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07/12/2011 | Portal R7

Aldo quer que Congresso discuta liberação de álcool nos jogos da Copa

Por Gustavo Gantois...

O ministro Aldo Rebelo, do Esporte, defendeu nesta quarta-feira (7) que o debate sobre a liberação da venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol seja feito pelo Congresso Nacional, sem participação do governo.

- É uma questão legislativa. Não há uma lei nacional proibindo o consumo de bebidas nos eventos esportivos. Acho que a opinião tem de ficar com a Câmara dos Deputados, que foi quem se debruçou mais sobre o assunto, e não com o Ministério do Esporte. Deveríamos fazer um esforço maior para que a Casa delibere e que não seja uma deliberação episódica, apenas para um evento.

Rebelo ainda comparou a situação de um jogo de futebol com um show de Madonna, e citou a diferença de legislação que existe entre os dois eventos.

- Durante uma partida de futebol não pode ter bebida, mas durante o show da Madonna pode ter? É no mesmo estádio! É preciso que se pondere. É preciso que esses critérios sejam balizados com seriedade. Não estou oferecendo nenhuma opinião porque não sou especialista, mas é preciso que o Congresso, que tem capacidade de representar e acolher diversos anseios da sociedade, leve em conta essas questões. Não é apenas uma disputa entre promotores e patrocinadores.

Aldo foi questionado pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR) sobre a possibilidade de o Executivo vetar a alteração no Estatuto do Torcedor proposta pelo relator da Lei Geral da Copa, o deputado Vicente Cândido (PT-SP).

- Estamos preocupados com essa liberação. Conseguimos nos livrar do mal que o álcool causa às famílias que vão aos estádios para se divertir. Pedimos que o governo coíba esse tipo de violência.

Ontem, Cândido divulgou seu relatório, no qual permite a venda e consumo de bebidas alcoólicas em estádios de futebol, não apenas na Copa, mas em todas as partidas. O consumo, no entanto, seria restrito aos bares e restaurantes localizados dentro das arenas.

Aldo preferiu evitar polêmica e afirmou não ser especialista no assunto. Disse, no entanto, que há interesses de todos os lados nessa questão.

- Há razões filosóficas e até religiosas para que se façam restrições ao álcool. Mas há eventos, como o Carnaval, no qual não se consegue fazer restrições de consumo. E, do ponto de vista do controle da segurança pública, é até mais difícil que uma partida de futebol.

O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), foi outro a criticar a tentativa de liberar a venda de álcool nos estádios. Para o tucano, os interesses da Fifa não podem sobrepor “uma conquista da sociedade brasileira”.

- Uma coisa é a bebida ser vendida, outra é a publicidade ser veiculada. A publicidade não contamina as torcidas. A bebida, por sua vez, está provada que, num ambiente de calor humano, pode ser o desencadeador de mortes e afins. Já que há um costume no Brasil de algo vitorioso, a não venda da bebida, porque vamos mudar isso?

O ministro alegou que a liberação do consumo de álcool não é uma questão pacificada em outros países e nem mesmo dentro do Brasil.

- Há Estados que permitem e outros que não permitem. A legislação nos outros países também não é definitiva. Na Inglaterra, é permitido o uso com restrições, mais ou menos como apresentou o relator aqui para o Brasil. Pode consumir, mas não pode circular.

Interesses

A alteração na lei acontece em momento delicado para o presidente da CBF e do COL, Ricardo Teixeira, e vem a calhar com a nova organização do Comitê Organizador Local. Acusado de cometer crimes no Brasil e no exterior, o cartola está sob a mira da Polícia Federal e da Fifa. João Havelange, ex-sogro de Teixeira, também está sendo investigado e renunciou na terça-feira (5) à vaga de membro do COI (Comitê Olímpico Internacional).

Em uma manobra para tirar os holofotes da Copa sobre si, Teixeira, anunciou o ex-jogador Ronaldo como membro do conselho de administração do COL. Ronaldo mantém contratos de patrocínio com a mesma empresa que produz a cerveja que será vendida pela Fifa durante a Copa.