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24/06/2004 | Jornal do Brasil

Denise Frossard revela que escapou da morte em estrada

Uma decisão que valeu por uma vida. Em 1993, dias antes da condenação de 14 bicheiros, a hoje deputada federal Denise Frossard (PSDB-RJ), então juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, nasceu de novo.

- Na sexta-feira, avisei ao chefe de minha segurança pessoal na época que eu iria viajar a Carangola para ver meus parentes. Ele se ofereceu para ir junto, eu recusei, dizendo que preferia ver a minha gente sem nenhum aparato em volta. Só que em cima da hora, no sábado, eu desisti. Quando no domingo ele me encontrou em casa, se surpreendeu, estranhou. ´´Ué, a senhora não foi?´´, perguntou. Eu registrei o fato na memória e mandei investigar.

Sorte de Denise Frossard e, mais que sorte, juízo. Uma rápida investigação detectou que um caminhão havia sido alugado horas antes com o intuito de ´´provocar um acidente´´, ao melhor estilo da Máfia. A juíza Denise Frossard iria morrer em um acidente na estrada, e o país lamentaria. O chefe da segurança pessoal dela, que, descobriu-se depois, era parente do bicheiro Macarrão, comemoraria.

O fato acima não está descrito no livro Denise Frossardque será lançado hoje às 20h na Livraria da Travessa, em Ipanema, pela Editora Rio e pela Universidade Estácio de Sá - mas não faltam revelações sobre tudo o que passou a hoje aposentada juíza Frossard, integrante de sete comissões da Câmara, entre elas a que investiga as mazelas do sistema penitenciário carioca e a que tenta rever as atribuições das guardas municipais de todo o país. Se a vida de Frossard deu no livro escrito pela jornalista Liana Fortes, que roteiristas e diretores se preparem: quem partir do livro terá um bom filme policial.

´´(...)O itinerário que eu escolhi (N. da R.: No dia da leitura da sentença dos bicheiros) passava pela Avenida Presidente Vargas. Quando olhei o relógio da Central do Brasil, vi que só tinha 20 minutos para chegar ao Fórum. (..) percebi que havia duas motos ao lado do meu carro, cada uma com duas pessoas, e pensei que fosse o fim. Mas eram só motoqueiros´´, diz Denise, em trecho do livro.

Uma grande mágoa

A coligação de PSDB e PFL (Cesar Maia, atual prefeito, com o deputado estadual Otavio Leite, do PSDB, para vice) é um assunto que incomoda.

- Não sei qual a proposta que une os dois partidos. Acusei o golpe e saí. É mais importante a tese do que a cadeira.

No livro, Denise Frossard admite que seu perfil político é de centro-esquerda. Mas não descarta a amizade com a extrema esquerda, como por exemplo a senadora alagoana Heloisa Helena.

- Quando ela se indispôs com o governo, disse-lhe que daria minha solidariedade. ´´Heloisa, eu conheço o direito, e ajudarei em tudo o que você quiser. Mesmo sabendo que, em um eventual governo seu, eu seria jogada às masmorras´´ - conta.

Denise não perde o senso de humor, como o que teve ao saber que o PM Jadir Simeone Duarte - condenado pelo assassinato do contraventor Paulinho de Andrade, filho de Castor - a teve na mira.

- Antes de matar o Paulinho de Andrade, ele me teve na mira de um fuzil. Não apertou o gatilho porque o mandante, o Rogério Andrade, não tinha pago. Percebi então que eu tinha me tornado um defunto caro - diz.