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11/10/2011 | Globo Esporte.com

Comissões do Congresso Nacional vistoriam Maracanã em obras

Romário visita Maracanã em obras e critica: 'Dá até uma dor no peito'

Apenas Zico, Roberto Dinamite e Luisinho Lemos fizeram mais gols que Romário no Maracanã. O trio, porém, atuou muito mais no estádio, já que o agora deputado federal (PSB-RJ) jogou boa parte da carreira no exterior. Por isso, a segunda visita do Baixinho, aposentado do futebol há quatro anos, ao canteiro de obras que promete transformar seu principal palco em uma moderníssima arena multiuso foi cercada de expectativa. Tantos dos envolvidos, quanto do próprio ex-jogador. Vice-presidente de subcomissão de políticos que vistoria as sedes da Copa, as críticas de Romário tiveram um toque de nostalgia.

Depois de acalorado debate no auditório do estádio, com a secretária de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro, Márcia Lins, em que questionou de tudo um pouco na origem e ideologia do projeto de reforma do Maracanã visando à competição de 2014, Romário seguiu com sua comitiva para o andar em que a Calçada da Fama ainda mantém registros sobre a história do local, construído em 1950 e que enfrenta sua oitava obra de grande magnitude.

Ao recolocar os pés no seu espaço, eternizado em 2007, o artilheiro dos mil e dois gols sorriu, mas não se demorou. O objetivo era mesmo se debruçar no parapeito para, dispensando o capacete, entender a obra que momentaneamente descaracteriza o campo em que balançou a rede mais de 200 vezes com as camisas de Flamengo, Fluminense, Vasco e Seleção Brasileira - com a amarelinha, o jogo inesquecível: os dois gols sobre o Uruguai, que carimbaram o passaporte para a Copa do Mundo de 1994, na qual ajudaria a erguer a taça do tetra.

- É muito triste, dá uma dor no peito até - comentou Romário.

Arisco, o Baixinho, agora de terno e gravata, se movimentava pelo salão por vezes com a companhia do ex-parceiro de ataque Bebeto. Rapidamente, parou em frente à maquete do projeto do estádio, onde bateu papo com o deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ). Em seguida, depois de uma hora, deixou o estádio pelo elevador que subiu e, apressado por seus assessores, correu para pegar o voo das 18h para Brasília, onde ainda compareceria à sessão no plenário.

- Todos sabem a grandeza e importância do evento que é a Copa, para mim, principalmente. Mas ela não vale investimentos como esse, de quase R$ 1 bilhão - disse Romário.

Estágio das obras

Apesar dos contratempos nos últimos meses, especialmente em virtude da greve dos operários, a expectativa de entrega do Maracanã segue como fevereiro de 2013. Um número extraoficial do andamento da reforma indica aproximadamente 25% do total concluído, o que colocaria o estádio por volta da sétima posição entre as sedes de 2014. Segundo a secretária Márcia Lins, a destruição está em fase final, só faltando a marquise. E o início das construções, como os camarotes e a estrutura das novas arquibancadas, já pode ser visto.

- É caro? É. Mas é um investimento que vai render receitas depois. E precisávamos adequar o Maracanã às exigências da Fifa. A final será aqui, temos um estádio para quase 80 mil pessoas ainda. Vai haver uma mudança de patamar, como poucas arenas atingem - disse Márcia Lins.

O orçamento previsto para a reforma do Maracanã é de R$ 870 milhões - há um pedido de desoneração fiscal para ser aprovado em breve, que levaria o custo a R$ 775 milhões. Além da demolição total da arquibancada e do setor das cadeiras, a reforma vai, praticamente, unir os anéis, que serão separados apenas por uma fileira de camarotes. A arquibancada também avançará cerca de 12m em relação ao gramado para, segundo o projeto, propiciar uma perfeita visão do campo de qualquer ponto do estádio.

Também está prevista uma cobertura que abrigará todos os setores do estádio - a anterior estava condenada e protegia apenas parte da arquibancada. A capacidade da arena passará de 86 mil para 76 mil lugares - para atender determinações da Fifa. Na Copa, porém, a previsão é de apenas 70 mil lugares por partida.

Crédito da foto: Agência Estado