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21/06/2011 | Jornal O Globo

Aeroporto: atrasos reforçam dúvidas

Por Fábio Juppa

O Maracanã foi chamado de novo em pelo menos duas ocasiões desde 1999: após as reformas para o Mundial de Clubes da Fifa, ao custo de R$100 milhões, e para o Pan-2007, por outros R$200 milhões. Com obras de demolição e implantação das fundações em curso, em outubro os cerca de 850 operários que trabalham divididos em três turnos começam a colocação dos degraus da arquibancada inferior. Iniciada esta etapa, será possível identificar os primeiros traços da mais recente versão de um estádio que, se não definitiva, promete aliar modernidade e funcionalidade para a Copa de 2014.

- Aquela cara da maquete que mostra como ficará surgirá a partir da colocação desses primeiros degraus, do lado leste, em outubro - revela Ícaro Moreno, presidente da Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro (Emop). - Uma fábrica de pré-moldados foi montada no próprio estádio. Ali os degraus serão produzidos e encaixados um por um.

Projeto em fase de análise

O Maracanã, que já não era mais o maior do mundo, ficará ainda menor - a capacidade após a reforma passa a ser de 78.639 torcedores, com 75 mil assentos cobertos - mas o governo estadual promete que será o melhor. Se assim será, o tempo irá dizer, ainda que não aquele acordado entre as autoridades brasileiras e a Fifa na assinatura do "Acordo do Anfitrião". Com o atraso no cronograma de obras, o próprio Comitê Organizador Local (LOC) já admitiu que o trabalho pode se estender até março de 2013, extrapolando o prazo de entrega exigido pela Fifa (dezembro de 2012), mas possível de ser testado na Copa das Confederações.

Entre outubro de 2009, quando ainda havia expectativa de que a reforma fosse realizada por uma Parceria Público-Privada (PPP), e o anúncio do orçamento final das obras, na semana passada, o preço das reformas subiu com a expectativa da população pelo produto final. Inicialmente orçada em R$430 milhões, passou a R$600 milhões com a Matriz das Responsabilidades (janeiro de 2010), chegou a R$720 milhões no lançamento do edital de licitação (junho de 2010) e, depois dos R$705 milhões orçados pelo consórcio vencedor(Andrade Gutierrez, Odebrecht e Delta), alcançou R$931.885.382,19. Até que se conheçam os números do "Itaquerão", é o estádio mais caro da Copa e, seguramente, um dos mais caros do mundo.

- O Maracanã é de um tempo em que não havia, por exemplo, o conceito de pessoas com necessidades especiais. Muita coisa mudou. Daí a importância de uma reforma global - pondera o ministro relator da Copa de 2014 do Tribunal de Contas da União (TCU), Valmir Campelo, justificando o custo tão alto.

Como o valor final, 2,6% mais barato do que constava na entrega do projeto executivo, foi conhecido no último dia 13, dois dias antes de expirar o prazo para exigências da Fifa, o TCU tem 45 dias para analisar o projeto executivo, esclarecer dúvidas e fazer recomendações sobre os mais de mil projetos que preservam apenas a fachada. Quer dizer que, até 28 de julho, é provável que o BNDES não seja autorizado a liberar o financiamento de R$400 milhões já aprovado. Enquanto isso, o Estado toca as obras com recursos próprios. A demolição da antiga cobertura, com auxílio de um guindaste, já começou. A nova, de lona tensionada, inspirada em projetos europeus, aumentou o custo da obra em 35%. Duas das quatro novas rampas que serão construídas já têm pilares prontos. À medida que fica de pé, o Maracanã volta a ser chamado novo, ao custo de muito dinheiro público. Resta saber se, desta vez, em definitivo.

Aeroporto: atrasos reforçam dúvidas

Edital de licitação das obras estruturais nos terminais 1 e 2 será publicado amanhã

Os atrasos nas obras de reforma, modernização e conclusão dos dois terminais que compõem o aeroporto Tom Jobim, um dos poucos no país a ainda operar abaixo da capacidade, estimada em 18 milhões de passageiros ao ano, são atualmente a maior dor de cabeça no que se refere a projetos de infraestrutura do Rio para a Copa de 2014. No último dia 14, em reunião com representantes do setor em Brasília, o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, exibiu uma planilha de investimentos pela qual tudo estaria pronto até julho de 2013. Membro da Comissão de Desporto e Turismo da Câmara, o deputado federal Otavio Leite (PSDB-Rj), que vistoriou as obras em maio, põe o prazo em questão.

— Diversas obras já poderiam estar concluídas, mas ainda há muito o que fazer — afirma. — Não se trata de falta de recursos, a gestão que é ineficaz. A Infraero não dá conta da execução dos projetos, sua capacidade é pífia.

A ameaça de atraso para a Copa já havia sido anunciada em estudo divulgado pelo IPEA, em abril. Estão previstas obras de reforma e modernização do terminal 1 e conclusão do terminal 2, Por enquanto, pouquíssimos projetos foram executados. A publicação do edital para as obras estruturais está prevista para amanhã. Em fevereiro, estudo da ONG Contas Abertas mostrou que menos de 15% do investimento de cerca de R$ 680 milhões havia sido contratado, e menos de 9% executado.

Transcarioca em curso

Entre os projetos de mobilidade urbana que estão sendo tocados, ainda que com atrasos, pela Secretaria Municipal de Obras, o mais importante é a construção da Transcarioca, BRT que ligará Penha-Barra-Aeroporto, num trecho total de 50 quilómetros, financiado pelo BNDES ao custo de R$ 1,3 bilhão, com previsão de estar pronto em três anos, portanto, em cima da hora. Os projetos de capacitação de profissionais também estão atrasados. O setor hoteleiro, com a flexibilização de leis que permitem novos empreendimentos, por enquanto é o mais otimista.