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25/05/2010 | Jornal O Globo

Aliança entre PV, PSDB, DEM e PPS deve garantir a Gabeira cerca de 4 minutos de propaganda

Isolado, Garotinho terá menos de 2 minutos na TV

Coligação de Cabral teria maior fatia da propaganda eleitoral na televisão, podendo chegar a quase nove minutos

Por Ludmilla de Lima e Rafael Galdo

As dificuldades do pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho, do PR, de fechar alianças para a corrida eleitoral podem lhe custar caro num fator fundamental da campanha: o tempo de TV. Se seu partido continuar isolado, o ex-governador corre o risco de ter um tempo parecido com o dos nanicos: 35 segundos do PR, mais uma parcela dos seis minutos divididos igualmente entre os candidatos.

Desta forma, considerando um cenário hipotético com seis candidatos, Garotinho teria um minuto e 35 segundos de tempo de TV, dos 18 minutos destinados à propaganda.

Em compensação, seus principais adversários, Sérgio Cabral (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), teriam muito mais espaço.

A maior parcela do tempo seria de Cabral. As alianças costuradas por ele até agora lhe renderiam, pelo menos, sete minutos e 12 segundos (ou oito minutos e 12 segundos considerando um pleito com seis candidatos).

Já Gabeira contaria com três minutos e 53 segundos (ou quatro minutos e 53 segundos na mesma hipótese acima), que equivalem à soma das cotas de PV, PSDB, DEM e PPS.

Os cálculos foram feitos com base em estimativas da direção nacional do PSDB, fornecidas pelo deputado Otavio Leite (PSDB). Já na pré-campanha de Cabral, fala-se em cerca de nove minutos de tempo de TV, enquanto Gabeira acredita que terá aproximadamente seis minutos.

PR afirma que terá ao menos quatro aliados

Cabral pode reunir 14 partidos, diminuindo as opções de Garotinho

Embora não tenha anunciado aliança alguma até agora, a coordenação da campanha do pré-candidato ao governo do Rio Anthony Garotinho (PR) afirma que o partido chegará até o fim de junho, mês em que acontecem as convenções das legendas, com ao menos quatro ou cinco partidos coligados. Para Adroaldo Peixoto, secretáriogeral do PR, com isso, Garotinho deve ter aproximadamente cinco minutos de propaganda gratuita na televisão.

O problema para alcançar esse tempo, porém, são a ampla frente a favor da reeleição de Sérgio Cabral (PMDB) e as poucas opções que restaram ao ex-governador.

A pré-campanha de Cabral considera praticamente certa a coligação majoritária com 11 partidos — PMDB, PT, PDT, PSB, PCdoB, PTB, PP, PSL, PRTB, PSDC e PSC. Há negociações em curso para atrair outros três: PHS, PTN e PRP.

Além disso, os partidos mais à esquerda, PSOL e PSTU, já anunciaram candidaturas próprias, de Jefferson Moura e Cyro Garcia, respectivamente.

O mesmo caminho deve ser seguido pelo PCB. E, assim como Garotinho, cada um deles teria pouco mais de um minuto na TV.

Das demais legendas, destaque para o PRB, do pré-candidato ao Senado Marcelo Crivella.

Mas, apesar de um apoio importante, Crivella não traria muito tempo para Garotinho — menos de dois segundos.

Os outros partidos, PMN, PTC, PTdoB e PCO, juntos, caso fechassem com Garotinho, agregariam pouco menos de 10 segundos, não atingindo, portanto, a estimativa do PR de cerca de cinco minutos.

Peixoto, no entanto, diz duvidar que Cabral reunirá tantas siglas em sua coligação. E, segundo ele, devido às investidas do atual governador sobre partidos que estariam negociando com o PR, os republicanos mudaram de estratégia, e não divulgam mais os partidos com que está conversando.

Para Gabeira, cinco minutos são suficientes Fernando Gabeira, pré-candidato do PV, que deve ter cerca de metade do tempo de Cabral, também acredita que a diferença não cria desvantagem: — Numa candidatura para governo, acho que cinco minutos é um tempo excelente.

Isso não quer dizer que eu usarei só cinco minutos.

Mas, se os adversários aceitassem, eu ficaria nos cinco minutos. Na hipótese de um segundo turno, vou propor isso.

Já integrantes da coordenação da campanha de Cabral dizem ainda não estarem preocupados com essa questão.

— Estamos consolidando a aliança que vai definir isso. O tempo é consequência — disse o pré-candidato do PMDB ao Senado, Jorge Picciani.