Seu browser não suporta JavaScript!

03/10/2011 | Jornais O Globo, 17h54m

Cabral quer declaração pública de Dilma sobre veto a alterações na distribuição de royalties

Por Henrique Gomes Batista

RIO - O governador Sérgio Cabral afirmou, nesta segunda-feira, durante reunião com representantes do Rio na Câmara e Senado, que vai procurar a presidente Dilma Roussef para que ela se declare publicamente, dizendo que vetará projetos que alterem a distribuição dos royalties das áreas já licitadas, tanto do pré-sal como do pós-sal. O governador afirma que se a presidente falasse publicamente algo neste sentido, ajudaria muito, pois tiraria a força de projetos de redistribuição de recursos que estão sendo debatidos no Congresso.

Ele afirmou isso em resposta aos deputados Jandira Feghali (PC do B), Eduardo Cunha (PMDB) e Otavio Leite (PSDB), que apresentaram um clima mais pessimista que o dito até então pelos demais parlamentares. Eles lembraram que, com a pauta de votação livre no Congresso, a bancada do Rio poderia ser surpreendida com a votação da derrubada do veto ou com a aprovação de algum outro projeto.

Cabral disse que não é o caso de pedir uma audiência com o presidente em exercício, Michel Temer, por acreditar que o assunto já foi bem conversado com a presidente Dilma no sábado. Ele lembrou que o estado não aceita negociar nem um real do que já foi licitado por questão de princípio.

Semana decisiva

O governador Sérgio Cabral está reunido, desde às 16h30, com a bancada fluminense para criar uma estratégia conjunta do estado sobre a divisão dos recursos dos royalties.

Diversos parlamentares estão presentes. A reunião começou com o senador Lindbergh Farias (PT) narrando a situação atual e o clima em Brasília. Ele disse que está mais confiante que o veto de Lula à Emenda Ibsen-Simon - que retiraria R$ 6,7 bilhões do governo do Rio, reduzindo fortemente os recursos do estado e dos municípios fluminenses produtores de petróleo, ainda não será analisada desta vez.

- Acredito que esta semana ganhamos. Que, por causa do Senado, esta semana o veto não será a analisado - disse.

O deputado Miro Teixeira (PDT) afirmou que a bancada terá de discutir até mesmo o fato do presidente do Senado escolher um único veto entre os mil que estão para ser apreciados. Segundo ele, isso mostra má fé.

O coordenador da bancada fluminense, Hugo Leal (PSC), afirma que o clima em Brasília começa a mudar e que, provavelmente, até a presidente Dilma Rousseff voltar de sua viagem ao exterior, o assunto não deve ser aprovado pelos parlamentares. A reunião não tem previsão para acabar.