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02/11/2004 | Jornal O Dia

A dança das cadeiras

Com o fim das eleições municipais, os legislativos – tanto estadual como federal – apresentarão mudanças no início do ano que vem. Ao término do primeiro turno, seis suplentes já tinham garantido vagas nos plenários: cinco no Rio e um em Brasília.

Agora, esse número vai dobrar. Afinal, os deputados federais Lindberg Farias (PT) e Itamar Serpa (PSDB) foram eleitos prefeito e vice em Nova Iguaçu; os estaduais Washington Reis (PMDB) e Gilberto Silva (PPS), respectivamente, vão ocupar os mesmos cargos em Caxias; o estadual Uzias Mocotó (PMDB) vai comandar a Prefeitura de São João de Meriti; e o também deputado estadual Comte Bittencourt (PPS) será o vice de Godofredo Pinto (PT), prefeito reeleito em Niterói.

A posse desses políticos nas prefeituras abrirá espaço para nomes que quase conseguiram ser eleitos em 2002. Alguns, tradicionais, terão a chance de voltar aos parlamentos. Outros, novos, terão até dois anos para mostrar trabalho e tentar a reeleição.

Segundo relação da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), os cotados para ocupar algumas das 70 cadeiras do plenário são Iranildo Campos (PP), Sivuca (PSC), Adroaldo Peixoto (PSC), Cornélio Ribeiro (PL), Walney Rocha (PMDB), Átila Nunes (PMDB), Hugo Leal (PSC), Beto da Reta (PSC) e José Bonifácio (PDT).

Já na Câmara Federal, têm chances de ocupar vagas Carlos Nader (PL), André Luiz Costa de Souza (PT), Aldir Cabral de Araújo (PFL) e Márcio Fortes (PSDB).

O que muda com o segundo turno

NOVA IGUAÇU

Logo depois de saber que era o novo prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT) afirmou que voltaria a Brasília para tentar recursos para o município. Ele e seu vice, Itamar Serpa (PSDB), têm somente mais dois meses como deputados federais. Serpa é suplente e ocupa a vaga do secretário municipal de Saúde do Rio, Ronaldo Cezar Coelho (PSDB).

No lugar de Lindberg, entrará André Luiz Costa de Souza (PT), diplomata de carreira do Itamaraty. Segundo o partido, ele vive em Brasília e trabalha no Governo federal. Sua base eleitoral é Itaboraí, São Gonçalo e Niterói.

Com a saída de Serpa e a manutenção de Ronaldo Cezar na secretaria, os suplentes imediatos passariam a ser Aldir Cabral de Araújo (PFL) e Márcio Fortes (PSDB). Fortes ocuparia a vaga de Arolde de Oliveira (PFL), secretário Municipal de Transportes, que estava sendo preenchida por Carlos Nader (PL). Esse passou a titular após as eleições, o que abriu mais uma vaga de suplente.

DUQUE DE CAXIAS

A vitória do PMDB em Caxias proporcionou mudança em dose dupla na Alerj: os dois integrantes da chapa são deputados estaduais. Para o lugar do novo prefeito do município, Washington Reis, entraria Átila Nunes (PMDB), um político tradicional e que conhece o trabalho no legislativo. Nunes, no entanto, já foi acusado de improbidade administrativa quando presidia a Comissão de Defesa do Consumidor da Alerj, em 2001.

Já a vaga aberta por Gilberto Silva (PPS), vice-prefeito eleito, dará a oportunidade para o atual presidente do Detran e ex-secretário de Administração, Hugo Leal (PSC), ir para o parlamento estadual. Através da assessoria do Detran, Leal disse que só vai pensar na possibilidade de trocar o cargo atual por uma cadeira no plenário da Alerj no ano que vem.

A vaga de Gilberto Silva seria ocupada por Tutuca (PSB), mas o político participou das eleições municipais e foi eleito prefeito de Piraí, abrindo espaço para Leal.

SÃO JOÃO DE MERITI E NITERÓI

A eleição em Niterói também contribuiu para as mudanças na Alerj a partir do ano que vem. A recondução ao cargo de prefeito de Godofredo Pinto (PT) não afeta o parlamento. O vice eleito, Comte Bittencourt (PPS), porém, é deputado estadual. Para o lugar dele na Alerj, entrará o ex-prefeito de Cabo Frio José Bonifácio (PDT).

Já em São João de Meriti, os eleitores levaram outro deputado estadual, Uzias Mocotó (PMDB), para a prefeitura. Sua vaga no legislativo será do suplente Beto da Reta (PSC), que é de Itaguaí e foi presidente da Companhia de Armazéns e Silos (Caserj). Durante a campanha de 2000, ele chegou a se autodenominar o “Garotinho de Itaguaí”.

“Acho que essas mudanças não vão alterar o quadro de forças na Alerj, e o esquema político de Anthony Garotinho continuará majoritário”, acredita o deputado estadual e presidente regional do PT, Gilberto Palmares.

O que mudou com o primeiro turno

Iranildo Campos, do PP, ocupará a vaga na Alerj de Aparecida Panisset (PFL), prefeita eleita de São Gonçalo no primeiro turno das eleições municipais. Ele é de São João de Meriti, onde já foi vice-prefeito e secretário de Governo e de Obras. Ano passado, o Ministério Público Estadual chegou a investigá-lo por suposto envolvimento no assassinato do subsecretário de Governo do município, Kenedi Jaime de Souza Freitas, morto em maio de 2002.

Adroaldo Peixoto, do PSC, terá a chance de ocupar a vaga deixada na Alerj pelo novo prefeito de Guapimirim, Nelson do Posto (PMDB). Ele já foi subsecretário Estadual de Transportes e diretor da Imprensa Oficial do Estado.

Embora acusado de envolvimento em episódio de fraude eleitoral na 25ª Zona, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, o político tem como reduto eleitoral o Noroeste Fluminense. Adroaldo negou participação em qualquer irregularidade.

No lugar de Rogério do Salão (PL), que vai assumir a Prefeitura de Queimados, entra Cornélio Ribeiro, do PL. Com atuação na Baixada Fluminense, já foi deputado federal e secretário de Desenvolvimento da Baixada, de 1998 a 2000.

O político já foi investigado pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal por suspeita de se beneficiar de licitação para coleta de lixo em São João de Meriti e de uso de recursos do Bolsa-escola para o pagamento de salários de cabos eleitorais.

A reeleição do prefeito Cesar Maia (PFL) determinou a saída de Otavio Leite (PSDB) do parlamento estadual para assumir a vice-prefeitura do Rio. A vaga será ocupada por Walney Rocha, do PMDB, que é de Nova Iguaçu. Ele já teve o nome envolvido em denúncias de fraudes eleitorais e foi superintendente da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu, cidade onde sofreu um atentado, em 1995.

Para a vaga de Núbia Cozzolino (PMDB), eleita prefeita de Magé, entra Sivuca, do PSC. O político do bordão “bandido bom é bandido morto” já foi processado por apologia à violência após ter dito na TV que atiraria em menores de rua que tentassem assaltá-lo.

Ele também foi flagrado circulando com carro oficial de placa adulterada, além de ter sido suspenso pela Alerj, em 1995, quando tirou a roupa na frente de 700 pessoas em eleição de Mesa Diretora.

Na Câmara Federal, Carlos Nader, do PL, filho do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, José Nader, entra no lugar de Maria Lúcia (PMDB), que assumirá a prefeitura de Belford Roxo. Já atua como parlamentar, como suplente de Arolde de Oliveira, que pediu licença para ser secretário Municipal de Transportes. Mas com a saída em definitivo de Maria Lúcia, ele assume de vez o posto, abrindo vaga para outro suplente.