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01/01/2012 | Jornal O Globo

Com máquina nas mãos, prefeito monta estrutura de campanha

Com máquina nas mãos, Paes monta estrutura de campanha

Por Cássio Bruno e Juliana Castro

RIO - Os candidatos de oposição ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), vão enfrentar um rolo compressor para ter chances de levar ao segundo turno as eleições municipais. Enquanto Paes já tem a estrutura de campanha montada, que inclui integrantes do governo do estado e um leque amplo de partidos aliados, os adversários do peemedebista ainda patinam neste início de ano eleitoral, sem ao menos terem alianças definidas.

Paes tem nas mãos para a reeleição a máquina da prefeitura e cabos eleitorais de peso: a presidente Dilma Rousseff — o vice na chapa será o vereador Adilson Pires (PT) — e o governador Sérgio Cabral (PMDB). Além disso, o grupo de Paes fechou acordo com uma tropa de choque de 16 partidos, total que pode aumentar. O prefeito aposta todas as fichas na adesão do PV e do PPS. As duas siglas estudam lançar candidaturas próprias e são cortejadas pela oposição.

A pré-campanha de Paes tem três núcleos. Um funciona no PMDB, com o presidente do partido, Jorge Picciani; o vice-prefeito Carlos Alberto Muniz; o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Paulo Melo; e o presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe. Na administração de Cabral, os coordenadores são o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Governo, Wilson Carlos. O chefe de Gabinete de Paes, Luiz Antônio Guaraná, e o chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, fecham a estrutura na prefeitura.

A situação de Paes é considerada tão folgada que ele só fará corpo a corpo nas ruas nos fins de semana, estratégia de Cabral em 2010, quando foi reeleito no primeiro turno. A ampla aliança dará a Paes pelo menos 14 minutos de programa eleitoral na TV. Para evitar constrangimentos, Paes não pedirá votos para candidatos a vereador.

— O momento é favorável, sem dúvida. Mas nosso salto está baixo. O Paes faz a parte dele — diz Picciani.

O pré-candidato do PSOL e deputado estadual Marcelo Freixo tentou, sem sucesso, se aproximar do ex-deputado federal Fernando Gabeira (PV) e do deputado federal Romário (PSB). Sem alianças, Freixo investe agora em Marina Silva, que somou 20 milhões de votos na última eleição à Presidência e foi a segunda mais votada no Rio, com 2.693.130 votos. O deputado, que presidiu a CPI das Milícias, está de volta ao Rio após uma temporada na Europa, motivada por ameaças de morte feitas por grupos paramilitares.

— Minha oposição não será a mesma do DEM e do PSDB. São caminhos diferentes. Não vou ter o dinheiro nem os partidos que apoiam o Paes. A proposta é de mobilizar a sociedade, a juventude. Ele (Paes) terá os recursos e, eu, a criatividade. O objetivo é chegar ao segundo turno. Se isso ocorrer, já será uma derrota para ele — afirma.

Antigos adversários, Cesar e Garotinho costuram aliança

Para tentar derrotar Paes, o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) se uniram. Mas a ideia de lançar como candidato a prefeito o deputado federal Rodrigo Maia — filho de Cesar —, e como vice na chapa a deputada estadual Clarissa Garotinho — filha do ex-governador —, ainda não se concretizou.

— Não a quero como vice por imposição do PR. Quero conquistar a Clarissa pelas nossas propostas. Ela é jovem, tem talento, e pode acrescentar. Disse a ela que, se houver uma união, podemos chegar ao segundo turno — afirmou Rodrigo Maia.

Clarissa reconhece que não queria "de jeito nenhum" a aliança. Mas hoje, diz ter menos resistência à coligação. Tudo será decidido até o carnaval.

— É desigual concorrer com quem está na máquina. Mas a máquina também pode trabalhar contra. Não se pode prometer, porque houve tempo para fazer — declara.

A deputada aposta numa desestabilização da aliança PT-PMDB, como ocorreu em 2008, quando os dois partidos tinham selado uma parceria, mas os peemedebistas lançaram Paes de última hora. Hoje há uma corrente no PT, liderada pelo deputado federal Alessandro Molon, contra a coligação.

Um dos pré-candidatos à Prefeitura do Rio pelo PSDB, o deputado federal Otavio Leite, também aposta numa reviravolta da aliança PT-PMDB:

— Essa história do PT ainda tem uma estrada. Tem as coisas internas e o julgamento do mensalão em 2012.

Otavio Leite ainda trava disputa com a vereadora Andrea Gouvêa Vieira para ser o candidato do PSDB. Alguns tucanos avaliam que a situação de Andrea se complicou após a prisão do ex-líder comunitário da Rocinha William de Oliveira, flagrado em vídeo supostamente negociando um fuzil com o traficante Nem. William trabalhava com a vereadora desde 2008. Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Andrea informou que a vereadora está de férias e que ainda aguarda a decisão da Executiva Nacional sobre a vaga.