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20/10/2003 | Jornal Extra

Após vencer a morte, ex-governador retoma comando do PSDB e encontra forças para reestruturar...

Nem mesmo amigos e aliados esperavam que ele sobrevivesse. E se escapasse daquela, ficaria entrevado para sempre. Mas o ex-governador Marcello Alencar foi para o segundo turno, venceu a morte e já retoma o comando do PSDB traçando alianças para as eleições municipais e a reestruturação do partido no estado. Se o acidente vascular cerebral (AVC) sofrido no ano passado lhe deixou seqüelas no lado esquerdo do corpo, por outro lado rejuvenesceu o ânimo e amaciou a velha rabugice, como dizem os mais chegados. Mas a língua continua afiada.

— Os municípios estão liberados para fazer alianças, menos com o Garotinho. Esse está ripado! — dispara o ex-governador.

Marcello Alencar já foi senador (1967), prefeito do Rio (1983/85 e 1989/92) e governador (1995/98). Aos 78 anos, com o baço, os pulmões e o fígado comprometidos, Marcello diz que já começa a dispensar a ajuda da cadeira de rodas e das muletas. Há duas semanas, impressionou os tucanos no encontro do partido que definiu a candidatura própria à Prefeitura do Rio.

— A reunião durou quatro horas e ele discursava sem microfone, só no gogó — conta o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, seu vice-governador e secretário municipal de Obras na prefeitura (1983/88). — Marcello está vivo. Ele tirou a doença de letra e ficou muito mais sedoso, com a cabeça voltada para o crescimento do PSDB e montando alianças onde elas devem existir.

Integrante do grupo que ficou conhecido como “Menudos do Marcello” e preterido pelo ex-governador na disputa pela prefeitura carioca, o deputado estadual Otavio Leite se diz surpreso com o ânimo do homem que o lançou na política:

— A disposição dele é invejável. Eu o conheço desde menino e a postura dele, com a vibração de um garoto, é exemplar para a militância do partido. E o mais importante: a cuca dele está muito boa.

— Conheci o outro lado, que é escuro, ruim, triste. Preferi não morrer e ficar aqui. A rigor, estou com capacidade de gerir o interesse do partido — diz Marcello.