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06/04/2017 | ESPN.com.br

CBF tenta conter revolta de clubes e faz reunião para explicar manobra que deu poder a federações

Por Marcus Alves

A CBF age nos bastidores para conter a revolta dos clubes após assembleia recente em que aumentou o poder das federações estaduais e deu a elas maior peso em suas votações: 81 contra 60 dos representantes das Séries A e B.

A entidade fez reunião com os presidentes do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, e do Sport, Arnaldo Barros, em sua sede, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira. Participaram do encontro o seu mandatário, Marco Polo Del Nero, o secretário-geral Walter Feldman, o diretor executivo Rogério Caboclo e o diretor de coordenação Reinaldo Carneiro Bastos, que também chefia a federação paulista.

Em pauta, a mudança no estatuto da confederação realizada sem aviso aos cartolas e no mesmo dia em que a seleção enfrentou o Uruguai, em Montevidéu, pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo.

A maioria interpretou a alteração como um 'golpe' nos times.

Com ela, o voto de uma federação mais modesta, como a do Amapá, valerá 50% a mais do que o de grandes como Flamengo e Corinthians e 200% mais do que um time da Série B.

Além disso, permitiu Del Nero no poder até 2027.

O Sport sinalizou até mesmo em entrar na Justiça para reveter a decisão e acredita que, por isso, foi chamado para conversar.

"Eu fui para a reunião na CBF convidado pelo Marco Polo para discutir vários aspectos da CBF, o seu pensamento, o novo estatuto e uma explicação do que houve. Basicamente, um diálogo sobre tudo", explica Arnaldo Barros, do rubro-negro pernambucano, ao ESPN.com.br. "Confio que fui chamado porque tomamos uma posição muito crítica em relação a essa alteração e aí fomos convocados para explicar, ouvir e relatar o que entendíamos", completa.

Antero detona novo estatuto da CBF: 'Pra que servem federações? Pra manter tudo como está no poder'Outros cartolas de Grêmio e Santos, por exemplo, se colocaram ao seu lado sobre a controvérsia.

Não é o mesmo posicionamento do Botafogo, também presente.

"Participei da conversa com o presidente (Marco Polo Del Nero), mas não estava representando ninguém. Foi um diálogo normal que a gente tem com a CBF, nada diferente. A minha visita foi de cortesia como faço com razoável frequência ao Marco Polo", afirma Carlos Eduardo Pereira, do Glorioso.

"Acho que foi um avanço o aspecto de que os clubes agora vão poder votar. Existe a pendência da questão do peso, mas acho que tudo tem que ser colocado em prática para que se possa analisar os resultados em médio prazo", finaliza.

O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que foi relator da Lei do Profut, entrou com ação contra a mudança do estatuto.

Procurado pela reportagem, o secretário da CBF, Walter Feldman, não respondeu até a publicação da matéria.