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28/06/2004 | Jornal do Brasil

Candidatura de Cesar é ratificada

O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), tornou-se oficialmente candidato à reeleição ontem, com críticas ao PT e aos seus adversários que apóiam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Pela primeira vez no país, nesta eleição todos os partidos políticos estão na mesma planície. Já administraram em nível nacional, estadual e municipal. Acabou o monopólio da causa social daqueles que nunca haviam administrado - pregou o prefeito.

Na crítica mais direta ao PT, Cesar Maia atacou a reforma da Previdência, concluída ano passado, e o tímido aumento de R$ 20 para o salário mínimo, recentemente aprovado na Câmara.

- Eles estão no governo e o que fizeram com os aposentados? O que fizeram com o salário mínimo? Na prefeitura, ninguém ganha menos do que R$ 470. Podemos comparar agora quem fez o quê.

O deputado estadual Otavio Leite (PSDB) também foi homologado candidato a vice na chapa de Cesar.

No sábado, Marcelo Crivella (PL) também foi oficializado candidato. No discurso, afirmou que Cesar repete no Rio a política fiscal do ministro Antonio Palocci na Fazenda.

- Temos de trocar o superávit primário pelo superávit social. Não dá para ficar três anos guardando dinheiro para gastar em qualquer coisa só no ano eleitoral.

Ontem, Cesar Maia respondeu aos ataques:

- Poupar para investir é uma boa política fiscal.

O prefeito também defendeu o afastamento do juiz Siro Darlan, da 1ª Vara de Infância e da Juventude do Rio. Darlan participou da convenção do PL no sábado que ratificou Crivella como candidato. O filho do juiz, Renato Darlan, tenta se eleger vereador pelo PL. Siro vestiu camisa com propaganda eleitoral do filho e de Crivella.

Cenário político do Rio se apronta

As convenções dos partidos que pretendem disputar as eleições de 3 de outubro em todo o país devem ser realizadas, de acordo com o calendário eleitoral, até quarta-feira. Não são definitivas, contudo. A composição da lista dos vereadores depende da votação, em segundo turno, no Senado, da emenda que altera o número de cadeiras por Estado - o que pode ocorrer amanhã. Os candidatos a prefeito e vice poderão ser anunciados até dia 5 do mês que vem, último dia para registro no TRE.

Na eleição para a Prefeitura do Rio, o PFL saiu na frente. Cesar Maia, em primeiro lugar nas pesquisas, fechou aliança com o PSDB, que sempre desejou, jogando para escanteio os sonhos da deputada Denise Frossard. O deputado estadual Otavio Leite, derrotado na disputa interna pela candidatura própria, venceu a prévia tucana e será o vice de Cesar Maia.

O PMDB protagonizou os momentos mais tensos da última semana política no Rio. Percebendo que o vice-governador Luiz Paulo Conde dificilmente decolaria nas pesquisas, o secretário estadual de Segurança, Anthony Garotinho, saiu à cata de alguém com mais projeção eleitoral para concorrer à Prefeitura. No domingo, dia 20, foi à casa do ex-governador Leonel Brizola.

Acompanhado da governadora Rosinha Matheus e do deputado Moreira Franco, ofereceu apoio ao ex-governador. Brizola se encheu de entusiasmo. Nova conversa foi marcada para terça-feira. Na véspera, entretanto, Brizola morreu, enterrando os planos de Garotinho.

A morte do ex-governador paralisou as negociações, e a falta de opção fez com que Garotinho aceitasse Conde. A relação entre eles estava desgastada desde que o secretário de Segurança convidou o pastor da Assembléia de Deus, Manoel Ferreira, do PP, para ser vice. Conde preferia Júlio Lopes.

O partido adiou a convenção - que seria realizada no fim de semana - para amanhã, em Bangu, mas Garotinho não tem alternativa. O senador Sérgio Cabral, único nome capaz de unir o partido, já se manifestou diversas vezes contra a idéia de concorrer à prefeitura.

O cientista político da PUC-RJ César Romero Jacob ajuda a entender os motivos que levaram Garotinho a bater pé para contar com Manoel Ferreira como vice de Conde:

- A Universal, por usar a mídia, tem visibilidade, mas o grupo evangélico mais forte é a Assembléia de Deus. Ele quis garantir essa máquina.

Se com Brizola vivo a situação no PDT era confusa, a morte do líder desnorteou por completo o partido no Rio. O deputado estadual Paulo Ramos, que busca apoio, é o favorito. O advogado Nilo Batista foi convencido por Brizola, durante três meses, a ser o candidato do partido. Quando percebeu que teria de disputar a indicação em prévia, desistiu.

Herdeiro de Brizola na presidência do PDT, Carlos Lupi, afirma que o partido terá candidatura própria na cidade, sem antecipar o nome, que deve sair até a convenção da quarta-feira. O vereador Pedro Porfírio pôs seu nome à disposição.

O candidato do PL, senador Marcelo Crivella, que se mantém em segundo lugar nas pesquisas, está à procura de um vice que lhe proporcione mais tempo de TV. O PDT e o PPS do deputado André Corrêa são os mais cobiçados.

O bispo da Igreja Universal acalenta o sonho de ter o PP na sua coligação - opção praticamente inviável. Se uma aliança não for possível, o PL partirá para uma opção caseira - ou no irmão e inexpressivo PSL.

O PT, que não conseguiu compor aliança com parceiros tradicionais como o PCdoB, venceu a queda de braço com os comunistas pelo apoio do PSB, oficializado em convenção no sábado. A delegada Marta Rocha, especialista em direitos da mulher, será a candidata a vice de Jorge Bittar, que recebeu um reforço inesperado semana passada. Uma aliança nacional entre PT e PTB tirou os trabalhistas dos braços de Cesar Maia e agregou mais tempo de TV a Bittar.

Outra que aguardará até o dia-limite a inscrição de candidaturas é Jandira Feghali, do PCdoB. Se não confirmar aliança com um partido maior, como o PPS, a tendência é que o presidente regional do PCB, Ivan Pinheiro, componha a chapa como vice.

Apesar de ter sido um dos primeiros confirmados como candidato à Prefeitura do Rio, o deputado estadual André Corrêa (PPS) é o mais assediado para ser vice. Crivella e Jandira vão insistir até o último instante pelo apoio do criador do Piscinão de Ramos.