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01/04/2011 | Jornais O Globo/ Extra on line

Alerj cobra do MEC garantias para deficientes

Por Duilo Victor

RIO - A Comissão da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa (Alerj) e representantes de associações de pais e alunos do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) e do Instituto Benjamin Constant (IBC) acharam insuficiente a garantia recebida pelo MEC, por meio da imprensa, que o ensino básico nas duas instituições não será extinto. O presidente da comissão, deputado Márcio Pacheco (PSC), quer se encontrar com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para pedir uma política de estado que garanta as escolas especiais.

Não pode ser uma política de governo, mas de Estado. Não duvidamos da palavra do ministro, mas ministro muda

— Queremos uma postura concreta sobre o não fechamento das duas instituições. Não pode ser uma política de governo, mas de Estado. Não duvidamos da palavra do ministro, mas ministro muda — disse o deputado durante audiência pública ontem na Alerj.

Na terça-feira o ministro vai se encontrar com as diretoras do Ines e do IBC. Segundo Solange Rocha, diretora do Ines, no último dia 17 a diretora de Políticas Educacionais Especiais do MEC, Martinha Claret, anunciou que o serviço de Ensino Básico do Ines e IBC fecharia até o fim do ano, como revelou O GLOBO. Os alunos seriam matriculados na rede escolar convencional da prefeitura e do estado no ano que vem. A justificativa era a implementação da “política de inclusão” de alunos com necessidades especiais. Na visão de Martinha, as escolas especiais são “segregadoras”.

— É um equívoco falar que a política inclusiva tem que acabar com as escolas especiais. Educação inclusiva é um direto de escolha — argumentou Teresa Amaral, presidente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, durante a audiência na Alerj.

Na sessão, o vereador do Rio Paulo Messsina (PV) informou que conversou ontem com um representante do MEC. O emissário do ministério teria garantido a ele que as informações sobre fechamento dos serviços não passavam de “um boato surgido de redes sociais”. Mas o presidente da associação de pais e alunos do Ines, Antônio Soares de Carvalho Junior, garantiu depois que estava na reunião com Martinha do dia 17 e ouviu dela a notícia sobre o fim das atividades.

— Ficamos atônitos com a informação da Martinha. Tenho dois filhos alunos do Ines e é a terceira vez que existe um movimento para fechar a educação básica no instituto. Sou a favor da cultura de inclusão, mas não dessa forma.

Ontem de manhã, alunos das instituições participaram de uma passeata do Sindicato dos Estadual dos Profissionais da Educação na Candelária.

Hoje, o senador Lindbergh Farias (PT) e o deputado federal Otavio Leite (PSDB) se reúnem com representantes das duas instituições no auditório da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), às 10h30m. O senador disse que falou ontem com o ministro da Educação:

— Ele (Haddad) me garantiu que tudo não passou de um mal-entendido e que irá se encontrar com as diretoras do Ines e do IBC para ampliar as atividades das instituições.