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01/07/2010 | Jornal O Globo

De 'Cesarboy' a integrante de uma chapa presidencial

Por Henrique Gomes Batista e Duilo Victor

O escolhido para compor a chapa do PSDB à Presidência começou a vida pública há 16 anos, indicado pelo então prefeito do Rio, Cesar Maia, para ser o “prefeitinho” do Parque do Flamengo, na Zona Sul do Rio. Indio da Costa (DEM) tinha então 24 anos e participava de um círculo de jovens da Zona Sul que se engajou na campanha de Cesar para a prefeitura.

Naquele mesmo 1994, José Serra foi convidado pelo então presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso, para ser ministro do Planejamento.

No ano seguinte, Indio tornase administrador regional de Copacabana e Leme. Filho de uma família tradicional da capital fluminense — seu pai, Índio da Costa, é um arquiteto premiado —, fica conhecido como integrante da turma de “Cesarboys”, grupo de jovens que comandavam subprefeituras, da qual fez parte o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes. Fica no cargo até 1996, quando se elege vereador pela primeira de três vezes consecutivas, sempre pelo PFL, o atual DEM.

Alvo de CPI na Câmara do Rio

Entre 1997 e 2006, apresentou 170 projetos na Câmara, dos quais 26 viraram lei, entre eles um que inclui o presidente do Tribunal de Contas na linha sucessória da prefeitura.

Também viraram leis a obrigatoriedade para que bares e restaurantes tenham cardápios trilíngues e a instituição de um programa para adolescentes de rua que atuam na prostituição. Entre as propostas não aprovadas, há algumas polêmicas, como a autorização para que o Executivo multe carros por estacionamento irregular nos casos de “meretrício” e a obrigação de que as empresas de ônibus adotem bancos anatômicos.

Indio foi nomeado secretário municipal de Administração, função que desempenhou entre 2001 e 2006. Na cadeira de secretário, foi alvo de CPI. Na comissão em que a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) foi relatora, ficou concluído que a licitação para a compra de R$ 75 milhões em merenda, entre julho de 2005 e junho de 2006, causou prejuízo aos cofres públicos.

A CPI calculou que 99% das compras, feitas pela Secretaria municipal de Administração e de Educação, estavam concentradas sempre na mesma empresa, a Comercial Milano.

Entretanto, desde 2006 ele se afasta, aos poucos, de Maia: vaidoso, Indio queria ser o escolhido pelo prefeito para sucedê-lo, mas Cesar preferiu Solange Amaral. O mesmo Cesar que não quis Indio para ser seu candidato a prefeito, agora foi um dos principais patrocinadores da escolha dele para vice na chapa presidencial de Serra.

Indio namorou por cerca de um ano a filha do polêmico banqueiro Salvatore Cacciolla, hoje preso em Bangu 8. Também teve uma relação com a filha do líder, o então prefeito Cesar Maia. Em 2004, teve uma filha com uma espanhola — que hoje mora com a mãe no país europeu.

Um ano antes da paternidade, em 2003, viveu um dos momentos mais tensos de sua vida: uma operação para retirar um aneurisma cerebral.

Foi eleito deputado federal em 2006, com uma campanha que custou R$ 838 mil. Teve cerca de 91 mil votos. De acordo com o site Transparência Brasil, cada voto de Indio da Costa custou R$ 9,16. A média para quem se elegeu no Rio naquele ano foi de R$ 4.

Com uma atuação apagada em Brasília, começou a ganhar projeção recentemente — seu nome não está na lista de 2009 do Diap entre os “100 Cabeças” do Congresso, mas na categoria “Parlamentares em ascensão”.

Notívago como José Serra

O principal trampolim para o aumento de influência veio, justamente, da relatoria do projeto Ficha Limpa, que tem forte apoio popular. Foi o relator do Ficha Limpa numa comissão que tentava um texto de consenso entre os partidos.

Na Câmara, apresentou apenas 25 projetos — segundo o site da Casa, nenhum até o momento virou lei. Há propostas dos mais diversos assuntos e algumas homenagens que dão a mostra da amplitude de sua base: propôs, em 9 de setembro do ano passado, instituir o Dia Nacional do Arcebispo Dom Hélder Câmara.

No mesmo dia, apresentou projeto para criar o Dia Nacional do Espírita Adolfo Bezerra de Menezes.

Os aliados alegam que Indio ganhou reconhecimento político na função de secretário, no governo Cesar Maia, sobretudo na relação com o servidor público de carreira.

— Ele é muito preocupado com a estrutura do serviço público. Representa nova geração na política, é criativo e, como indicação do DEM, consolida a aliança — diz o deputado federal Otavio Leite (PSDB), vice-prefeito do Rio quando o deputado foi secretário de Administração.

Cesar, hoje candidato ao Senado, também aponta qualidades de Indio: — Capacidade de tomar iniciativa e de vocalização de temas diversos.

Piadista, uma das coisas que deixa o vice da chapa de Serra fora do sério é quando escrevem seu nome com acento, o que se repete com muita frequência.

Cria política do ex-prefeito Cesar Maia, Indio é o nome mais jovem das principais chapas presidenciais deste ano.

Nascido em 1970, ele completará 40 anos 11 dias antes do segundo turno.

Formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, Indio é fascinado por tecnologia e novidades. O melhor canal para conversar com ele não é o telefone, mas o e-mail, de onde não se desliga quase nunca. Indio costuma, na madrugada,“retuitar” José Serra em tempo real, o que comprova a fama de que os dois nomes da chapa presidencial são notívagos.