo, que é partilhado politicamente. Não há harmonia. São feudos nos quais se encastelam partidos políticos. Com isso, ocorre a ausência de diálogo, além de atraso e prejuízo, o que é lamentável”, afirmou Leite.

O evento da Fifa na Itália teve como meta convencer os italianos a irem ao Brasil para a Copa das Confederações. Isso porque, fora do país, há pouco interesse dos torcedores. Dos 800 mil ingressos colocados à venda, mais de 500 mil já foram comprados, um recorde. O problema é que o público é quase integralmente brasileiro.

De acordo com Leite, atrair turistas é um dos pontos principais da Copa. No entanto, o tucano considera a estratégia de atração muito precária. “O país recebe cerca de cinco milhões de turistas por ano há mais de oito anos. Enquanto isso, brasileiros viajam muito mais para o exterior deixando mais divisas para esses países. É também parte desse rosário de tantas ineficiências”, concluiu.

- Em janeiro de 2010 foi publicado um decreto pelo então presidente Lula criando o Comitê Gestor da Copa, o CGCOPA 2014. Em julho de 2011, decreto assinado pela presidente Dilma atualizou o texto e incluiu novos atores na estrutura de governança. A instância tem como principal objetivo definir, aprovar e supervisionar ações previstas no Plano Estratégico do Governo Brasileiro para a realização da Copa de 2014.