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19/01/2004 | Jornal do Commercio

Corrida pela Prefeitura

Estão confirmados como pré-candidatos à Prefeitura do Rio nas eleições municipais em outubro deste ano Cesar Maia (PFL), Luiz Paulo Conde (PMDB), Jorge Bittar (PT) e Marcelo Crivella (PL). As candidaturas de Jandira Feghali (PCdoB), Denise Frossard e Otavio Leite (os dois últimos do PSDB), ainda não foram formalizadas, mas terão de ser decididas até junho, data limite para o lançamento de candidatos.

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada dia 28 de dezembro mostrou seis cenários para as eleições no Rio. Cesar Maia está na frente em todos, com percentuais de intenção de voto que variam de 45% a 55%. Na projeção que considera os cinco nomes mais cotados na disputa, Cesar fica em primeiro, com 45%, seguido de Crivella (20%), o vice-governador Luiz Paulo Conde (13%), a deputada Denise Frossard (6%) e Bittar (4%).

O favoritismo de Cesar Maia, no entanto, é encarado pelos pré-candidatos Jorge Bittar e Marcelo Crivella como circunstancial. Eles acreditam que ainda é cedo para dar como certo o resultado das eleições.

- Ainda não é hora de começar a se preocupar com essas pesquisas. Cesar Maia está em primeiro lugar por estar mais exposto na mídia que todos os outros candidatos. O Rio de Janeiro passa por uma crise econômica e por agravamento da violência e de crises sociais. A administração atual, que está há quase 12 anos em curso, não tem um projeto econômico e social - diz Bittar.

Apesar de ainda não ter realizado um anúncio oficial, o senador Marcelo Crivella disse que sua candidatura está certa. O senador confia no grande número de evangélicos para alavancar sua campanha e cogita uma aliança no segundo turno, caso seja necessário.

- No primeiro turno, cada partido vai querer ter o seu candidato, mas no segundo turno não descartamos a possibilidade de uma aliança com os opositores de agora. A estratégia da campanha é colocar a nossa militância para angariar votos - informou Crivella.

O principal candidato, Cesar Maia, também está interessado em firmar alianças, especialmente com o PDT, partido de Leonel Brizola, que, recentemente, teceu elogios ao prefeito.

- Houve, sim, uma negociação com o PDT, que foi interrompida há três meses, para o partido deliberar a respeito. O PDT, até agora, não deliberou. O que o senador Jorge Bornhausen disse, depois de reunião com Brizola, é que o PDT retomaria a análise para tomar uma decisão a favor ou contra, ou apoiar um outro candidato. Discutiu-se, em tese, como partidos que têm perfis ideológicos distintos a nível municipal podem, em função de razões específicas, estar juntos em municípios brasileiros. Certamente, estou interessado nessa aliança - confirmou Cesar Maia.

Conde, com apoio confirmado do senador Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ), disse não querer repetir os erros da gestão atual e criticou o número de postos de saúde construídos pelo prefeito Cesar Maia. O vice-governador citou a crise no Hospital do Andaraí e a grande quantidade de mendigos dormindo nas calçadas e praças públicas como dois dos principais problemas da cidade e ressaltou a necessidade do incremento do turismo na cidade.

O cientista político e diretor do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, também acha cedo para discutir pesquisas.

- Eleições dependem de conjuntura do período eleitoral. Temos muitos exemplos no Rio de candidatos que passaram todo o período de campanha eleitoral na frente das pesquisas e que, por fatos imprevisíveis, viram o favoritismo ir por água abaixo. É impossível saber quem vai ganhar a nove meses da disputa.

PSDB e PC do B ainda têm dúvidas

Apesar de o PSDB não ter definido seu candidato a prefeito do Rio, as apostas são que Denise Frossard seja a escolhida para disputar a eleição. Segundo o deputado estadual Otavio Leite, desde setembro do ano passado o partido debate a questão e ainda não chegou a um consenso.

- Não há briga. Sei que meu nome é defendido pela militância do partido e acho que reúno interesses que poderiam me levar à candidatura à Prefeitura. Eu seria uma alternativa às faces cansadas que disputam essa eleição - afirmou Otavio Leite.

Para o cientista político Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, apesar de estar em início de carreira política, Denise Frossard pode vir a ser escolhida pelo PSDB.

- Denise Frossard só teria chances de ter alguma expressividade nessa campanha se colocasse a segurança pública como carro-chefe de sua candidatura, embora a Prefeitura não seja a principal responsável por essa área. Otavio Leite tem se destacado como político, mas ambos os nomes do PSDB estão em situação desfavorável para as eleições - disse Monteiro.

De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada dia 28 de dezembro, quando Denise Frossard é substituída por Otavio Leite, a situação de Cesar Maia e Marcelo Crivella não se altera muito, permanecendo com 45% e 20%, respectivamente.

Não apenas o PSDB tem dúvidas em relação à candidatura para as eleições 2004. A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) também não formalizou sua candidatura. Monteiro acredita que o partido marque presença lançando a candidatura de Jandira, mas sem esperanças de chegar à Prefeitura. Procuradas, Denise Frossard e Jandira Feghali não quiseram dar entrevista.