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22/06/2007 | Jornal do Brasil

CPIs do Congresso querem intermediar acordo

Incapazes de apresentar propostas para solucionar a crise no setor aéreo, as CPIs da Câmara e do Senado querem intermediar as negociações entre controladores de vôo e Comando da Aeronáutica, a fim de acabar de vez com as operações-padrão que castigam os passageiros. A idéia de atuar como meio-campo ganhou corpo ontem, em mais um dia de transtornos nos aeroportos do país.

- Há um impasse interno entre os controladores e os técnicos de reparo dos equipamentos no Cindacta. Temos que ter uma ação emergencial - disse o presidente da CPI do Apagão da Câmara, Marcelo Castro (PMDB-PI).

Segundo os deputados, o clima no centro de controle de tráfego aéreo em Brasília (Cindacta 1) é péssimo. Os controladores estariam insatisfeitos com os equipamentos, apesar de os parlamentares não terem encontrado problemas que, de acordo com eles, comprometam o tráfego. Nos bastidores, integrantes da comissão falam em sabotagem.

Para justificar a criação de um grupo destinado a intermediar eventual acordo, o relator da CPI na Câmara, Marco Maia (PT-RS), lembrou da incursão mal-sucedida do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, quando do motim dos controladores no fim de março.

- Não queremos interferir na hierarquia das Forças Armadas. De forma alguma, queremos atropelar o comando ou criar constrangimento - declarou Maia. - O objetivo é contribuir.

No tapete azul do Congresso, os senadores disseram que a crise é salarial. O presidente da CPI da Casa, Tião Viana (PT-AC), e o relator, Demóstenes Torres (DEM-GO), propuseram reajuste para os controladores, em raro discurso afinado com os deputados.

- Por mais que os controladores neguem essa intervenção salarial, sabem que o grande problema é esse - comentou Demóstenes.

Para Viana, a crise não passa por equipamentos, mas ´pela definição da política salarial´. Os controladores ganham entre R$ 1.800 e R$ 2.000 líquidos. O deputado tucano Otavio Leite (RJ) acusou o governo de conivente. Lembrou que se investisse no reajuste dos controladores, como no caso dos cargos comissionados criados esta semana, com custos adicionais de R$ 277 milhões, a crise estaria resolvida.

- Percebi, dos dois lados, que há uma vontade de negociar, porque a sociedade está sofrendo com isso - disse o deputado Miguel Martini (PHS-MG).

Ontem, os senadores ouviram a empresária Sílvia Pfiffer, que voltou a denunciar a existência de irregularidades em contratos publicitários da Infraero no aeroporto de Curitiba. A acusação - que envolve pagamento de propina - foi rechaçada pela diretora de Engenharia da Infraero, Eleuza Loris, na comissão da Câmara. O depoimento de Sílvia foi suspenso porque a depoente, dona de uma agência, teve uma crise de hipertensão arterial.