Seu browser não suporta JavaScript!

01/06/2011 | Portal IG

Demanda de aeroportos brasileiros assusta, diz ministro

O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt afirmou nesta quarta-feira que deve contar com a ajuda do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na elaboração de estratégias para driblar os problemas trazidos com o crescimento do setor aéreo brasileiro, que ele considera “assustador”. O banco vai ajudar o governo a definir quais aeroportos devem ser concedidos à inciativa privada e seguindo qual modelo. Ontem, a presidenta Dilma Roussef anunciou o modelo de concessão de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

Em audiência pública na Câmara, o ministro afirmou ainda que as concessões trarão benefícios para os usuários, pois estimulam a competição entre aeroportos e trazem para o Brasil um modelo que já é bem sucedido em outros países.

“Hoje em dia não existem no mundo grandes empresas que não tenham parceiras. No Brasil, elas acontecem todos os dias no setor de energia e no Banco do Brasil. Então, só vejo benefícios em colocar a Infraero para trabalhar com o setor privado”, disse.

Questionado sobre os problemas em infraestrutura aeroportuária que o país enfrenta, o ministro disse que é difícil superá-los por causa do rápido crescimento da demanda no país. “O crescimento atual de mais de 10% ao ano é assustador”, disse. De acordo com dados da Infraero apresentados aos deputados, o crescimento médio de 2007 a 2010 foi de 12% ao ano e até 2014 são esperados mais 10% ao ano.

Combatendo as críticas aos atrasos nas obras da Copa de 2014, o presidente da Infraero, Gustavo Vale, que também participa da audiência, garantiu que os 13 terminais das cidades-sede da Copa atingirão capacidade maior do que a demanda até dezembro de 2013.

A conclusão foi tirada de um estudo elaborado por técnicos da própria Infraero e contraria pesquisas recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Coordenação de Programas de Pós Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe UFRJ).O Ipea afirmou que somente três devem ficar prontos e o Coppe avaliou que mesmo com as obras os aeroportos ficarão saturados.

Apesar de defenderem que os aeroportos darão conta da demanda da Copa, os representantes do governo admitiram que certas ocasiões devem extrapolar a capacidade dos terminais. O momento de maior tensão, de acordo com o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decen) , Ramon Borges Cardoso, é a véspera da final da Copa.

O motivo é que as semifinais acontecerão em cidades diferentes da final e é esperado um grande movimento, o maior da Copa, para este dia. “Isso vai demandar trabalho extra e temos que ter planos para todo tipo de imprevisto, inclusive os meteorológicos. Precisamos lembrar que além dos voos comerciais haverá muitas pequenas aeronaves particulares no ar, numa quantidade muito maior do que a que estamos acostumados”.

Para planejar esses momentos mais críticos durante o Mundial, o Decen destacou um grupo que trabalha na definição da capacidade dos aeroportos, necessidade de contratações e medidas para os momentos em que houver acréscimo no número de voos acima do esperado.

Autoridade Pública Aeroportuária

Vários deputados sugeriram a criação de um órgão para gerir todo o setor aéreo durante a Copa, uma espécie de Autoridade Pública Aeroportuária nos moldes da Autoridade Pública Olímpica (APO), aprovada no início de maio pelo Congresso para coordenar as ações governamentais para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. “Há tantas ações e cronogramas desencontrados que precisamos mais de um ‘gerentão’ do que de mais investimentos”, disse o deputado Otavio Leite (PSDB– RJ).

O ministro da Aviação Civil respondeu que acredita mais no trabalho em equipe, mas que não descarta a possibilidade. “Não há como trabalhar sozinho neste setor, mas pode ser acontecer mais à frente de centralizarmos os esforços”. Ele explicou ainda que vai criar Centros de Governanças em Brasília e Guarulhos reunindo Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Infraero, policiais e gestores do setor e que mais à frente esses profissionais podem formar uma equipe nos moldes da APO.

Gargalos

O presidente da Infraero mostrou aos deputados a apresentação que fez ontem à Presidenta Dilma Rousseff em reunião com os governadores e prefeitos das cidades-sede no Planalto. A apresentação detalha a situação e os investimentos desses aeroportos e mostra uma realidade “preocupante”, segundo o presidente da Infraero.

Os principais gargalos, enumerados por Vale e por Bittencourt são Guarulhos, Brasília e Cuiabá entre as cidades que sediarão a Copa. Nas demais cidades, os terminais de Goiânia e Vitória são os mais problemáticos. “Ouço muitas queixas todos os dias, mas os campeões são Guarulhos e Brasília”, afirmou o ministro.