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06/11/2016 | Jornal O Globo

Cenário político do Rio para eleições de 2018 começa a ser desenhado

Por Marco Grillo

RIO — Os resultados eleitorais mexeram no cenário e, ainda que dois anos sejam muito tempo nos parâmetros políticos, a configuração para 2018 já começou a ser rascunhada. Sem Marcelo Crivella (PRB), eleito prefeito do Rio, e com a possibilidade de o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) não tentar um novo mandato, a disputa pelas duas vagas do estado no Senado em 2018 promete ser acirrada. Para o governo estadual, Eduardo Paes, que já manifestou publicamente a vontade de concorrer ao cargo, é o nome que desponta — embora seja cedo para dizer se pelo mesmo PMDB de hoje ou por outro partido.

O atual prefeito do Rio, que já passou por DEM (então PFL), PV, PTB e PSDB antes de chegar ao PMDB, em 2007, já despertou o interesse de outras legendas e será cortejado de forma mais intensa conforme o momento da definição das candidaturas for se aproximando. O presidente do PDT, Carlos Lupi, já manifestou o interesse de ter Paes entre seus quadros — para o partido, é fundamental ter um nome competitivo na disputa para dar sustentação no estado à provável candidatura de Ciro Gomes à Presidência.

O peemedebista também se reaproximou do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o que facilitaria um possível retorno ao partido. Há na legenda quem defenda uma candidatura presidencial própria em 2018, e um palanque forte no Rio seria bem-vindo. O prefeito também mantém boa relação com o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), presidente licenciado do PSD.

No PSDB, Paes é próximo ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional da sigla. Para concretizar o retorno, porém, ele precisará quebrar a resistência de tucanos que ainda se queixam da forma com que o prefeito deixou o partido do qual foi secretário-geral. O PSDB vai conversar ainda com Bernardinho, técnico da seleção masculina de vôlei. Uma figura importante na negociação é o empresário Alexandre Accioly, amigo de Aécio e influente nas decisões partidárias no Rio.

O PSDB vai ter candidato a governador. Dentro da ótica da reformulação política, o Bernardinho cai como uma luva, mas não há conversa ainda — diz o presidente do PSDB no estado, deputado federal Otavio Leite. — O histórico do Eduardo (Paes) é errático. O PSDB deu apoio a ele na época, e ele não ficou.

PREVISÃO DE DISPUTA ACIRRADA PARA O SENADO

No Senado desde 2003, o prefeito eleito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), terá a vaga ocupada pelo suplente, Eduardo Lopes, quando assumir a prefeitura. Lopes, presidente do PRB no Rio, é um nome possível para concorrer ao posto, embora integrantes do partido apontem o deputado estadual Wagner Montes como o concorrente mais provável, devido à densidade eleitoral — foi eleito com mais de 200 mil votos em 2014 e chegou a ultrapassar a marca de 500 mil em 2010. Para tentar um carreira em Brasília, no entanto, Montes precisaria abrir mão do programa diário que apresenta na TV Record.

— Acho cedo. O partido até agora não falou sobre isso. Não teve sondagem — diz Montes.

Outra possibilidade, vista como mais remota, é a candidatura de Marcelo Hodge Crivella, filho do prefeito eleito. Marcelinho, como é conhecido, é empresário e apareceu bastante no programa do pai no horário eleitoral gratuito — fator interpretado no meio político como a apresentação para uma futura candidatura. Segundo aliados, no entanto, o caminho natural seria a Câmara dos Deputados.

Pelo PMDB, o candidato ao Senado deverá ser o ministro do Esporte, Leonardo Picciani.

— Vamos deixar duas vagas abertas na chapa para nossos aliados — diz o presidente estadual da legenda, Jorge Picciani, em referência ao vice de Eduardo Paes e à outra vaga na chapa do Senado.

O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC), que perdeu a disputa pela prefeitura, mas saiu da eleição com um capital político maior, é outro possível nome ao Senado.

— O resultado anima e credencia, mas é uma análise a ser feita mais em cima da hora — diz Bolsonaro.

Outro candidato derrotado que tentará uma vaga em Brasília é o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Dois fatores poderão pesar a favor da briga por uma vaga na Câmara: a chance de ser um puxador de votos e turbinar a bancada do partido, o que aumentaria o tempo no horário eleitoral gratuito e a fatia no Fundo Partidário; a possibilidade de ficar sem mandato e, consequentemente, sem a escolta que o acompanha por motivos de segurança é menor. Conta a favor do Senado a chance de um protagonismo político maior.

Já integrantes do PT, que saiu enfraquecido das urnas, avaliam que há risco de o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) não ser reeleito, por causa da rejeição ao partido. Assim, seria prudente tentar uma vaga de deputado e fortalecer a bancada. O plano de lançar nomes de peso à Câmara poderá ser adotado em outros estados, com as candidaturas dos ex-ministros Jaques Wagner e José Eduardo Cardozo.