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09/07/2004 | Diário On Line

Cesar Maia afirma que vai levar adiante a briga com o BB

No dia seguinte da manobra do deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) que impediu a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), o prefeito do Rio, César Maia (PFL), pai dele, disse que levará adiante o embate com o BB (Banco do Brasil).

Cesar Maia não abre mão de dispor de 70% dos depósitos em juízo feitos pela Prefeitura - mas o BB aceita tornar disponíveis apenas 40%. O impasse levou Rodrigo Maia a pedir verificação de quorum, o que suspendeu a votação e adiou o recesso no Congresso.

Na noite de quinta, o prefeito do Rio, candidato à reeleição, expôs os motivos, por telefone, ao chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, ao ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, ao líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), e a representantes dos Ministérios da Fazenda e do BB. ´Eu disse a todos eles: ´estão aplicando um golpe na Federação, de extrema gravidade´. Estava tudo bem encaminhado até que veio uma contra-ordem, de que o acesso seria de 40% e não de 70% ´, relatou César Maia, nesta sexta.

Elogio - Mas ele reconheceu que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram aprovadas mais medidas em favor da capital fluminense do que em todas as gestões anteriores, desde o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, ´inclusive, os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.´ O PFL fez parte da base aliada nos oito anos da administração tucana.

César Maia afirmou também que tem ´excelente relação com os ministros´ e que as pendências da Prefeitura, ´basicamente, vêm do governo anterior.´

´Nunca a cidade do Rio teve acesso ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), para programas de geração de emprego. Agora, passou a ter. Claro que eu preferia que o presidente da República fosse o Rodrigo e não o Lula, mas o que eu vou dizer?´ brincou.

Em plena campanha pela reeleição, o prefeito disse que a harmonia administrativa com a União ´é diferente da avaliação do governo Lula´. ´É possível eu ter um reconhecimento, como prefeito, ao presidente Lula e ser um duro crítico como vice-presidente do PFL´, disse.

Além da lei que autoriza aos municípios dispor de parte dos depósitos feitos em juízo, que permitiria acesso imediato da Prefeitura carioca a R$ 250 milhões, César Maia citou a municipalização do salário-educação e a reestruturação do ISS (Imposto Sobre Serviços). ´Em um ano e meio, tivemos essas três leis, que foram as mais importantes para o Rio, desde que entendo de finanças públicas. Acrescento a Constituição de 1988, que beneficiou as grandes cidades´, afirmou.

A lei que permite o acesso aos depósitos em juízo é de autoria de Rodrigo Maia e foi aprovada no fim de 2003 e sancionada pelo presidente.

Convencido de que ´não interessa ao eleitor a discussão nacional´ numa campanha municipal, César Maia tem evitado ataques ao governo Lula.

Nesta sexta-feira, o prefeito disse estar surpreso ´com a completa ausência de propostas´ dos adversários na disputa pela Prefeitura da capital fluminense. César Maia recebeu a imprensa para um café da manhã, no Palácio da Cidade, ao lado do candidato a vice-prefeito na chapa, Otavio Leite (PSDB).

Serra - Embora não trate de assuntos federais em campanha, o prefeito considera importante reforçar a aliança entre pefelistas e tucanos, fechada no Rio e em São Paulo, como estratégia política para o futuro.

O candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) acertará uma viagem ao Rio. ´Vamos fazer a ponte Rio-São Paulo´, disse César Maia, nesta sexta-feira. O prefeito é um insistente defensor da manutenção da aliança PSDB-PFL na sucessão presidencial de 2006.

Líder das pesquisas de intenção de voto, César Maia monitora com levantamentos próprios a tendência do eleitor. Como as pesquisas não são registradas, não podem ser divulgadas, mas os pefelistas detectaram, nos últimos dias, um crescimento da candidata a prefeito do Rio Jandira Feghali (PCdoB), que disputa com o candidato a prefeito Jorge Bittar (PT) o eleitorado progressista e de esquerda. Nos levantamentos divulgados no município, o segundo lugar nas sondagens é do candidato Marcelo Crivella (PL) e, em terceiro, vem o vice-governador e ex-prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PMDB).