Seu browser não suporta JavaScript!

04/03/2008 | O Globo Online

Candidatura de Gabeira pela Frente Rio deve ser decidida em uma semana

Depois de ter aceitado ser o candidato da Frente Rio a prefeitura do Rio de Janeiro, o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) aguarda agora um posicionamento final dos partidos que formam o grupo - PV, PPS e PSDB - para confirmar a sua candidatura. Em entrevista à rádio CBN, o deputado afirmou que expôs algumas condições para ser o nome de uma futura coligação dos três partidos e deve receber uma resposta na próxima terça-feira.

- Cada partido fará sucessivas reuniões com militantes e dirigentes nacionais para analisar as condições apresentadas e na terça-feira a resposta será dada.

Entre as condições apresentadas por Gabeira estão a necessidade de fazer uma campanha limpa nos dois sentidos, ou seja, que não suje as ruas da cidade e nem ataque os adversários. Ele também quer transparência absoluta nas contas de campanha, com auditoria permanente e divulgação na internet. O ponto primordial, porém, é a não ocupação partidária da máquina da prefeitura em caso de vitória nas eleições.

- Serão os mais competentes (a ocupar os cargos) e também serão promovidos os mais competentes dentro da administração. Não podemos pedir mudanças na sociedade se não mudarmos também os nossos métodos de fazer política. Entendemos que a situação do Rio é tão grave que é preciso realmente uma união, uma frente, uma vontade de resolver os problemas do Rio que transcenda divergências ideológicas, pessoais e as ambições pessoais - explicou o deputado.

Gabeira quer a contribuição de todos para ajudar a mudar o Rio de Janeiro. Ele afirma que um prefeito sozinho não pode fazer as alterações necessárias se não contar com a contribuição de toda a população.

- A suposição de que um prefeito vá resolver a situação não tem base na realidade. Só a vontade de um número muito grande de pessoas e só a contribuição de cada um pode ajudar. E no âmbito da cidade ela pesa muito mais do que no âmbito do país. É mais válido para o Rio do que para um país como os Estados Unidos (ao analisar a candidatura a presidente de Barack Obama, que também fala em mudança) a idéia de que cada um terá que dar uma contribuição como no respeito às posturas municipais ou a manutenção da limpeza.

É dentro dessa lógica de contribuição de todos para a melhoria da cidade que Gabeira quer ajudar a trazer mais empregos para o Rio e conter o que chamou de ´crescimento irregular e caótico´ da cidade.

- Num primeiro momento, a mudança de governo e de atitude em relação a população vai contribuir muito. Temos que buscar progressivamente um acordo com as comunidades no sentido de elas contribuírem conosco para que não haja crescimento desordenado e para que elas próprias contribuam no ordenamento de sua área. Tive uma experiência na Chácara do Céu há oito anos, quando se falou em meios para evitar que a comunidade crescesse, e ela se coloca à disposição. Existe uma base para a política da gafieira, no sentido de quem está dentro não sai, mas quem está fora não entra. É preciso também junto com a iniciativa privada liberarmos um pouco as energias produtivas do Rio no sentido de reconstruir o Centro, completar a recuperação do porto e da própria Baía de Guanabara.

Aliança com DEM é difícil

Caso saia mesmo como candidato a prefeito, o deputado conta que quer construir uma coligação o mais ampla possível. Uma participação do DEM de Cesar Maia, com quem Gabeira tem boa relação, porém, é difícil, embora não completamente descartada, devido ao desgaste que o atual prefeito vem tendo com a população.

- O último período do prefeito foi de muito conflito com parte da população, sobretudo na Zona Sul. No primeiro período de sua administração, tivemos excelentes contatos e conseguimos que ele reconstruísse o Circo Voador e trouxesse o hospital Sara para o Rio. O prefeito sempre foi bastante solícito em todos os procedimentos e tem uma enorme experiência, mas vamos caminhar e conversar com todos porque queremos construir o que há de melhor em torno de uma nova compreensão e um novo tipo de respeito pela população.

Gabeira explicou que só colocou o seu nome como possível candidato depois que percebeu que a Frente Rio não havia chegado a um consenso sobre o candidato ideal. O PSDB tinha três pré-candidatos e agora deve ficar com a vaga de vice. A vereadora Andréa Gouvêa Vieira e o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, já demonstraram aceitar a aliança. O deputado federal Otavio Leite, outro pré-candidato, ainda tem alguma resistência, mas é provável que aceite a decisão da futura coligação.

- Todos eles sentem a minha relação de lealdade com eles porque em nenhum momento falei que era candidato. Durante todo o tempo, eu lutei para que eles (a Frente Rio) encontrassem uma alternativa entre eles e só ao constatar que essa alternativa não foi encontrada que eu ofereci meu nome para manter a Frente de pé. Eles sabem que joguei limpo em todo o momento com uma visão mais da cidade, pelo amor ao Rio - afirmou.

Candidato derrotado a governador em 1986, Gabeira comparou as duas campanhas:

- A diferença é que naquela época havia mais esperança de mudança na sociedade com o processo de redemocratização. Hoje encontramos a população bastante descrente da política, das possibilidades de mudança e um pouco assustada com a degradação das condições de vida. É preciso despertar a esperança de mudar dentro de um quadro muito mais realista do que aquele. Também no passado, as chances efetivas de se chegar ao governo eram menores do que hoje. A situação é muito mais dramática do que em 86, mas paradoxalmente a possibilidade de se chegar efetivamente ao governo é maior - concluiu.