Seu browser não suporta JavaScript!

03/07/2017 | Rádio PSDB

Após Petrolão, indústria naval enfrenta uma das piores crises da história

REPÓRTER: Há dois anos de portas fechadas, o Estaleiro Mauá, na região metropolitana do Rio, vem acumulando dívidas com a paralisação de pelo menos três navios inacabados e com a falta de manutenção. Segundo levantamento realizado pelo jornal Folha de São Paulo, divulgado nesta segunda-feira, além desse estaleiro, existem outros três navios, sete sondas, um casco de plataforma e quatro comboios hidroviários parados em estaleiros no país, em diferentes estágios de construção. Juntas, esse itens somam US$ 6 bilhões. Para o deputado federal Otavio Leite, do PSDB do Rio de Janeiro, a falência da indústria naval foi ocasionada pelo esquema de corrupção montado na Petrobras, mais conhecido como "petrolão".

OTAVIO LEITE: “A indústria naval, que tem uma capacidade de atrair mão de obra mais qualificada e com média salarial bem razoável, ela para o Rio de Janeiro é fundamental. Mas o delírio e a megalomania associada à corrupção, aos desvios, à irresponsabilidade do governo do PT na política naval, provocaram esses problemas. A paralisia do setor afeta muitas famílias trabalhadoras, afeta empresa, afeta a economia do Rio. O ‘petrolão’ tem como desdobramento, lamentavelmente, essa triste página que está sendo escrita na economia do Rio de Janeiro.”

REPÓRTER: Outro impasse desse setor é a falta de soluções para os problemas contratuais ou judiciais. A situação remete à primeira grande falência da indústria naval brasileira, no final dos anos 1980, quando problemas financeiros provocaram paralisações em obras. O último navio entregue naquela época, o Livramento, demorou dez anos para ser construído. Otavio Leite explica como deve funcionar esse processo de recuperação atualmente.

OTAVIO LEITE: “O Rio de Janeiro produz 85% do óleo nacional. Não há mágica nesse processo. A tendência é que ainda tenhamos que conviver um período com essa situação. Afinal, o Brasil como um todo vive uma recessão muito grave. É preciso arregaçar as mangas, atrair capital e fortalecer o empreendedorismo em todas as faixas. Eu espero que, com a nova rodada de leilões para os campos do pré-sal, a indústria, a retaguarda dos campos de petróleo, receba um forte pulso a retomada das suas atividades.”

REPÓRTER: O Sindicato da Indústria de Construção Naval se reuniu nesta última semana com o BNDES para pedir a formação de um grupo que avalie medidas para destravar obras e fomentar novas encomendas. O banco afirmou que está acompanhando com cuidado a situação do setor de construção naval.