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24/10/2014 | Jornal O Globo

Debate em universidade reflete tensão e polarização do segundo turno

Por Rafaela Marinho

RIO — A discussão acalorada entre partidários de PSDB e PT, que lotou o espaço do pilotis da PUC-Rio na manhã desta quinta-feira, refletiu a animosidade da reta final das eleições presidenciais vista pelo país. Entre adesivos demarcando lados, indecisos eram raros. Os nervos ficaram à flor da pele nas manifestações do público, dividido entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Com bandeiras e adesivos, “coxinhas” e “petralhas” (como se rotulavam) aplaudiram, vaiaram, xingaram, cantaram gritos de guerra e foram para o embate. Em meio a defesas de pontos de vista eram ouvidos gritos de “mentiroso” “leviano”, “elitista” ou “terrorista” endereçados aos integrantes da mesa.

De um lado, representantes do PSDB: o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha e o deputado federal Otavio Leite. Do outro, Clarissa Alves da Cunha, vice-presidente nacional do PT, e Emir Sader, professor da UFRJ e doutor em ciências políticas pela USP.

Entre os temas levantados pelos tucanos, predominaram os casos de corrupção da Petrobras e a situação da economia. Entre os petistas, as políticas de cotas nas universidades e contra homofobia foram defendidas com afinco.

O mediador Thiago Medeiros, do Diretório Central dos Estudantes da PUC, que organizou o evento, avisou a plateia:

— Se ficar impraticável de se ouvir o representante, os tempos (de fala) serão pausados.

Luiz Paulo defendeu a polarização na política e criticou o governo:

— Pode haver divergências políticas, mas tem que haver, sobretudo, o respeito pela coisa pública. Brasileiros e brasileiras que estão começando a sua vida política, votem para mudar o Brasil, votem Aécio!.

Clarissa também elogiou o debate e chamou atenção para os programas governistas postos em prática na própria PUC:

— É bom que seja polarizado. Mas precisamos reconhecer que o país que a gente vive hoje é radicalmente diferente dos anos 90. Essa universidade particular hoje é outra, com o ProUni, olha como temos tantas caras mais diferentes. Não tem problema ter dois projetos, ou ser de esquerda ou da direita, mas o que eles querem é desconstruir a política.

Foto: Divulgação/ Pulmão