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09/12/2003 | Jornal O Globo

Bittar busca aliança com PSDB e contrata Nizan

A eleição municipal do ano que vem vai aproximar petistas e tucanos no Rio. O provável candidato do PT a prefeito, deputado Jorge Bittar, anunciou ontem que negocia um acordo com o PSDB “no mínimo para o segundo turno”. Bittar também confirmou que o marketing de sua campanha será conduzido pelo publicitário Nizan Guanaes, responsável pelas campanhas presidenciais dos tucanos Fernando Henrique Cardoso e José Serra, e por Lula Vieira.

O deputado petista disse que já conversou com o ex-governador Marcello Alencar e com os deputados tucanos Otavio Leite, Eduardo Paes e Luiz Paulo Corrêa da Rocha:

— Estamos olhando o quadro no estado todo, de parte a parte, para saber onde as negociações podem evoluir.

Nizan não terá participação direta, como fez com Serra

O publicitário Rui Rodrigues, sócio de Nizan na agência paulista MPM, deverá ser o responsável direto pela campanha do petista. Ele explicou que Nizan, ao contrário do que aconteceu com Serra, não dedicará o seu tempo integral à disputa municipal no Rio:

— Não será como o mergulho que Nizan deu na campanha presidencial. Mas ele estará presente nas reuniões.

Com 13 anos de experiência em eleições, o sócio de Nizan disse que vai trabalhar pela primeira vez com o PT. Rodrigues, que atuou na campanha de Marcello Alencar para governador (1994), disse que não se incomoda de saber que o PT nunca ganhou uma campanha majoritária no Rio.

— Lula também nunca havia ganhado uma campanha presidencial. Vai ser uma campanha difícil, mas não impossível. Desta vez, ao contrário das turbulências anteriores, o PT no Rio está unido e organizado — disse Rodrigues.

Bittar explicou que o acerto com Nizan foi facilitado pelo interesse do publicitário de desvincular a sua imagem da de candidaturas tucanas. O deputado não quis adiantar o custo estimado da campanha.

A coletiva convocada para anunciar a candidatura petista reuniu deputados, prefeitos e dirigentes na sede do partido. O deputado Chico Alencar, que desistiu de disputar uma prévia com Bittar, não compareceu, mas mandou uma carta de apoio. Outra ausente foi a ministra da Assistência Social, Benedita da Silva. Ela também mandou carta para Bittar.

O presidente regional do PT, Gilberto Palmares, disse que o partido terá candidato próprio a prefeito em pelo menos 40 cidades fluminenses. Ele disse que todos os obstáculos internos à candidatura de Bittar foram removidos:

— Já podemos dizer que o candidato é Bittar.

PT negocia também com PSB, PCdoB, PV e PPS

Além dos tucanos, o PT negocia alianças no estado, principalmente na capital, com seus tradicionais aliados, como PSB (o entendimento está bem adiantado), PCdoB, PV e PPS. Bittar deixou claro que não pretende fechar as portas para os partidos dispostos a conversar:

— Nós só pensamos naquilo — brincou, ao se referir ao interesse nas alianças.

Bittar, ao falar sobre os planos para a cidade, chamou o prefeito Cesar Maia (PFL) de coronel urbano, “no melhor estilo autoritário”. Ele criticou a Guarda Municipal por agir, segundo ele, com truculência contra os camelôs e lamentou que os Jogos Panamericanos de 2007, no Rio, sejam transformados em “mais um factóide” do prefeito.

— O Pan não pode ser considerado uma solução para os problemas da cidade. É importante, mas não como busca de uma saída estratégica — disse Bittar.