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03/02/2016 | Sputinik Brasil

Congresso reabre com questões explosivas: impeachment de Dilma e cassação de Cunha

No ano passado o Parlamento brasileiro debateu, entre outras polêmicas questões, a possibilidade de instauração de um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff e a possível cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quebra de decoro parlamentar e por sucessivas denúncias de corrupção.

Para o Deputado Afonso Florence (PT-BA), Dilma Rousseff saberá superar as discussões em torno do seu mandato e ainda conseguirá aprovar no Congresso Nacional as medidas de interesse do Governo para a recuperação da economia nacional. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil o deputado baiano diz que “a oposição, não se conformando com o resultado da eleição presidencial de 2015, abriu uma campanha pelo impeachment que encontrou terreno fértil no fato de que o impacto da crise econômica mundial no Brasil ocasionou algum desemprego, uma redução da atividade econômica, que está sendo combatida pelo Governo, mas que levou, de fato, a um impacto econômico e ao desgaste da presidente”.

“O fator econômico”, afirma o Deputado Florence, “foi utilizado pela oposição para levar adiante a proposta de impeachment, que foi acatada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que responde a processos com provas robustas sobre práticas de ilícitos, quando ele, chantageando o Governo, tentou não acatar a proposta de impeachment, na medida em que o Governo e o PT o blindassem, o que não aceitamos.”

O Deputado Afonso Florence diz ainda que “o nosso objetivo é enterrar a tentativa de golpe constitucional para então termos ambiente político para os investidores e para os movimentos sociais, para a plena liberdade democrática e a retomada da atividade econômica. Esperamos que o Congresso foque sua atividade na superação da crise econômica”.

Já o Deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) está convencido de que Dilma Rousseff não encontrará facilidades neste ano legislativo, uma vez que, a seu ver, estão criadas as condições para que seu afastamento da Presidência venha a ser concretizado.

Sobre a questão do Deputado Eduardo Cunha, Otavio Leite comenta que “o presidente da Câmara já devia ter se licenciado há muito tempo, ter deixado a Presidência da Casa e ter cuidado de se defender junto à Comissão de Ética e junto ao Tribunal”.

“É incompatível que Eduardo Cunha prossiga presidindo as sessões no Parlamento ao mesmo tempo em que sobre ele são imputadas graves, severas acusações de ilícitos, e que muitos deles já viraram processos ao nível do Supremo Tribunal Federal. Acho que a Comissão de Ética tem que avançar e colocar em votação o afastamento e a cassação do mandato dele.”

Em relação ao impeachment, o deputado do PSDB carioca afirma que o processo próprio “hoje está obstruído, paralisado, em função da decisão do Supremo Tribunal Federal, que definiu um rito que está sendo questionado”.

“Estamos aguardando o esclarecimento do STF sobre como esse processamento interno deve se dar. É óbvio que há fundamentação política muito sólida, mas para se alcançar o afastamento da presidente serão necessários 341 votos na Câmara, o que, confesso, não é fácil”, conclui o Deputado Otavio Leite.