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26/11/2010 | Jornal O Globo

Após discurso de Cunha, deputados do Rio pedem apuração de denúncias

Por Maiá Menezes

Ofício protocolado na Procuradoria Geral da República sugere investigação

RIO E BRASÍLIA. O pronunciamento do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ontem assumiu ter tido contatos pessoais e profissionais com o empresário Ricardo Magro, alvo principal de inquérito sobre fraude no setor de combustíveis, mobilizou a bancada do Rio. O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) protocolou ontem mesmo pedido à Procuradoria Geral da República para investigar o caso. Ele argumenta temer que "os ladrões públicos, de atuação em âmbito nacional, com ramificações na Agência Nacional de Petróleo e no Parlamento brasileiro, apaguem as pegadas e dificultem a persecução criminal".

Um outro grupo de deputados decidiu encaminhar ofício à Corregedoria da Câmara para que requisite informações à Justiça do Rio sobre o inquérito.

- O Legislativo, mais uma vez atingido, precisa agir em defesa própria, independentemente dos complexos e morosos processos no Judiciário - disse Chico Alencar (PSOL-RJ), um dos que apresentou o ofício.

O deputado Hugo Leal (PSC-RJ), coordenador da bancada do Rio, relata um certo constrangimento dos parlamentares com o inquérito, mas diz que o posicionamento de Eduardo Cunha deixa a situação mais clara:

- É uma situação que não deixa ninguém contente. Mas agora tudo fica mais claro, porque ele (Cunha) pode se defender.

Reportagem publicada pelo GLOBO no domingo revelou que um inquérito conduzido pela Polícia Civil apura o envolvimento de um parlamentar fluminense com um esquema de fraude na refinaria. Em conversas interceptadas, o deputado ou senador conversa com Magro por um telefone da Rádio Melodia FM.

O deputado tucano Otavio Leite (RJ) defende a apuração:

- Vou procurar os colegas da bancada para que seja criado um grupo para acompanhar as investigações. Sem o acompanhamento, o caso corre o risco de cair no esquecimento.

O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) também espera apuração rigorosa.

- Com o deslocamento do processo para o Supremo, espera-se uma apuração rigorosa e que o Ministério Federal tome providências em relação aos envolvidos, inclusive esse parlamentar que já admitiu ter conversado com o Magro.

O presidente da Câmara e vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), só pedirá que a Corregedoria da Casa apure as ligações de Cunha com Magro, se houver uma requisição formal à Mesa. Colega de partido e próximo a Cunha, ele avisou, por sua assessoria, que a cadeira de presidente lhe impõe isenção similar à de um "magistrado". Por isso, aguardar que algum cidadão, deputado, partido ou entidade formalize denúncia. O Regimento da Casa não o impede, contudo, de agir por conta própria.

O corregedor da Câmara, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), disse que aguardará o pedido para uma eventual apuração, pois, pelas regras do Legislativo, só a Presidência pode requerê-la. Porém, defendeu a apuração:

- Até em benefício do próprio parlamentar (que alega não ter envolvimento com irregularidades), é fundamental que esse assunto seja esclarecido - afirmou, acrescentando que o caso prejudica a imagem da bancada do Rio: - Isso é muito ruim, daí porque é preciso um esclarecimento absoluto e transparente.

Na quarta-feira, em discurso na Câmara, Cunha disse ter conversado diversas vezes, por telefone e pessoalmente, com Magro, que já foi seu consultor jurídico. E sustentou não ter relação comercial com o Magro.

COLABOROU: Marcelo Remígio