Seu browser não suporta JavaScript!

19/03/2006 | Jornal do Brasil

Alckmin quer PFL para invadir o Nordeste

Conquistar o Nordeste será a grande dificuldade do pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. Pesquisa JB-IBPS de intenção de voto mostra que o tucano perde por 33 pontos percentuais, na região, para o presidente Lula, um nordestino retirante, que está investindo pesado em programas sociais na terra natal durante o mandato. Diante de tamanha desvantagem, resta ao PSDB negociar as duras condições do PFL - um partido influente no interior nordestino - para fechar uma coligação nestas eleições. Querem, nada menos, do que o apoio tucano a 12 candidatos do PFL a governador: no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Distrito Federal, Goiás, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Amazonas e Acre.

- Alckmin terá de trabalhar sua imagem no Brasil inteiro. Mas sem o PFL, a campanha vai ficar complicada. O melhor para o PSDB é acertar a coligação com um vice nordestino - destaca Marcos Figueiredo, cientista político do Iuperj.

Por enquanto, o mais cotado para entrar na chapa de Alckmin é o senador José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte. Mas o prefeito do Rio, Cesar Maia, jogou água fria nos planos do PSDB de acertar rapidamente a aliança. Pediu ao presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), dez dias para pensar se quer ser candidato à Presidência. Com isso, ganhou tempo para avaliar também se deve concorrer ao governo do estado do Rio, ou até mesmo entrar como vice de Alckmin, formando uma candidatura forte no Sudeste, capaz de anular os votos de Lula. O Nordeste responde por 27% do eleitorado brasileiro e o Sudeste, por 43%.

A barganha do PFL gera problemas internos do PSDB em ao menos três estados: Bahia, Rio de Janeiro e Sao Paulo. Mas a situação só parece insustentável na Bahia. Controlado por Antônio Carlos Magalhães, o PFL detém o governo, com Paulo Souto, os três senadores, 16 deputados federais e 154 prefeitos, que representam 37% dos 417 municípios baianos. O PSDB local é ferrenho opositor do grupo de ACM e já disse que não há possibilidade de aliança, mas o tucanato tem apenas 2 deputados federais e 27 prefeitos.

Alckmin conta com a vantagem de ter o apoio de todos os governadores tucanos: Pará, Rondônia, Ceará, Paraíba e Goiás. Em 2002, o então candidato José Serra teve apenas 8% dos votos no Ceará porque não contava com o principal cacique nordestino do PSDB durante a campanha, o atual presidente da legenda, Tasso Jereissati. Na época, Tasso queria ser candidato à Presidência, mas o nome do prefeito de São Paulo foi imposto pela cúpula tucana.

Desta vez, os governadores do PSDB se uniram em torno da candidatura de Alckmin e prometem cobrar, como contrapartida, um programa de governo que beneficie seus estados.

- O PSDB no Nordeste está unido na candidatura, mas vamos impor nossas expectativas como região - afirmou o governador do Ceará, Lúcio Alcântara.

Articuladores da iminente campanha de Alckmin dizem que, embora o governador só demonstre força em São Paulo e no Rio, a preocupação é tornar-se conhecido no Nordeste, Norte e Centro Oeste. No Sul, o trunfo dos tucanos é a rejeição do presidente Lula, de 35%.

Os estados mais complicados

Rio de Janeiro

O maior problema é que nos últimos meses, o PSDB do Rio rompeu a aliança que mantinha com o prefeito Cesar Maia na Câmara de Vereadores. (...) Isso porque ele teria de abrir mão da prefeitura, que ficaria com o tucano Otavio Leite.