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25/10/2011 | Blog da Bancada do PSDB na Câmara e no Senado

CPI da Corrupção já: Interferência de Lula no governo reforça fragilidade política de Dilma

Por Letícia Bogéa

Os deputados Otavio Leite (RJ) e Rui Palmeira (AL) afirmaram que a interferência de Lula na condução do esquema de corrupção do Ministério do Esporte comprova a incapacidade política da presidente Dilma, como alertara a oposição na campanha. Ontem, os dois participaram de inauguração da Ponte do Rio Negro, que custou R$ 1 bilhão. Para Leite, a viagem à cidade de Manaus teve objetivo claro: orientar a petista como agir diante do novo escândalo.

“É inegável a capacidade de comunicação do ex-presidente. Foi baseado nisso que o governo dele se protegeu de um conjunto de irregularidades. A influência revela a fragilidade dela em tomar decisões”, apontou. “Os fatos mostram ainda a malversação de verbas públicas e o apadrinhamento da máquina”, acrescentou, ao classificar de vergonhoso o novo desmando da atual gestão.

No comando do Brasil, Lula foi conivente com malfeitos, sob alegação de que os acusados tinham amplo direito à defesa. Ressalta-se que o mensalão – pagamento de propina a parlamentares da base aliada – surgiu no primeiro mandato dele. Segundo os tucanos, a sucessora caminha na mesma estrada ao manter Orlando Silva à frente da pasta.

Otavio Leite está convencido: a CPI da Corrupção é a única solução para frear os desvios. “As evidências são suficientes para a criação da comissão de inquérito, o melhor procedimento para investigar a rede mafiosa que se estabeleceu no ministério”, alertou. “É preciso mostrar à sociedade que o PT tenta colocar para debaixo do tapete a sujeira.”

Rui Palmeira avalia que a interferência reforça a falta de firmeza de Dilma. “Ela tem que provar que comanda o país, chamar a responsabilidade para si, ao invés de recorrer o tempo inteiro ao antecessor”, criticou.

Por outro lado, os desmandos no Esporte não param de aparecer. O jornal “Folha de S.Paulo” desta terça-feira (25) traz à luz que Orlando Silva envolveu-se diretamente em uma medida para beneficiar a ONG do policial militar João Dias Ferreira, o delator do esquema e agora acusado pelo titular da pasta de “bandido”.

Em julho de 2006, o comunista assinou despacho que reduziu o valor que a organização precisava dar como contrapartida para receber verbas da União. “A manobra foi autorizada mesmo depois de auditorias internas terem apontado os primeiros indícios de irregularidade nos negócios”, diz a reportagem.

Conivência com malfeito – “É um apadrinhamento político que blinda cegamente o comportamento fraudulento de muitos na atividade pública. Isso é um péssimo exemplo para a democracia e para as novas gerações.” Deputado Otavio Leite (RJ)

- O policial João Dias é o autor das principais denúncias contra Orlando Silva, mas promete não ficar sozinho. Ontem, ele anunciou que um grupo de 20 ONGs se organiza para vir a público revelar como foram usadas pelo Ministério do Esporte para desviar dinheiro para campanhas do PCdoB e de aliados, como a da reeleição de Lula em 2006. Pela estimativa, 20% da verba de convênios firmados com 300 entidades teriam sido desviados, ou seja, R$ 40 milhões, calcula o Instituto Teotônio Vilela (ITV).