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25/03/2014 | Portal do PSDB na Câmara

Comissões votam requerimentos de tucanos que pedem vinda de ex-diretores da Petrobras

Comissões da Câmara podem ouvir nos próximos dias Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, para prestar esclarecimentos sobre a desastrosa operação de compra da refinaria de Pasadena pela estatal brasileira. Requerimentos com este objetivo foram apresentados conjuntamente nesta terça-feira (25) pelo líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), e pelos deputados Vanderlei Macris (SP), Otavio Leite (RJ), Bruno Araújo (PE) e Duarte Nogueira (SP), respectivamente, nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle, de Segurança Pública, de Minas Energia e de Relações Exteriores.

Também na Comissão de Segurança Pública, Imbassahy e Otavio Leite protocolaram pedido para realização de audiência pública com a presença de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento na construção da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco. Requerimento assinado por Imbassahy e Nogueira com o mesmo teor também foi entregue à Comissão de Relações Exteriores.

Em relação a Cerveró, os tucanos querem, especialmente, detalhes sobre a reunião do Conselho de Administração da Petrobras ocorrida em 3 de fevereiro de 2006 que aprovou a compra da refinaria com base em Sumário Executivo apresentado por Cerveró e elaborado em conjunto com a Área de Refino e Abastecimento da estatal. Integrante do colegiado na época, Dilma Rousseff aprovou o negócio, mas na semana passada alegou que o documento tinha falhas técnicas.

A transação foi uma das piores da história da Petrobras e pode ser alvo de investigação de CPI no Congresso. Em 2012, a estatal desembolsou US$ 1,18 bilhão para a compra da refinaria de Pasadena no Texas, EUA, sendo que sua ex-sócia belga no empreendimento, a Transcor/Astra, havia pago US$ 42,5 milhões sete anos anos.

Como destaca o requerimento, o negócio permanece cercado de dúvidas e afirmações contraditórias entre ex-dirigentes da Petrobras e a própria presidente da República. A petista jogou a responsabilidade pelo desastroso negócio sobre ex-dirigentes e indiretamente em seu próprio corpo técnico reconhecido internacionalmente pela sua alta qualificação.

“Nesses últimos dias a imprensa tem trazido muitos pontos obscuros e fortes indícios de superfaturamento envolvendo a compra da refinaria de Pasadena e a construção de outras pela Petrobras. Ao mesmo tempo, um ex-diretor é preso numa operação da PF que investiga lavagem de dinheiro e há suspeitas de que teria recebido por um contrato na refinaria de Pernambuco. Cerveró já manifestou que está disposto a vir ao Congresso e, então, vamos dar oportunidade a ele de esclarecer o que todo o país espera ser esclarecido. O que queremos é ouvir os envolvidos e reunir elementos que nos permitam montar o quebra-cabeças: quem são os responsáveis pelas irregularidades e prejuízos, se os fatos estão relacionados e quem deve ser punido. É o que buscamos descobrir”, afirmou o líder Imbassahy.

Já o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) apresentou requerimentos nas comissões de Finanças e na de Relações Exteriores pedindo a realização de audiência pública para discutir não apenas a compra de Pasadena, mas também a de Nansei, no Japão. Em ambos os colegiados, o tucano também quer a presença de Cerveró. “A questão deve ser discutida pelo custo pago pela Petrobras, cerca de 20 vezes o valor de mercado das mesmas, bem como a existência de cláusulas contratuais contrárias aos interesses nacionais”, alega Hauly nos requerimentos. O tucano lembrou que Cerveró foi “sumariamente exonerado” semana passada sem direito a esclarecer os fatos amplamente divulgados pela imprensa.

Propina – Já Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, estaria envolvido no recebimento de vantagens ilegais por ocasião da construção dessa obra segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”. De acordo com a reportagem, a Polícia Federal, durante as investigações da Operação Lava Jato, levantou suspeita que o ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal tenha recebido entre 2011 e 2012, a título de propina, R$ 7,9 milhões de Alberto Youssef. Esse doleiro é o alvo principal da PF nesta operação por sua intermediação na construção da Refinaria Abreu Lima, que se arrasta desde 2005, com atraso de seis anos.

Os pedidos apresentados pelos tucanos serão votados nas reuniões deliberativas marcadas para quarta-feira (25).