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04/08/2005 | Jornal do Brasil

Americanos são presos filmando mulheres seminuas

Uma mansão com vista para o Oceano Atlântico, banheiras redondas de hidromassagem repletas de espuma, oito homens e oito mulheres (todos solteiros, com 25 a 39 anos), coqueiros, redes e muito champanhe. A paisagem e o elenco sugeriam que ali começaria uma grande celebração. Mas o desfecho lembrou um típico filme policial.

Na madrugada de terça-feira, policiais da 36ª DP (Santa Cruz) prenderam oito americanos e duas brasileiras na mansão número 550, casa A, da Avenida Niemeyer, em São Conrado. Todos foram autuados com base no artigo 228 do Código Penal, favorecimento da prostituição. As outras seis mulheres que estavam na casa foram liberadas depois de prestarem depoimento.

Segundo o delegado Marcos Neves, no momento da prisão eles gravavam cenas de sexo para a produção de filmes pornográficos que seriam comercializados no exterior. Na mansão, que era moradia dos americanos no Brasil, foram apreendidos três câmeras filmadoras, três laptops, fitas de vídeo Mini DV, crachás do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cinematográfica e Audiovisual (Stic), contratos - supostamente feitos com os participantes dos filmes -, oito passaportes e maconha.

Há trinta dias, a 36ª DP recebeu pelo Disque-Denúncia a informação de que homens e mulheres de Sepetiba estavam sendo aliciados para participar de filmes pornô. Na terça-feira, uma mulher, que não teve a identidade revelada, afirmou ter sido convidada para as filmagens. Como o preço combinado foi de R$ 1 mil, mas ela só teria recebido R$ 300, resolveu ir à polícia.

Ao chegarem ao endereço, os policiais foram para o segundo andar, onde se depararam com algumas mulheres sendo filmadas. O momento, registrado em uma das fitas apreendidas, mostra a reação das mulheres ao verem os policias. No vídeo, elas demoram alguns minutos antes de compreenderem a gravidade da situação: ´´me prende, me prende´´ e ´´vai ter que me algemar´´ são algumas das frases.

- A prostituição não é crime, mas o incentivo é - afirmou o delegado.

Um dos americanos, David J. de Nino é professor de inglês e mora no Rio há 5 anos. Segundo seu advogado, Emerson Mesquita, que fará a defesa dos outros acusados, David recebeu os amigos e, na madrugada de terça, o que acontecia era uma festa:

- Eles convidaram algumas prostitutas para uma festa. Nenhuma imagem de prostituição seria comercializada.

Segundo informação do Stic, os americanos estavam no país para a produção de um documentário e receberam um visto de trabalho temporário. O filme foi aprovado pela Agência Nacional de Cinema, com o respaldo de uma produtora nacional. Na sinopse não há referência à filmes pornográficos.

Nos contratos apreendidos, os participantes liberavam o direito à imagem para uma ´´obra fotográfica de natureza publicitária, com o título provisório World Party´´ (Festa Mundial). Segundo o delegado, outros dois americanos são procurados. Todos podem ser enquadrados também nos artigos 288, formação de quadrilha, e 16, porte de entorpecentes para uso próprio.

Sites divulgam Rio para turismo sexual

De acordo com a sinopse do filme que vinha sendo produzido pelos estrangeiros detidos ontem, o Rio foi escolhido para sediar as filmagens por ser a cidade mais fotogênica da América do Sul. Mas não é preciso navegar muito pela internet para descobrir que em vários sites a Cidade Maravilhosa é associada ao turismo sexual. No ano passado, pelo menos duas campanhas foram lançadas para tentar reverter a imagem do Rio: uma pelo governo do estado, durante o carnaval, e outra encabeçada pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), que elaborou um código de conduta junto com Ministério Público.

- Quanto mais se divulga esses casos, mais se acirra esta imagem negativa da cidade - opinou Ana Maria Rattes, presidente do Cedim.

Presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem no Rio (Abav-RJ), Carlos Alberto Amorim Ferreira acredita que a prisão dos estrangeiros pode ter repercussão negativa e positiva.

- De um lado, reforça a imagem do Rio como paraíso sexual mas de outro mostra que a nossa polícia não está de acordo com isso - declarou, lembrando que a Embratur vem tomando precauções em suas campanhas no exterior, como a de não divulgar imagens de mulheres seminuas.

Já o governo do estado e a prefeitura, não acreditam que o fato de ontem vá arranhar a imagem do Rio para o turismo.

- Agiu muito bem a polícia. Que estas prisões repercutam e muito no âmbito dos produtores americanos de cinema ponô. No fundo, este fato inibe o turismo sexual - declarou o vice-prefeito Otavio Leite, coordenador de turismo para o Pan.

- Não se pode confundir turismo sexual com prostituição, que existe em qualquer lugar do mundo. Esse fato não atrapalha em nada a imagem do Rio, que recebe 40% dos estrangeiros que visitam o Brasil - declarou Sérgio Ricardo de Almeida, presidente da TurisRio.