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11/08/2003 | Jornal O Dia

Caça-talentos políticos

Olheiros dos partidos já buscam candidatos novos com potencial de votos para eleição municipal

A temporada de garimpo eleitoral está aberta. Com o cronômetro ligado, os caça-talentos dos partidos lutam contra o tempo e têm até o início de outubro para encontrar novos nomes e filiá-los. A exigência é única: os pré-candidatos a vereador devem ser bons de discurso. Mas uma forcinha não é proibida. Partidos como PSB, PSDB e PFL lançaram cursos de formação de políticos.

Vale tudo para compor as listas de candidatos no Rio das eleições do ano que vem: de artistas a líderes comunitários. A peneira é rigorosa. “Iniciamos em fevereiro a Escola de Formação de Quadros do PSB. Hoje, são 5 mil inscritos no estado, mas não quer dizer que todos serão candidatos. Cada um será entrevistado e, enquadrando-se no perfil, recrutado”, diz um dos coordenadores do projeto, Geraldo Pudim.

Para encontrar alunos, o PSB distribuiu convites aos 70 mil filiados. Os caça-talentos também estão passando a lupa em sindicatos, entidades de classe e associações de moradores. A prática foi herdada do PDT. São citados como exemplos dessa tática os vereadores socialistas do Rio Mário Del Rei – que obteve 14.169 votos – e Rubens Andrade – 11.036 –, convencidos, à época pelos pedetistas, a disputar as eleições.

O PFL tem no Rio um garimpo familiar. Enquanto o deputado federal Rodrigo Maia organiza a captação de políticos com mandatos, seu pai, o prefeito Cesar Maia, prefere dedicar-se a novos pupilos. O trabalho é a longo prazo: são treinados em uma campanha e lançados no pleito seguinte: “É uma espécie de seleção de recursos humanos. São dois processos. Os candidatos participam de reuniões preparatórias até a convenção, enquanto os jovens, após a definição da chapa, acompanham na rua a campanha majoritária”, ensina.

Novos tucanos passam por cursos de formação política

O PSDB também recorre aos cursos. Segundo o deputado estadual Otavio Leite, que seleciona preciosidades, a turma deste ano soma 70 alunos. “Estudam técnicas de campanha, problemas do Rio e o histórico dos partidos”, diz. Os tucanos garimpam nomes de Santa Cruz a Ipanema.

Caça-talentos nato, o advogado Vinícius Cordeiro assessora candidatos e partidos. Trabalhando para o PTN e o PSDB, é famoso por eleger nomes de votação modesta. O segredo é matemático: os cálculos identificam a melhor coligação. Os candidatos com votação média – potencial de 5 mil a 10 mil votos – devem se agrupar todos em uma legenda. “Juntos, tornam-se fortes. Ou, então, em coligação com puxadores de legenda (quem consegue mais de 10 mil votos)”, diz.

Cordeiro aposta em líderes comunitários como eleição certa. Ele também afirma que parentes e mulheres de políticos são ótimos puxadores de votos. Vinícius cita o caso da governadora Rosinha Garotinho como exemplo.