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01/01/2006 | Jornal O Globo

Copacabana ‘bombou’

Sem fumaça ou chuva, show de fogos encanta dois milhões de pessoas na praia

Aemoção e o brilho voltaram à festa de réveillon de Copacabana. Livre da fumaça, que no ano passado ofuscou a beleza do espetáculo, e da chuva, que ameaçava cair no momento da virada, o réveillon na Praia de Copacabana, sem imprevistos, reuniu dois milhões de pessoas. Sem a presença da governadora Rosinha Garotinho, que festejou a chegada do Ano Novo em Mato Grosso do Sul, e do prefeito Cesar Maia, que passou o réveillon em Nova York, o espetáculo pirotécnico durou 19 minutos. O público, que lotou a areia e o calçadão, assistiu pela primeira vez, por oito segundos, o espocar de fogos de artifício em forma de números, mas o efeito especial não teve o resultado esperado.

Trinta minutos após a queima de fogos começou a chover. Embora os efeitos especiais não tenham funcionado como o previsto, o público aplaudiu e considerou o espetáculo deste ano o mais emocionante desde que os fogos passaram a ser lançados de balsas, no réveillon de 2002. Durante o espetáculo, houve a formação de fumaça, mas nada semelhante ao que ocorreu no ano passado. Entre as novidades que chamaram a atenção, estavam fogos que se projetavam em direção à areia, num efeito que lembrava imagens em três dimensões.

— O melhor do show foram os fogos que pareciam se aproximar das pessoas. Desta vez, a fumaça não atrapalhou — contou a secretária Aline Mouro, de 29 anos, que há dez anos acompanha a festa em Copacabana.

Mesmo distante, Cesar Maia acompanhou a festa de Copacabana pelo telefone. Antes da meia-noite, o prefeito fez várias ligações para a subsecretária de Eventos, Ana Maria Maia, querendo saber detalhes.

De quatro balsas, saíram fogos de oito polegadas que iluminaram os céus com a inscrição “Rio 06”. Das outras quatro balsas foram detonados fogos com a inscrição “Pan 07”. Ao todo, foram usadas 24 toneladas de fogos. A intenção do prefeito em exercício, Otavio Leite, é solicitar a inscrição da festa no “Guiness Book”, o livro dos recordes mundiais.

Na volta para casa, muita fila no metrô

A ajuda do sobrenatural, anunciada ontem pela subsecretária de Eventos, Ana Maria Maia, responsável pela coordenação da festa, pode não ter funcionado, mas ao menos não deu azar na hora da queima de fogos. A prefeitura contou com a assessoria informal da médium Adelaide Scritori, presidente Fundação Cacique Cobra Coral, que diz ser capaz de controlar o clima.

Outra novidade neste réveillon, o uso de trios elétricos transformados em palcos móveis na Avenida Atlântica, deixando a areia livre para o público. Os palcos chegaram na madrugada do próprio sábado, vindos de São Gonçalo, e foram montados em tempo recorde.

Em Copacabana, foram instaladas 17 torres para garantir a segurança da festa. Para terem mais mobilidade, policiais com motos e quadriciclos circularam pela orla. Em cada rua transversal à Atlântica havia um major da PM. O Corpo de Bombeiros registrou 72 atendimentos em toda orla do Rio, sendo 48 em Copacabana.

Em Ipanema, não houve queima de fogos, mas a festa de música eletrônica atraiu muita gente. No Posto Nove, o público ouviu techno e trance. Já no Posto Dez, a batida foi de house. Para a hora da virada, os DJs prepararam uma trilha sonora especial, fazendo uma retrospectiva de música eletrônica. À meia-noite, houve um show de luzes e contagem regressiva.

Após a queima de fogos, o público que assistiu ao espetáculo em frente ao Hotel Méridien deu as costas para o mar e por alguns minutos aguardou a tradicional cascata de fogos que este ano não aconteceu. Alguns chegaram a imaginar que tinha ocorrido algum problema.

A chuva antecipou a volta para casa de quem foi assistir a queima de fogos em Copacabana. O público enfrentou dificuldades para embarcar na estação Cardeal Arcoverde do Metrô. Mesmo quem comprou bilhete antecipadamente enfrentou uma fila que dava volta na praça.