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11/04/2007 | Site do PSDB Nacinal

Cúpula do setor aéreo dá versões diferentes da crise

Brasília (11 de abril) - A audiência pública realizada nesta quarta-feira na Câmara para discutir a crise aérea foi marcada pela contradição entre representantes do governo Lula. Os três principais responsáveis pelo setor bateram cabeça durante toda a reunião.

MÁ GESTÃO

Enquanto o ministro da Defesa, Waldir Pires, admitia ´problemas de recursos humanos e falhas em equipamentos´, seu subordinado, o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, o desmentia a todo momento. Para Saito, os equipamentos à disposição dos controladores de vôo são modernos e não obsoletos. Para agravar a situação, o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Milton Zuanazzi apresentou uma versão peculiar. Para ele, o apagão aéreo, que se arrasta há mais de seis meses atormentando a vida dos passageiros em aeroportos de todo o país ´está longe de ser uma crise.´

Na avaliação do deputado Vanderlei Macris (SP), as divergências na cúpula do setor aéreo mostram que o maior problema é a falta de capacidade de gestão do Planalto. ´O ministro joga a responsabilidade para o Comandante da Aeronáutica. Esse, por sua vez, culpa a Infraero. E ninguém resolve nada´, criticou Macris. ´Faltam investimentos e não há integração ou comunicação entre eles para definir como solucionar o problema´, acrescentou. Para o tucano, a reunião reforçou a necessidade da instalação da CPI do Apagão Aéreo no Parlamento. ´O contraditório só será possível com a criação de uma CPI. Há uma crise gerencial nesse governo, seja na área de recursos humanos, seja quanto aos equipamentos´, argumentou.

Também segundo o primeiro vice-líder do PSDB na Câmara, deputado Leonardo Vilela (GO), a reunião reforçou a necessidade da CPI já que muitas questões foram escamoteadas. O tucano citou o caso dos recursos investidos em segurança do espaço aéreo e apontou outra contradição no discurso dos governistas. O ministro Waldir Pires disse hoje que o governo executou quase a integralidade do orçamento da área. Já o comandante da Aeronáutica informou justamente o contrário. Segundo ele, há grande diferença entre aquilo que foi empenhado e o que foi efetivamente aplicado. ´Os gastos caíram violentamente nos últimos anos quando corrigidos pelo IGP-DI´, endossou Vilela, ao citar números de um levantamento da bancada tucana no Siafi.

QUEDA DE RECURSOS

O documento elaborado pelo PSDB revela que o valor investido na rubrica Proteção ao Vôo e Segurança do Tráfego Aéreo em 2006 não foi de R$ 522 milhões como afirmou Pires, mas de R$ 340 milhões. Uma comparação com governo FHC deixa claro o descaso da gestão petista. O governo tucano investiu na mesma rubrica R$ 1,787 bilhão nos três últimos anos (2000-2002). Já o governo Lula em seus três primeiros anos investiu apenas R$ 1,187 bilhão, uma diferença de R$ 600 milhões.

O deputado Otavio Leite (RJ) também questionou os números apresentados pelo ministro da Defesa. Segundo ele, o próprio ministro já havia informado que o orçamento do setor só teria começado a ser executado em junho do ano passado. ´Os recursos foram gastos pela metade´, criticou. Para ele, com a declaração, Pires deixou clara a má gestão do setor. Sobre a afirmação do presidente da Anac de que não há crise no setor aéreo, Leite foi irônico e lembrou que ´hoje não é dia 1° de abril´.

OLHO DO FURACÃO

Por sua vez, o deputado Duarte Nogueira (SP) salientou que na primeira oportunidade de ouvir o ministro da Defesa sobre a crise, Pires deu uma demonstração ´enorme de fragilidade, de falta de planejamento e de atividade gerencial eficiente´. Segundo o tucano, o momento atual de calmaria é só o ´olho do furacão´. ´O que nos parece é que o problema não está resolvido´, argumentou. ´A aeronáutica não explica se vai substituir os equipamentos e não diz como vai contratar novos controladores de vôo´, completou.

Na avaliação de Nogueira, a tática de ampliar os quadros do sistema de controle aéreo brasileiro por meio de medida provisória, como anunciado na audiência, é só uma estratégia para jogar a crise no colo do Parlamento. ´É óbvio que o presidente tem grande responsabilidade sobre isso. Há vários buracos negros além daqueles apontados nos céus brasileiros por organismos internacionais de aviação civil´, apontou.

O parlamentar paulista rechaçou ainda a declaração de Pires de que crises como a que vive o Brasil são normais em países emergentes. ´A Costa Rica é um país muito menor e já tem um sistema de rádionavegação e comunicação via satélite. Eles podem até enfrentar problemas, mas não que se arrastem por mais de seis meses em razão da total incapacidade de comando e da enorme fragilidade gerencial de seus governos´, concluiu.