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06/02/2015 | Jornal O Globo

Câmara cria CPI para investigar estatal

BRASÍLIA- No dia em que foi deflagrada a nona fase da Operação Lava-Jato, a Câmara dos Deputados criou uma uma nova CPI para investigar a Petrobras. O presidente da Casa, Eduardo Cunha ( PMDB- RJ), eleito no último domingo, acolheu o pedido da oposição, que conseguiu 182 assinaturas para estabelecer a comissão — 52 delas de deputados da base do governo. Cunha instituiu a CPI com 26 integrantes titulares, o mesmo número de suplentes, além de uma vaga da minoria, totalizando 27 titulares. O bloco do PMDB terá direito a 11 deputados, o bloco do PT, a oito vagas, e o da oposição, a seis vagas. O presidente disse que vai aguardar as indicações dos líderes partidários até a próxima semana e deverá instalar oficialmente a CPI depois do Carnaval.

A comissão terá 120 dias para investigar e votar seu relatório, prazo que pode ser prorrogado por mais 60 dias. O requerimento da CPI pede a investigação da prática de atos ilícitos e irregularidades no âmbito da Petrobras, entre os anos de 2005 e 2015.

OPOSIÇÃO QUER CONVOCAR BARUSCO

O PSDB já escolheu três deputados que indicará: Otavio Leite (RJ), Izalci Lucas ( DF) e Bruno Covas ( SP). O DEM terá direito a uma vaga e deverá manter Rodrigo Maia (RJ) ou Onyx Lorenzoni (RS), que atuaram na CPI mista do ano passado.

— Como primeiro ato, vamos tentar aprovar a convocação do Barusco. Ele é um homem- chave nesta investigação — disse o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

O PT dependerá de acordo com o PMDB para conseguir ocupar um dos dois cargos principais da CPI da Petrobras na Câmara, criada ontem. Como líder do maior bloco partidário da Casa, o PMDB tem o direito de indicar o presidente da CPI e é este presidente, eleito pelos integrantes da comissão, quem escolherá o relator. Nos últimos anos, por acordo, PT e PMDB vinham dividindo entre si os dois cargos.

Agora, apesar de PT e PMDB terem estado em lados opostos nestes primeiros embates em plenário após a acirrada eleição para a Câmara, o risco de a CPI ter em um dos cargos de direção alguém com interesse em fazer uma investigação profunda é mínimo. Trata-se de uma investigação que afeta não só o PT, mas também PMDB e PP. Até por isso, peemedebistas consideram que não entregar uma das vagas ao PT seria uma verdadeira declaração de guerra.

— O PT é a maior bancada, mas passou a ser o segundo bloco. É uma questão em que vão ter que se entender, uma questão política a conversar — disse Cunha.

No Senado, a oposição já tem 19 assinaturas para a abertura de uma CPI da Petrobras e garante que terá as 27 necessárias assinaturas para oficializar o pedido na próxima semana. Os nomes estão sendo coletados pelo PSDB. O presidente nacional do partido, Aécio Neves (MG), defende a criação de uma comissão mista — com senadores e deputados —, que funcionaria ao mesmo tempo que a CPI da Câmara.

Mas o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disse ontem que ainda está sendo analisada a melhor tática política: se apenas a CPI da Câmara ou as duas. Já o presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), disse que haverá uma CPI Mista.

— Os senadores não abrirão mão de participar de uma CPI. Vamos ter uma CPI Mista — disse Agripino. (...)

Legenda da foto: Otavio Leite discursa em defesa da Petrobras (outubro 2014)

P.S: Esta foto não compõe originalmente a matéria do Globo