Seu browser não suporta JavaScript!

08/06/2009 | Site Câmara dos Deputados

Câmara homenageia comunidade portuguesa que vive no Brasil

Em homenagem prestada pela Câmara às colônias portuguesas no Brasil, parlamentares lembraram os laços de amizade que unem Brasil e Portugal. Líder da Minoria no Congresso, o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que propôs a sessão solene, ressaltou que os povos das duas nações fazem parte de um patrimônio comum, “fato que precisa ser lembrado para que as gerações futuras tenham o mesmo espírito de cooperação”. O dia 10 de junho, data do falecimento do poeta Luís de Camões, é conhecido como Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas no Brasil.

Segundo Otavio Leite, um dos principais desafios da diplomacia dos dois países tem sido proteger, garantir direitos e fornecer retaguarda jurídica a quem migra de um país para outro. “Há muitos brasileiros em Portugal, há muitos portugueses no Brasil, são irmãos que precisam receber tratamento diferenciado, como o que se oferece a seu semelhante”, disse.

Integração - Ao abrir os trabalhos, o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) destacou que há uma preocupação do governo brasileiro, tanto no Executivo quanto na Câmara dos Deputados, em torno de uma integração maior dos países lusófonos. Como exemplo, ele citou a criação da Universidade de Língua Portuguesa, instalada pelo governo no Ceará e que contará com estudantes de todos os países de língua portuguesa.

“A confraternização de povos e governos caracteriza esta sessão, como prova de que as nações com passado comum, mesmo com inspirações políticas e desenvolvimentos diversos, permanecem congraçadas em torno de seus ideais de convivência fraterna, de desenvolvimento e de integração”, disse Benevides, ressaltando também a presença de embaixadores de diversos países lusófonos na sessão.

Benevides também leu carta enviada pelo presidente Michel Temer, na qual reafirma o compromisso da Câmara com as questões diplomáticas que estreitam os laços da comunidade lusófona pelo mundo. “Mais do que as fronteiras geográficas e as convenções políticas, o que deve prevalecer no mundo são os valores humanos, históricos e culturais que nos estreitam como pessoas e nos aproximam como povos”, afirmou Temer.

Em carta lida por Otavio Leite, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), que também propôs a homenagem, ressaltou as comemorações na cidade de São Paulo, onde está reunida grande parte da comunidade portuguesa no Brasil. “Portugal está presente no dia-a-dia do Brasil. No esporte, temos as cores portuguesas estampadas e representadas em várias modalidades esportivas”, disse o deputado, que presidiu e ainda hoje participa da diretoria

--------------------------------

Íntegra da sessão solene:

O SR. PRESIDENTE (Mauro Benevides) - Está reaberta a sessão em que a Câmara dos Deputados, a requerimento dos nobres Deputados Otavio Leite, Arnaldo Faria de Sá e Vicentinho Alves, homenageia Portugal e, naturalmente, realça os vínculos de fraternidade entre o Brasil e aquela nação irmã, com a participação solidária dos Embaixadores de Cabo Verde e do Timor Leste, que trazem, pela expressão diplomática, apoio significativo para maior realce e esplendor desta solenidade.

A partir deste momento, convido para dirigir os trabalhos o nobre Deputado Otavio Leite, até porque devo falar em nome da Liderança do meu partido, o PMDB. Sinto-me honrado em transmitir a direção dos trabalhos ao nobre Deputado Otavio Leite, que, dada uma tradição respeitada nesta Casa, como autor do requerimento tem o privilégio de comandar parte dos trabalhos desta sessão.

Assume a direção da Mesa neste momento o nobre Deputado Otavio Leite.

O Sr. Mauro Benevides, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Otavio Leite, § 2º do art. 18 do Regimento Interno.

O SR. PRESIDENTE (Otavio Leite) - Gostaríamos de anunciar que estão presentes o Sr. José de Paiva Ferreira, participante da comunidade portuguesa do Distrito Federal, membro da Associação Portuguesa de Brasília; Sr. Manuel Ferreira da Rocha, da Associação Portuguesa de Brasília; Sr. Sérgio de Oliveira Quinta, da Associação Portuguesa de Brasília.

Agradecemos imensamente o privilégio de contar com a presença nesta sessão dos alunos do 9º ano do Colégio Marista e da professora e Coordenadora Cláudia. (Palmas.)

Senhoras e senhores, informo que recebemos também manifestações de apreço do Sr. Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim; do Sr. Ministro da Defesa, Nelson Jobim; do Sr. Ministro das Cidades, Marcio Fortes de Almeida; do Sr. Ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Como se sabe, esta sessão foi proposta por mim e pelo Deputado Arnaldo Faria de Sá, amigo da colônia portuguesa em São Paulo. Por problemas, o Deputado não pôde estar presente, mas me pediu que proferisse o pronunciamento quegostaria que fosse inscrito em nossos Anais.

Farei a leitura objetiva do pronunciamento do eminente Deputado Arnaldo Faria de Sá, um dos decanos desta Casa, Parlamentar abalizado e respeitado:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos aqui reunidos, nesta sessão solene de nossa iniciativa, com co-autoria do colega Deputado Otavio Leite, em homenagem à presença das colônias portuguesas, no Brasil, e aos laços de amizade que unem a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa.

O Brasil, descoberto em 22 de abril de 1500, onde, em seu litoral, chegavam 13 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. À primeira vista, eles acreditavam tratar-se de um grande monte e o chamaram de Monte Pascoal. No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil.

Após deixarem o local em direção à Índia, Cabral, na incerteza se a terra descoberta tratava-se de um continente ou de uma grande ilha, alterou o nome para Ilha de Vera Cruz. Após exploração realizada por outras expedições portuguesas, foi descoberto tratar-se realmente de um continente, e novamente o nome foi alterado. A nova terra passou a ser chamada de Terra de Santa Cruz. Somente depois da descoberta do pau-brasil, ocorrida no ano de 1511, nosso País passou a ser chamado pelo nome que conhecemos hoje: Brasil.

A descoberta do Brasil ocorreu no período dasgrandes navegações, quando Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras. Pouco antes da descoberta do Brasil, em 1492, Cristóvão Colombo, navegando pela Espanha, chegou à América, fato que ampliou as expectativas dos exploradores. Diante do fato de ambos terem as mesmas ambições e com objetivo de evitar guerras pela posse das terras, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, em 1494. De acordo com este acordo, Portugal ficou com as terras recém-descobertas que estavam a leste da linha imaginária 200 milhas a oeste das ilhas de Cabo Verde , enquanto a Espanha ficou com as terras a oeste desta linha.

Foi somente a partir de 1530, com a expedição organizada por Martin Afonso de Souza, que a coroa portuguesa começou a interessar-se pela colonização da nova terra. Isso ocorreu, pois havia um grande receio dos portugueses em perderem as novas terras para invasores que haviam ficado de fora do Tratado de Tordesilhas, como, por exemplo, franceses, holandeses e ingleses. Navegadores e piratas destes povos estavam praticando a retirada ilegal de madeira de nossas matas. A colonização seria uma das formas de ocupar e proteger o território. Para tanto, os portugueses começaram a fazer experiências com o plantio da cana-de-açúcar, visando um promissor comércio desta mercadoria na Europa.

Esses trechos, senhoras e senhores, são apenas passagens da história do Brasil. Portugal está presente no dia-a-dia do Brasil. No esporte, temos as cores portuguesas estampadas e representadas em várias modalidades esportivas, podendo citar aqui, a nossa querida Associação Portuguesa de Desportos, no Estado de São Paulo. Saúdo toda a comunidade lusitana, da qual fomos Presidente por 2 mandatos nos anos 90, e, atualmente, somos Presidente do Conselho Deliberativo daquela entidade; e também, no Estado do Rio de Janeiro, temos a comunidade do Clube de Regatas Vasco da Gama, homenagem ao nosso famoso almirante-mor Vasco da Gama, localizado no Bairro de São Cristóvão, português descobrir do caminho para as índias. Aliás, a navegação foi um traço marcante de Portugal. Estánela a sua maior característica por ter ali grandes desbravadores e descobridores, como Cristóvão Colombo; nossa lembrança, também, da Associação Portuguesa Santista, a Lusinha, fundada em 1959.

São Paulo é o centro das colônias no Brasil. Em São Paulo se concentra a maior representatividade da colônia portuguesa em nosso País. Nossas saudações aos nossos irmãos portugueses e irmãs portuguesas. Nossos cumprimentos ao tradicional bairro paulista de emigração portuguesa, a Chácara Santo António em homenagem à comunidade lusa - Associação Chácara Santo António e Região (AELCSA). Cumprimentos ao Jornal Emigrante Mundo Português, de Portugal.

Em São Paulo, a comunidade portuguesa de São Paulo se reúne em mais um ano para comemorar o Dia de Portugal, o Dia de Camões e o Dia das Comunidades Portuguesas, lembrado todo dia 10 de junho em diversas comunidades lusas no mundo.

Em São Paulo, a diretoria do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira divulgou a programação da comunidade local, incluindo solenidade, apresentações folclóricas e almoços comemorativos.

Abre a programação do 10 de Junho deste ano o Hopi Portugal. O parque temático Hopi Hari homenageia a comunidade e traz uma decoração típica para comemorar a data, e a comunidade se reúne para festa, gastronomia típica e o melhor da cultura portuguesa; o Arouca São Paulo Clube também comemora a data com uma Noite Portuguesa. No dia 07 de Junho, um almoço comemora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no Clube Português de São Paulo. O tradicional ato solene acontece em 09 de Junho - terça-feira - às 19 horas. A sessão solene terá como orador oficial o Professor e Historiador Carlos Guilherme Mota, e apresentação do Grupo Folclórico da Casa de Portugal de São Paulo. O evento acontece na Assembléia Legislativa - Plenário Franco Montoro. No 10 de Junho, às 10h30, acontece um ato cívico com colocação de flores junto ao Busto de Camões no Clube Português de São Paulo, em substituição ao tradicional ato cívico realizado na Praça Dom José Gaspar, centro da cidade, na seqüência, às 12h30min, uma recepção oficial do Cônsul Geral de Portugal em São Paulo acontece nas dependências do Consulado de Portugal.

Obrigado Sr. Presidente, senhoras e senhores, pela oportunidade desses registros e quero aqui deixar nosso abraço à Colônia Portuguesa no Brasil.

Deputado Arnaldo Faria de Sá.

Eminente Dr. Adriano Jordão, Conselheiro Cultural, representando S.Exa. o Embaixador de Portugal no Brasil, João Salgueiro; Sr. Daniel Antônio Pereira, Embaixador de Cabo Verde; Sr. Domingos de Jesus de Sousa, Embaixador de Timor Leste; Comendador Alfredo da Silva Pereira, aqui representando toda a Colônia Portuguesa de Brasília, minhas senhora e meus senhores, creio que lhes devo também uma satisfação. Afinal, procurei aquele que reputo ser um dos experimentados Deputados da Casa, em especial, o que mais se vincula à Colônia portuguesa, Deputado Arnaldo Faria de Sá, para compartilhar dessa iniciativa de registrar, em sessão solene da Câmara dos Deputados, este 10 de junho, comemorado hoje, dia 8, como uma forma de enaltecer, revigorar, aplaudir, e empunhar essa bandeira comum de irmandade, de força e União entre os povos de Portugal e de língua portuguesa e o povo brasileiro.

Com muita honra tomei esta iniciativa.

Costumo dizer, Sr. Diplomata, que há muitas ocasiões em que eu, em particular, recorro aos poetas portugueses, sobretudo na política, quando somos instados, a saber: o que queres no advento de uma nova eleição, que caminhos procurarás trilhar, o que pensa na sua cabeça, o que fazer diante de uma complexa engenharia política que está sempre a demandar o horizonte à frente, para definirmos que passo dar.

Quando me fazem esse tipo de indagação, eu extraio de Fernando Pessoa uma mensagem que acho formidável e, ao meu interlocutor, digo: olha cá, eu não sou nada. Eu nunca fui nada. Eu não quero ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. E prossigo a interlocução. Portanto, essa é uma lição formidável de dizer o tudo e o nada e manter-se vivo ali naquele instante e ultrapassar aquela dificuldade momentânea que a política às vezes nos traz.

Quantas não foram as ocasiões em que autoridades pelos mais diversos recantos do Brasil e até manifestações autônomas da comunidade portuguesa julgaram realizar em atividades enaltecedoras dessa data ao longo dos anos? Poderíamos dizer que uma bela culminância desse processo foi o ano de 2008 com a comemoração dos 200 anos da chegada da família real. Foram inúmeras realizações pelo País afora, inclusive em Portugal.

Recentemente, estamos sob a égide de uma nova dimensão ortográfica, gramatical, por conta do entendimento firmado entre o Brasil e todos os Países da Comunidade de Língua Portuguesa. Aqui, se temos grandes ideias, elas já não têm o acento agudo no é, e se queremos construir ou fazer com que todos que constroem aplaudam essa iniciativa, essa expressão já também não tem o acento agudo no ó, mas são circunstâncias próprias de uma dinâmica que se enseja e que se institui ao longo de um convívio e de uma irmanação cada vez maior, ou seja, a confraternização dos povos, esse permanente registrar em datas solenes éalgo de alto valor estratégico para nossa cultura, de alto valor estratégico para o nosso futuro, sobretudo para as gerações que virão no amanhã.

Recentemente, o nosso País firmou um memorando de entendimento, o mais recente deles, em 28 de outubro, com o Ministério das Relações Exteriores da República Portuguesa e, dentre algumas iniciativas, estáum exame mais acurado sobre a circulação das pessoas nos nossos territórios,

obrigando-os, portanto, mutuamente, Portugal e Brasil, à troca de informações sobre políticas migratórias e tendências sobre o tema nas respectivas regiões. Uma coordenação bilateral com vistas à troca de informações antecipadas e busca de formas apropriadas de tratar e divulgar iniciativas regionais que possamafetar os interesses e os nacionais de ambos os países.

Há muitos brasileiros em Portugal, há muitos portugueses no Brasil, são irmãos que precisam receber tratamento diferenciado, como o que se oferece a seu semelhante. E aí está o desafio da nossa diplomacia, para enfrentar, às vezes, dificuldades, mas sempre na perspectiva de ensejar dias melhores e uma retaguarda jurídica e de proteção a todos nacionais e vice-versa, estando ele aqui ou em outro território.

Inclusive devo dizer que acho relevante que os nacionais brasileiros que estão em Portugal também tenham maior interferência na vida política brasileira. Inspirado, inclusive, em uma realidade portuguesa, cuja Constituição permite. Se não me engano, Sr. Diplomata, são cerca de 6 os Deputados portugueses eleitos pelas Colônias brasileiras alhures, além-mar, em outros países, como é o caso do Deputado no Brasil, se não me engano o Deputado Carlos Páscoa, um excelente Deputado. Isso faz com que a voz dos portugueses que moram no Brasil seja mais ouvida no Parlamento português, na busca de encontrar soluções, providências e medidas que sejam necessárias para o bem-estar dos portugueses que moram no Brasil.

E nessa mesma direção, propus a esta Casa que avançássemos um pouco mais. Não apenas fazer com que os brasileiros que estão em Portugal e em outros lugares possam ter direito a voto para Presidente da República, mas também possam ter direito a voto para Deputados e Senadores, o que vai permitir um nível de integração maior entre os anseios dessas comunidades que muitas vezes estão perdidas pelo mundo, precisando de apoio, e o Parlamento nacional.

Com o advento da Internet, da rede mundial de computadores, será muito mais fácil que esses postulados, essas reivindicações possam convergir para as esferas de poder. E o Parlamento, sendo ele o mais aberto e mais transparente das funções do poder do Estado, tem de se prestar a esse papel de oferecer aos brasileiros que estão aqui e que estão em outros países a voz e o clamor e as providências e medidas necessárias às suas reivindicações.

Nessa direção, o Memorando de Entendimento está àfrente de seu tempo. Fala da troca de informações através de consulados virtuais, que serviriam também para o pagamento de emolumentos on-line e outras formas de atendimento consular, com o emprego de novas tecnologias. É um permanente avançar dentro do que seja a evolução dos homens.

Ainda há outro aspecto que fala sobre a análise de eventuais situações de tratamento discriminatório de seus nacionais em razão de gênero, raça, orientação sexual ou outro motivo qualquer. Postula este Memorando de Entendimento, que é o que há de mais novo nas relações entre Brasil e Portugal, a inserção, nas tratativas, nos desígnios, nos deveres de ambas as representações diplomáticas, das tarefas de buscar tecnologia, de combater a discriminação, de fazer com que cada vez mais as políticas migratórias tenham o amparo de um planejamento e, quando consolidadas, o amparo real para o bem-estar de brasileiros em Portugal e de portugueses no Brasil.

Essa cronologia, que não vem de hoje, da estada dos portugueses em território brasileiro, da construção desse processo, da época do Brasil Colônia, da época vivenciada por Portugal de momentos mais difíceis, como momentos ditatoriais ou de grande romantismo como o momento da Revolução dos Cravos. Agora, com o advento do Mercado Comum Europeu, Portugal se insere com absoluta competência. Quiséramos poder compartilhar do IDH de Portugal.

O fato é que essas idas e vindas de brasileiros e portugueses geram na alma do sentimento humano algo que é inerente às nossas características culturais próprias, da verve que o coração ali delineia. Eu me refiro à palavra saudade, muito comum, muito presente entre os portugueses no Brasil e entre os brasileiros em Portugal. Ela é palco de profundas discussões e de grandes digressões por parte dos poetas e dos pensadores. Disse Duarte Nunes de Leão que, partindo dos Lusíadas, de Camões, saudade é a lembrança de alguma cousa com desejo dela.

Disse ainda Camões: É a felicidade fora do mundo.

Eu imagino quantos não são os sentimentos explícitos ou implícitos de milhares de brasileiros e portugueses, reveladores desta característica que a natureza humana expressa: a saudade. Eu fico a imaginar, nessa lógica global que vivemos hoje, da ausência de fronteiras, o que é, na verdade, a separação física, cujas dificuldades são facilitadas com a comunicação hodierna. Mas nada, nada supera o sentimento de saudade da terra natal. Fico a imaginar aqueles milhares de portugueses que aqui chegaram, no início do século passado, vindos em embarcações, muitas delas em dificuldades, para tentar um sonho. Saíam de uma economia que não existia, pois Portugal havia passado por uma revolução industrial, e vivia muitas dificuldades, sobretudo a região norte, e vinham tentar, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a perspectiva de um sonho, de um mundo melhor.

Havia uma fazenda no interior de São Paulo que abrigava mais de 15 mil portugueses — estou falando de 1904, 1905 — , que trabalhavam na lavoura do café. Quantas famílias vieram para cá, quantas famílias e ramificações genéticas prosseguiram com a vinda desses milhares de portugueses!

Fico, com profundo respeito, a imaginar as dificuldades que tiveram esses milhares de patrícios, eu diria, de irmãos, que hoje são referência, e trouxeram valores que não podem ser perdidos, porque enfrentaram dissabores os mais diversos. Muitos venceram, muitos prosseguiram.

Assim como a comunidade brasileira em Portugal sobrevive e fortalece, a comunidade portuguesa no Brasil angariou muitas expressões, muitos núcleos importantes. Só na cidade do Rio de Janeiro, nós temos algumas dezenas de associações, como o Arouca Barra Clube, a Associação Atlética Portuguesa, a Associação Beneficente Luso-Brasileira, o Real Gabinete Português de Leitura — um excelente ícone da cultura portuguesa. Uma série de instituições que resgatam e reafirmam os valores de Portugal no Brasil. É a identidade de Portugal.

Uma identidade que não se altera com o passar dos séculos, constituída da permanente característica de ter na expressão dos seus valores tradicionais uma dimensão especial. As cores verde e vermelha estão sempre estampadas, para que as novas gerações tenham respeito e sobretudo honrem a essência da alma portuguesa, que conjuga alegria e tristeza, inseridas no passado e no futuro.

Pero Vaz de Caminha, quando chegou ao Brasil, com os portugueses — e há uma discussão sobre se essa chegada foi uma descoberta ou uma não-descoberta. Eu prefiro dizer que foi a chegada dos português. Aprendi com meu filho que, na verdade, aqui já estavam os índios. Mas a chegada dos portugueses foi respeitosa. A história do Brasil, portanto, écheia de idas e vindas, de momentos mais agudos, de momentos de injustiça, de opressão, de momentos mais difíceis. Trata-se de uma seqüência da dinâmica da existência.

Cabe a nós, neste instante, neste corte epistemológico, tentar compreender melhor todo o arcabouço dessa existência e tentar traduzir da melhor maneira, como ensinamentos para o futuro, que as novas gerações hão de preservar, e que têm de reservar respeito, admiração e crença na irmanação desses valores.

Na carta que enviou ao Rei de Portugal, Pero Vaz de Caminha disse De ponta a ponta é todo praia. Muito chã e muito formosa. Em tal maneira é muito graciosa, que, querendo aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem. Essa expressão de Pero Vaz de Caminha foi recepcionada por todos nós, de forma abrasileirada, como: Em se plantando, tudo dá.

Como um resgate histórico dessa perspectiva, vale a pena lembrar a idéia futurística do maior Presidente da República brasileira, Juscelino Kubitschek de Oliveira, ao imaginar cumprir a Constituição e trazer a Capital para o Planalto Central, para irradiar a fronteira agrícola brasileira, numa perspectiva de resgate daquela mensagem preliminar de Pero Vaz de Caminha: Em se plantando, tudo dá.

Vamos ao PIB nacional para ver o que é a expressão da agricultura nacional, provocada por essa ampliação da fronteira agrícola, produzida depois do advento do Governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Eu quero dizer da minha profunda admiração por esse trabalho de irmanação.

Como militante da causa do turismo, devo dizer, senhores diplomatas, que sempre que posso vou à BTL, uma feira de turismo que ocorre no início do ano, onde Portugal vende o Brasil e Brasil vende Portugal, para brasileiros e portugueses, na perspectiva de que o fluxo seja cada vez seja mais forte, de brasileiros visitando Portugal e de portugueses visitando o Brasil.

Quero, portanto, trazer o meu abraço sincero ao eminente Embaixador João Salgueiro, que hoje está na Cidade Maravilhosa, também em recepção promovida pelo Consulado de Portugal, sob a batuta do eminente Cônsul Dr. António de Almeida Lima, numa recepção que será muito importante para a colônia portuguesa no Rio de Janeiro.

Repito o que disse o Deputado Mauro Benevides: Fazemos parte de um patrimônio comum, que tem de ser cada vez mais enaltecido, lapidado, para que as futuras gerações tenham consciência, respeito e admiração, para levarem mais adiante esse patrimônio.

Finalmente, já que estamos no País do futebol, o meu abraço especial a Portugal. Todos torcemos com aquele gol belíssimo de Bruno Alves, aos 47 minutos do segundo tempo, mantendo viva a chama acesa de Portugal na Copa do Mundo do próximo ano. Todos estamos torcendo também para que Portugal se classifique.

Quero, portanto, desculpar-me pela extensão da palavra. É do fundo da alma e do coração que enalteço nesta sessão essa irmanação Brasil/Portugal. Tenho admiração toda especial por esse trabalho comum. O Governo brasileiro cada vez mais tem de se aproximar, no concerto das Nações, nessa estratégica irmanação de propósitos junto a Portugal e aos países da Língua Portuguesa. Isso éda maior importância para o futuro do nosso País.

Agradeço, portanto, a todos a presença. Eram estas as ponderações e as convicções que eu queria, do fundo do coração e de minha consciência, expressar a todos.

Meu muito obrigado. (Palmas.)

Minhas senhoras e meus senhores, eis que chegamos ao momento final de nossa sessão solene. Quero também cumprimentar o eminente Sr. Fernando de Oliveira, Prefeito de Maracacumé, do Maranhão, que também nos honra com sua presença, assim como o Dr. Adriano Jordão, o Embaixador Daniel Antônio Pereira, o Embaixador Domingos Jesus de Sousa e o Sr. Comendador Alfredo da Silva Pereira. É uma honra especial tê-los tido nesta sessão.

Quero registrar que usei a palavra por indicação do meu partido, o PSDB. E quero dizer a todos que nos ouvem neste momento, pelo País afora, pela TV Câmara, e a todos quantos venham também a nos ouvir nas reproduções da TV Câmara, que é uma grande honra para a Câmara dos Deputados, que tem como Presidente o Deputado Michel Temer, fazer desta sessão um registro da nossa intenção de ter sempre Portugal e os países de língua portuguesa como irmãos e aliados para o futuro.

Muito obrigado e uma boa manhã para todos.

Foto: Edson Santos