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18/03/2004 | Jornal do Brasil

As paredes têm ouvidos

O governo do Estado anunciou ontem que vai interpelar judicialmente o prefeito Cesar Maia, através do procurador-geral Francesco Conte. Assim, pode parar na Justiça a polêmica causada com a divulgação, pelo serviço de correio eletrônico da rede municipal, o possível grampo no primeiro escalão da Prefeitura do Rio.

O secretário de Governo, João Pedro Figueira, nega que o prefeito tenha feito a acusação.

- Ele não disse de quem partia o grampo. Qualquer coisa diferente disso não é verdade - diz.

Cesar Maia foi sucinto ao comentar o episódio com o Jornal do Brasil.

- A prefeitura recebeu esta informação e divulgou para dentro com vistas à averiguação - declarou.

Assim se fechou, em menos de 24 horas, um círculo de espionagem e grampos que dá uma prévia do que serão os bastidores das eleições municipais deste ano. O novo round da disputa política começou na semana passada, quando o prefeito Cesar Maia passou um e-mail a todo o seu secretariado informando que os telefones do primeiro escalão estavam grampeados.

De acordo com informações de pessoas próximas ao prefeito, o e-mail alertando sobre as possíveis interceptações foi passado há uma semana. Cesar Maia costuma utilizar o meio eletrônico para se comunicar com os secretários e teria recebido as informações de pessoas da própria secretaria de Segurança Pública.

- Não fizemos qualquer varredura nos telefones, mas Garotinho possui uma central capaz de fazer grampos - disse o prefeito, ao se referir ao aparelho adquirido pelo governo estadual capaz de monitorar 800 telefones.

A reunião do secretariado tinha tom de despedida, pois pelo menos três deles terão que deixar os cargos - em 3 de abril termina o prazo imposto pelo Tribunal Regional Eleitoral para desincompatibilização do Executivo daqueles que vão se candidatar ao Legislativo. O e-mail do grampo, no entanto, levou a reunião para outra direção.

A nota da Secretaria de Segurança é contundente: ´´As declarações do senhor prefeito do município não têm outro objetivo se não o de promover, mais uma vez, o noticiário político baseado na inverdade e nos seus factóides (...) Todas as interceptações telefônicas da secretaria de Segurança Pública são feitas de modo lícito e a partir de autorização obtida na Justiça´´.

Por coincidência, o deputado estadual Otavio Leite deu entrada ontem em um projeto que trata da criação de um sistema de fiscalização sobre o monitoramento eletrônico. O projeto prevê que a cada três meses o procurador-geral de Justiça e o presidente do Tribunal de Justiça observariam se a relação de telefones com o sigilo quebrado é idêntica à da polícia.