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02/07/2012 | Jornal O Dia

Calendário do TSE este ano dá ‘presente’ a prefeitos

Por Christina Nascimento e Rozane Monteiro

Rio - O ano eleitoral não poderia ser mais generoso para os prefeitos que vão tentar reeleição este ano. O fato de o primeiro turno ser no dia 7 de outubro reorganizou o calendário da disputa partidária de forma que será permitido nomear, exonerar e inaugurar obras no primeiro dia de campanha autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): sexta-feira. No Rio, isso vai ‘coincidir’ com o lançamento de um megacondomínio de 112 prédios em Triagem, Zona Norte, pelo prefeito-candidato Eduardo Paes (PMDB). A presidenta Dilma Rousseff, que é do PT, partido do candidato a vice-prefeito de Paes, Adilson Pires, é esperada no evento.

É a primeira vez que esse ‘benefício’ na disputa acontece desde 1997, quando começou a vigorar a lei 9.507, que define as regras do calendário eleitoral no País.“Para a gente, isso não muda nada. A inauguração já estava prevista”, disse ontem o coordenador de campanha de Paes, o ex-secretário municipal da Casa Civil Pedro Paulo Teixeira. Ele explicou, ainda, que a inauguração, prevista para o último sábado, não ocorreu por causa da agenda da presidenta.

A diferença deste ano para os outros em que ocorreram eleições é que a proibição para exonerações, nomeações e inaugurações de obras só vale a partir do dia 7 de julho, sábado, três meses antes do primeiro turno, como determina o TSE. O que sempre ocorreu, desde 1997, é que essas restrições começavam antes ou no dia do início permitido para a campanha: 6 de julho, que é uma data fixa.

Zito não acha 'certo'

O prefeito de Duque de Caixas, Luiz Camilo Zito (PP), que também vai tentar a reeleição, disse que não vai se aproveitar do calendário para inaugurar obras na sexta-feira. “Não acho certo. Mas estou planejando colocar um exército de pessoas na rua falando da herança maldita que recebemos dos nossos oponentes”, afirmou Zito ontem.

O que dizem os adversários do Paes

RODRIGO MAIA (DEM). “Espero que esta pelo menos seja uma obra completa. Até obra com calendário para 2016 ele está inaugurando”.

MARCELO FREIXO (PSOL). “Honestamente, acho que isso é fruto de um cálculo errado. Mas é muito ruim para a democracia porque é um péssimo exemplo. A reeleição já torna o processo desigual. Isso torna a coisa patética.”

OTAVIO LEITE (PSDB). “Evidentemente uma inauguração nesta data será a repetição do oba-oba eleitoral que caracterizou a inauguração de uma unidade de saúde recentemente com a Dilma (Clínica da Família Joãosinho Trinta, em março). Vamos estudar medidas junto à Justiça Eleitoral.”

ASPÁSIA CAMARGO (PV). “Um dia a mais é apenas a gota d’água no festival de inaugurações que os prefeitos fazem nos quatro meses anteriores à campanha.”