Seu browser não suporta JavaScript!

28/08/2004 | Jornal do Brasil

Aécio entra na campanha municipal de olho em 2006

Governador mineiro adota discurso nacional ao apoiar candidatos de grandes capitais

O centro paulistano, ele disse conhecer como ´a palma da mão´. Ontem, no Rio, foi chamado de ´carioca´ pelo prefeito Cesar Maia (PFL). Horas depois estava em Belo Horizonte, sua verdadeira terra natal.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), fez esta semana uma peregrinação por algumas das capitais estaduais mais importantes do Brasil.

Em plena campanha municipal, prepara o terreno para as eleições presidenciais de 2006. Com a sabedoria mineira, deixa que os outros falem, mas não esconde que gosta da idéia. Dá sempre um tom nacional ao apoio que tem levado aos candidatos das coligações de seu partido.

- A eleição do meu amigo Cesar Maia é importante não apenas para a cidade, mas também para o país. O Rio é a grande vitrine das boas relações entre nossos partidos. Essa parceria há de inspirar outros Estados. Eu ficaria muito contente se a aliança pudesse prevalecer em 2006, para que realizássemos um projeto de país - admitiu.

Cesar aproveitou e propôs uma aliança entre PSDB e PFL na disputa presidencial de 2006, em especial se o candidato for Aécio.

- Seria uma candidatura carioca - lançou o prefeito do Rio, ao lado do governador mineiro durante almoço no Palácio da Cidade.

As campanhas dos candidatos apoiados pelo PSDB em capitais importantes têm servido de palanque para o governador de Minas, que abandonou a fase de lua-de-mel com o governo federal e, num discurso nacional, criticou a concentração de receitas tributárias nas mãos da União.

Disse que o pacto federativo será o tema predominante no país depois das eleições municipais. Protestou ainda contra o fato de o governo federal não ter liberado para nenhum Estado verba dos fundos de Segurança Pública e Penitenciário.

Aécio promete que o fim das eleições municipais não significará seu desaparecimento no cenário da política nacional. Ele assegurou que entrará em ação assim que o pleito for definido, em outubro. Segundo o deputado Otavio Leite (PSDB), vice na chapa de Cesar Maia, terminadas as eleições, Aécio se reunirá com as bancadas no Congresso para ´´dar seqüência à redefinição do pacto federativo´´.

A intenção é diminuir a parcela - hoje calculada em 72% - das receitas tributárias que ficam com a União.

- Na época da Constituinte, 60% ficavam com a União, mas esse número vem crescendo. A União aumenta o Cofins e não reparte entre Estados e municípios. A cada dia a renda está mais concentrada no poder federal - argumentou Leite, fazendo eco ao discurso de Aécio, que repudiou a situação de Estados ´´com o pires na mão´´.