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18/12/2001 | Outros

Carros em benefício próprio

Câmara Municipal negocia o recebimento de veículos oficiais em troca de manter conta no Banerj. Vereadores brigam pelo privilégio

Jorge Babu (PT) acha justo os vereadores terem carro oficial: ‘Todas as Câmaras têm. A gente ganha mal’

Depois da polêmica sobre a compra de colheres, xícaras e copos de cristal, os vereadores do Rio estão de olho no recebimento de 42 carros oficiais.

A frota seria uma contrapartida do Banerj à Câmara, para continuar operando a conta bancária da Casa, que movimenta R$ 149 milhões por mês. O benefício foi tema de uma reunião acalorada, a portas fechadas, na quinta-feira, depois da sessão plenária.

A frota oficial seria incorporada ao patrimônio da Câmara, mas os carros ficariam à disposição dos vereadores. Edson Santos (PT), que participou da reunião, disse que não houve consenso e, por isso, haverá novo debate ainda esta semana.

A proposta ainda não foi apresentada ao banco. A idéia é pedir os carros ao Banerj, como contrapartida para que o banco, que deixou de ser público, continue operando as contas da Câmara e de seus 2,9 mil funcionários.

O vereador Otavio Leite, do PSDB, quer licitação para escolher a instituição bancária e que a contrapartida seja a reforma do Palácio Pedro Ernesto, com adaptação para deficientes físicos, e computadores. “Mais importante que um carro oficial é o computador, como veículo que nos leve à Internet”.

Pedetista diz que ter carro oficial é “um sonho bobo”

O assunto divide opiniões na Casa. O vereador Pedro Porfírio (PDT) é contra a exigência ao banco: “A contrapartida tem que ser o normal que um banco oferece. Isso aí é presente. Ter carro chapa branca é sonho primário, burro, bobo de quem está deslumbrado com o mandato”, disparou.

Já o petista Jorge Babu é a favor. “Acho que a gente ganha mal. Ter carro seria justo, todas as câmaras tem”, disse Babu.