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15/12/2011 | Jornal O Globo

Base volta a impedir convocação de Pimentel

Base volta a impedir convocação

Por Isabel Braga

BRASÍLIA. Depois que a própria presidente Dilma Rousseff disse que o ministro Fernando Pimentel não precisa ir ao Congresso se explicar, os aliados do governo reforçaram a proteção a ele, que está sob suspeita de ter praticado tráfico de influência em contratos de consultorias para empresários mineiros. Ontem, repetindo a prática dos últimos dias, a tropa governista derrubou não só requerimento para o ministro falar das denúncias, mas também pedidos de convocação para que explicasse decisões técnicas de sua área.

Na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, os deputados governistas rejeitaram o requerimento do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ). E na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, por 14 votos a 8, foi derrubado o pedido do deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ), que queria informações sobre uma resolução que reduz imposto sobre a importação de produtos de informática e telecomunicações na área do Mercosul.

Petista alega que oposição quer derrubar o ministro

Os governistas justificaram o motivo de impedir qualquer depoimento de Pimentel.

- Está evidente que a oposição trabalha um ataque sistemático contra o ministro, com o objetivo de derrubá-lo. Se é legítimo que a oposição tente derrubar um ministro, é legítimo que eu, como deputado da base governista, que apoia o conjunto do trabalho que Pimentel vem fazendo no Desenvolvimento, sustente o bloqueio dessa ação - disse o deputado Henrique Fontana (PT-RS). - O ministro pode e deve sempre vir ao Parlamento, mas, neste momento, é evidente que o movimento da oposição visa derrubar o ministro.

Parlamentares da base sugeriram que Nercessian fizesse um convite para que um técnico do governo esclareça a questão da mudança de nomenclatura de produtos no Mercosul.

- Fizeram tantos elogios ao ministro Pimentel. Estavam sendo egoístas em não permitir que uma pessoa tão legal ficasse guardada para eles. Disse também a eles (aliados) que, se fosse para defender ou blindar, que percebessem que já não deu certo com outros ministros - ironizou Nercessian.

Em discurso no Senado, Roberto Requião (PMDB-PR) se disse a apoiar duas CPIs, uma sobre as privatizações do governo tucano e outra sobre Pimentel.