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28/08/2004 | Jornal O Globo

Cesar: Aécio seria um presidente carioca´

No que depender dos líderes de PFL e PSDB no Rio e em Minas Gerais, os partidos seguirão juntos após as eleições municipais rumo a 2006, repetindo a aliança que elegeu e deu sustentação ao governo Fernando Henrique.

Num almoço ontem no Palácio da Cidade, em Botafogo, em que sobraram elogios de parte a parte, o prefeito do Rio, Cesar Maia, chegou a defender a candidatura à Presidência do principal convidado do encontro: o governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, que morou no Rio e freqüenta a cidade nos fins de semana.

— Seria um presidente carioca. É tudo o que a gente quer. Para os cariocas, é um candidato carioca. Sem nenhum tipo de bairrismo, (ele) nos deixa mais à vontade, independentemente de o governador Alckmin (Geraldo Alckmin, de São Paulo) ser um nome espetacular, assim como o senador José Serra — disse Cesar.

Aécio vai aparecer no programa de TV de Cesar

O encontro discutiu os rumos do casamento, que se desfez em 2002 e que este ano foi reatado para as eleições municipais no Rio e em São Paulo. Aécio evitou falar em nomes mas defendeu a prorrogação da aliança em nome de um projeto nacional:

— Estamos encontrando cada vez mais identidade entre estes parceiros. Eu veria com muita alegria se pudesse prevalecer para 2006, para um projeto de país. O Rio pode ser uma vitrine dessas boas relações e há de inspirar outros estados — disse Aécio.

O governador de Minas se pôs à disposição de Cesar para voltar à cidade e participar de sua campanha nas ruas. Ao ser perguntado se pretendia usar imagens do governador em seu programa eleitoral, o prefeito respondeu com bom humor:

— A minha máquina está ali, ó — disse, apontando para o cinegrafista da campanha. — Este pintinho (microfone) aqui é da minha máquina, (ele) já participou.

Além de deputados estaduais e federais e secretários municipais do grupo político de Cesar, participaram do encontro os tucanos Otavio Leite, deputado estadual e candidato a vice na chapa do prefeito, o ex-governador Marcello Alencar e o ex-senador Artur da Távola.

Ao fim de quase duas horas, o grupo se comprometeu a organizar um encontro nacional depois das eleições municipais para tratar de um tema recorrente nos discursos de Aécio: a concentração de receita tributária nas mãos do governo federal.

Aliados pretendem iniciar movimento na Câmara

Segundo Otavio Leite, pefelistas e tucanos pretendem iniciar um movimento na Câmara dos Deputados para aumentar o repasse direto de recursos para municípios e estados.

— As informações oficiais mostram que 72% do que se arrecada no país estão nas mãos do governo federal. Esta concentração vai impedir que muitos municípios e estados paguem a sua folha de pagamento no fim do ano.

Segundo Aécio, o PSDB não vai politizar o debate:

— Não é algo que foi criado no governo Lula, vamos fazer essa justiça. Vem antes inclusive do próprio governo do presidente Fernando Henrique. Mas vem crescendo numa velocidade muito grande a partir das contribuição que não são partilhadas. Não é discussão de oposição.