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19/08/2011 | Jornal O Dia

Amigos de formatura de Patrícia Acioli fazem missa em homenagem a magistrada

Por Francisco Edson Alves

Rio - Amigos de formatura da juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, realizaram nesta sexta-feira, na Igreja do Carmo, no Centro do Rio, uma missa em memória da magsitrada. Parentes da vítima foram reprsentados pelo advogado Técio Lins e Silva.

Pelo menos 100 pessoas participaram da celebração, entre eles o desembargador Siro Darlan de Oliveira, da 7ª Câmara Criminal do Rio, o deputado federal Otavio Leite e vários advogados que se formaram com a magistrada em 1987 na turma Weber Batista, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O Disque-Denúncia já recebeu 127 ligações com informações sobre a morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada na semana passada na Região Oceânica de Niterói. De acordo com o serviço, todas as informações recebidas estão sendo encaminhadas para a Delegacia de Homicídios, responsável pelo caso. Quem tiver alguma informação a respeito dos autores do assassinato, pode ligar para o telefone (21) 2253-1177. O anonimato é garantido. Até o momento 28 pessoas prestaram depoimento na DH.

Uma das informações recebidas pelo serviço é de que detentos do presídio Ary Franco, em Água Santa, Zona Norte, seriam os mandantes da execução da juíza Patrícia Acioli. Presos ligados à exploração de máquinas de caça-níqueis na Região Metropolitana teriam tramado um plano para acabar com a vida da magistrada. Estas informações foram recebidas pelo Dique-Denúncia na segunda-feira, mas a instituição prefere não comentar detalhes.

Magistrados do Rio fizeram ato em memória à Patrícia Acioli, na tarde de quinta-feira, em frente à sede do Tribunal de Justiça, no Centro do Rio. Os juízes e desembargadores fizeram um minuto de silêncio para a colega, assassinada na quinta-feira da semana passada, com 21 tiros, e também caminharam de mãos dadas até o prédio do TJ. Uma missa em homenagem a Patrícia também está sendo realizada no auditório do Fórum.

Os organizadores do ato foram a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj).

Irmã de juíza desabafa: ‘Está difícil lidar com a dor’

Irmã da juíza Patrícia Acioli, Simone Acioli foi a última pessoa com quem ela falou no dia em que morreu. A conversa por celular terminou minutos antes do crime. “Tentava convencê-la a ir a São Paulo passar o Dia dos Pais comigo”, lembrou ela, contando que a irmã aparentava estar mais preocupada com a segurança.

O DIA: Patrícia tinha medo das ameaças? Ela comentava sobre isso?

SIMONE: De uns tempos pra cá, ela ficou mais preocupada, sim. Chegou a falar que estava preocupada com o aumento das milícias na região. Mas como a gente a pressionava muito para ela sair de lá (da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo), ela evitava ficar falando no assunto. Falava de ameaças mas nunca disse ‘fulano me ameaçou’. Mas acho que a preocupação maior dela era de acontecer algo com os filhos.

Vocês temiam a morte de Patrícia?

Temíamos. Tínhamos uma preocupação enorme com isso, porque São Gonçalo é uma cidade violenta. Minha mãe é religiosa e sempre rezou por minha irmã e pedia aos amigos que rezassem por ela. Quando pedíamos para que mudasse de vara, ela dizia que alguém tinha que fazer aquele trabalho.

Apesar das ameaças, sua irmã estava sem segurança. Vocês pensam em processar o estado?

Nem pensamos ainda o que faremos, porque está tão difícil lidar com a dor, com o sofrimento da minha mãe e da família, que não resolvemos as questões práticas do caso.

Uma das linhas de investigação para a morte de Patrícia é crime passional devido ao envolvimento dela com um policial.

Não vou falar da vida pessoal da minha irmã. Como acho isso um absurdo, não quero entrar no assunto. O importante é a conduta dela como profissional, que foi maravilhosa, e investigar o crime.

Você acredita que os assassinos serão presos?

Acho que será mais fácil pegar apenas os executores.

A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) ofereceu proteção ao ex-marido de Patrícia e aos filhos dela. Eles vão aceitar?

Não é meu ex-cunhado que tem que decidir. A gente não sabe se correm risco. Quem tem que dizer se precisam de segurança é a polícia e a Secretaria de Segurança, afinal de contas, eles é que são os especialistas.