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22/09/2013 | Jornal Extra

Aviões sem piloto vão ser testados para segurança da Copa de 2014

Por Guilherme Amado

BRASÍLIA - Dois discretos aliados da Polícia Federal na segurança da Copa de 2014 chegam ao Rio de Janeiro no mês que vem para, a partir de uma base em Araruama, serem testados: os veículos aéreos não tripulados. Discretos, os chamados vants são silenciosos e, controlados à distância, serão usados para monitorar favelas e multidões que entram e saem dos estádios.

Para garantir o sucesso dos testes, a PF não detalhou o que vai ser feito no próximo mês, mas já recebeu sugestões para, por exemplo, monitorar o entra e sai de embarcações da Baída de Guanabara — apontada por especialistas como uma das portas de entrada de drogas e armas no Rio.

Militar põe calço no trem de pouso do vant Hermes 450, das Forças Armadas Militar põe calço no trem de pouso do vant Hermes 450, das Forças Armadas Foto: Johnson Barros / Divulgação

Do Rio, as duas aeronaves vão seguir para o Polígono da Maconha, região do Nordeste que concentra as maiores plantações da droga no país. Já foram empregadas em maio no Paraná, na Ágata, operação que reúne as Forças Armadas e a PF para coibir o crime na fronteira.

Na mesma ocasião, a Força Aérea Brasileira (FAB) empregou seus dois vants, menos sofisticados do que os da PF, mas que também são usados para nortear ações de inteligência.

Vant da Polícia Federal durante voo Vant da Polícia Federal durante voo Foto: Divulgação / Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados

Não foi um investimento barato. Desde 2010, a FAB gastou R$ 48 milhões, a PF, outros R$ 30 milhões. Presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, Otavio Leite (PSDB-RJ) criticou a falta de integração entre o uso dos vants e as polícias militares e civis dos estados:

— Fui ao Paraná ver como atuam os vants na fronteira. Eles localizam algo e deveriam contar com a polícia do estado para coibir o crime.

Enquanto isso, para tentar dominar a tecnologia que, cada vez mais, se torna estratégica para o trabalho de inteligência da polícia e das três Forças, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IEA), vinculado à Aeronáutica, vem investindo em pesquisa nessa área.

— O que interessa não é a fuselagem nem o motor, mas sim o software que fica lá dentro, que substitui o piloto humano. Isso não existe para vender — explicou o major Fábio Almeida, pesquisador chefe da Divisão de Sistemas Aeronáuticos, do IEA.

Base da Polícia Federal para controle dos vants Base da Polícia Federal para controle dos vants Foto: Divulgação / Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados

Vigilância aérea

Os dois vants da PF vêm para o Rio por terra. Serão desmontados e transportados em caminhões até Araruama. Graças a essa mobilidade, o vant pode atuar em qualquer parte do país.

No enfrentamento ao tráfico de drogas na Amazônia, em 2011, por exemplo, a FAB já havia detectado com o auxílio dessas aeronaves uma pista de pouso construída por traficantes, no meio da floresta. Após o monitoramento, caças da Aeronáutica a destruíram.

Os Estados Unidos fazem uso bélico dos vants — chamados por lá de drones (zangão, em inglês). Fazem disparos e usam esse tipo de aeronave para espionagem, o que tem rendido polêmica no Congresso e junto a outross países. Os vants podem ser usados ainda para monitorar o alastramento de pragas e o raio de destruição de florestas. Modelos menores são usados por cidadãos comuns, por lazer.

Uma comissão especial será instalada na Câmara dos Deputados para regular o uso de vants no Brasil. Uma das questões que prometem gerar mais debates é sobre a privacidade. Afinal, um vant comprado por civis poderia ser usado, por exemplo, para se espiar a casa do vizinho. Um uso menos pueril, mas que também precisa ser regulado, seria para espionagem industrial.

No começo de 2013, a FAB comprou mais dois vants, que estão em fase de implantação em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Existe ainda o planejamento para que novas unidades sejam criadas nos próximos anos em bases da Força Aérea nas regiões Norte e Centro-Oeste. O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacional também desenvolve, em parceria com a empresa Avibrás, um projeto nacional.