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06/09/2013 | Portal UOL

Após evidências de perseguição, Bolívia manda ministros ao Brasil para dizer que não persegue

Três ministros de Evo Morales serão recebidos nesta sexta (6) pelo colega brasileiro José Eduardo Cardozo (Justiça). Munidos de documentos, dirão que o senador Roger Pinto Molina é um delinquente, não um perseguido político. Farão isso um dia depois de o governo de La Paz ter protagonizado uma cena de perseguição explícita.

Advogado de Molina na Bolívia, Luís Vásquez Villamor foi detido nesta quinta (5), no aeroporto de Santa Cruz de La Sierra, quando se preparava para embarcar rumo ao Brasil. Carregava papéis que seriam usados no Conare, o conselho qua analisa em Brasília o pedido de refúgio de Molina. Retido por mais de seis horas, o doutor perdeu o voo. Tomado pelas palavras, ficou chocado.

Nesta sexta, irão à presença de José Eduardo Cardozo na pasta da Justiça três ministros do governo Evo: Carlos Romero (Governo), Cecilia Ayllón (Justiça) e Nardy Suxo (Transparência). Trazem documentos que ninguém ousaria reter na alfândega. São processos abertos na Bolívia contra o senador Molina.

Advogado de Molina no Brasil, Fernando Tibúrcio estranha a combinação de fatos. Afirma que o tratamento dispensado ao colega Luís Vásquez no aeroporoto de Santa Cruz de La Sierra evidencia a “truculência” do regime de Evo com seus antagonistas. E a audiência com Cardozo denuncia a tentativa de “ingerência política” num assunto interno do Brasil: o pedido de refúgio.

Há três dias, após audiência coletiva de Cardozo com deputados da bancada do Rio, um dos visitantes, o deputado tucano Otavio Leite, pediu para trocar um dedo de prosa com o ministro. Perguntou-lhe sobre a situação de Molina. Cardozo respondeu que só teria condições de dizer algo depois que analisasse seis processos que esperava receber nesta sexta. Quer dizer: a viagem dos ministros bolivianos pode não ser em vão.

Quanto aos papeis que o defensor boliviano de Molina foi impedido de trazer para o Brasil, o advogado Fernando Tibúrcio espera recebê-los nos próximos dias. Dessa vez, o portador será um desconhecido. Alguém que consiga escapar de uma nova detenção.

“O Luís Vásquez, além de advogado, é ex-senador e ex-ministro da Justiça da Bolívia”, diz Tibúrcio. “Ele teve de lidar com cães farejadores. Revistaram suas malas. Cortaram uma delas, à procura de fundo falso. Copiaram todos os documentos que ele carregava. Se fazem isso com alguém conhecido, imagine o que não fariam com um desconhecido!”