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27/01/2011 | Jornal Folha Dirigida

BC: aposentadorias reforçam a necessidade de concurso

O Banco Central (BC) trabalha com a possibilidade de abertura de um novo concurso para técnico (de nível médio, com remuneração inicial de R$5.221,28, já com auxílio-alimentação, de R$304) e analista (superior; R$13.264,77) no início do ano que vem, conforme afirmou, em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, o chefe do Departamento de Gestão de Pessoas (Depes) do banco, José Clóvis Batista Dattoli.

Para isso, o órgão precisa que o Ministério do Planejamento autorize ainda este ano a nova seleção. Antes disso, o BC aguarda ainda a permissão para convocar até 50% mais aprovados no concurso para técnico e analista aberto em 2009. "Minha expectativa é positiva, porque a situação do Banco Central é por todos conhecida e nós temos uma posição bem defensável", afirmou Dattoli.

A situação a que se refere o dirigente é a expectativa de perda de 2.064 servidores ou 43% do seu quadro atual (de 4.800 trabalhadores), até 2014. De acordo com Dattoli, o banco já conta com proposta relativa à programação de novos concursos em análise no Planejamento. "A situação do Banco Central é peculiar. Temos um grande volume de perdas e o Banco Central não pode paralisar as atividades pelo que representa para a sociedade. Ocorrem muitas aposentadorias", ressaltou ele.

As oportunidades do próximo concurso serão distribuídas pelas unidades do banco, conforme a necessidade verificada. O BC possui representação nas cidades de Brasília (DF), onde fica a sede, Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Para os interessados em participar da nova seleção, os especialistas orientam o início antecipado dos estudos, tomando como base o último concurso. Na seleção de 2009, os candidatos foram submetidos a provas objetivas, de Conhecimentos Gerais e de Conhecimentos Específicos (com as disciplinas variando de acordo com o cargo pretendido), prova discursiva (apenas para analista), avaliação de títulos (dependendo da área de atuação), sindicância de vida pregressa e programa de capacitação.

Técnico: candidatos defendem 2º grau

A proposta de ampliação da escolaridade exigida para o ingresso no cargo de técnico do Banco Central não foi bem recebida por aqueles que pretendem participar do próximo concurso do banco. O técnico-administrativo, Rodrigo Rosa de Barros, de 27 anos, disse que não esperava pela possível alteração. "Me pegou de surpresa. O concurso de técnico seria uma opção para mim pelo fato de estar terminando o nível superior ainda. Para mim, seria bem ruim", lamentou.

De acordo com o projeto de lei que está em análise no Ministério do Planejamento, o cargo de técnico, atualmente destinado a quem possui pelo menos o ensino médio completo, ficaria restrito àqueles que possuem a formação superior, como já acontece para analista. "Restringiria bastante o número de pessoas que poderiam participar do concurso", afirmou o estudante de Matemática, que deve concluir o curso superior em cerca de dois anos.

A operadora de telemarketing Maria Luisa des Essarts Santana, de 47 anos, que está prestes a se formar em Ciências Contábeis, considerou a proposta uma forma de discriminação contra aqueles que não tiveram a oportunidade de cursar o ensino superior, mas que não deixam de ser bons profissionais.

Para ela, ao aprovar o projeto, o país estaria ignorando o seu passado recente. "O Lula não tem nem o segundo grau e foi presidente pela sua capacidade e por acreditar e seguir em frente", disse.

De acordo com o chefe do Departamento de Gestão de Pessoas do BC, José Clovis Batista Dattoli, a informação que se tem é de que o assunto já estaria resolvido no âmbito do Poder Executivo. No Legislativo, no entanto, (a proposta terá que ser aprovado no Congresso Nacional) a questão não está definida. Os deputados federais reeleitos Otavio Leite (PSDB-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ), ouvidos pela FOLHA DIRIGIDA, criticaram o projeto.