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26/03/2015 | PSDB na Câmara

Depoimento de Graça Foster em CPI reforça gestão omissa

Depoimento de Graça Foster em CPI reforça gestão omissa da ex-presidente na Petrobras

Por Djan Moreno

O depoimento de Graça Foster na CPI da Petrobras nesta quinta-feira (26) serviu para mostrar o quanto a estatal foi dilapidada durante os governos do PT. Parlamentares do PSDB que participaram da audiência destacaram que Foster foi omissa como gestora, já que, não conseguiu enxergar o enredo de filme policial que se desenrolava na estatal.

A ex-presidente voltou a negar que soubesse de irregularidades na empresa, disse que a corrupção acontecia fora da Petrobras e que não era sistêmica. Foster admitiu erros, mas negou que os R$ 88 bilhões em perdas apontados por balanço da empresa tenham sido desviados. Chegou até a admitir, finalmente, que a compra da refinaria de Pasadena não foi um bom negócio. Mas não convenceu os deputados de que só soube das propinas cobradas por diretores da empresa após a deflagração da Operação Lava Jato. O 1º vice-líder do PSDB, deputado Nilson Leitão (MT), chegou a dizer que Foster parece querer proteger alguém.

O líder da Oposição, deputado Bruno Araújo (PE), disse que os trabalhadores brasileiros estão pagando os prejuízos pelas propinas da Petrobras. O tucano afirmou que a história vai ter a imagem de Foster marcada como aquela que entregou o comando da empresa com os maiores prejuízos de todos os tempos. “Com certeza vai aparecer mais a sua foto do que a do ex-presidente Sergio Gabrielli, que, seguramente, tem muito mais responsabilidade sobre tudo o que aconteceu”, disse, ao destacar que sob a gestão da ex-presidente a estatal amargou queda na produtividade, endividamento e perda de lucro.

O deputado Izalci (DF) colocou em xeque a conduta da ex-presidente ao ressaltar que, quando informada da existência de irregularidades na empresa pela ex-gerente Venina Velosa, não determinou uma investigação. Após Foster admitir que os inúmeros aditivos em obras se davam pela falta de projetos básicos, o tucano lembrou que antes – em depoimento na CPI do Senado, em 2014 – a então presidente negou isso. “Ora, se a presidente sabia que os projetos básicos estavam equivocados, deveria ter providenciado novos projetos”, avaliou o tucano. Em resposta, Foster admitiu: “Certamente, a Petrobras merecia um gestor muito melhor do que eu”.

Em resposta a um questionamento feito pelo 1º vice-presidente da CPI, deputado Antonio Imbassahy (BA), Graça Foster disse que a ata da reunião na qual Paulo Roberto Costa foi demitido está errada. Consta no documento que o ex-diretor da empresa – peça chave do esquema de corrupção – foi quem pediu demissão, chegando a receber cumprimentos por seus “excelentes trabalhos”. Foster saiu em defesa da presidente Dilma, que alega tê-lo demitido. “Quem mentiu, a ata ou a presidente Dilma?”, interrogou Imbassahy. “A ata estava errada”, respondeu Foster.

Foi também após a intervenção do deputado do PSDB que a ex-presidente da Petrobras disse que as perdas de R$ 88 bilhões apontadas em balanço da estatal teriam sido justas e causadas “por uma série de influências”, negando a corrupção.

O deputado Otavio Leite (RJ) fez questionamentos sobre a indicação de diretores. Foster disse que sua indicação para o cargo de diretora de Gás e Energia, e posteriormente para a Presidência, foi feita pela presidente Dilma. Ela afirmou desconhecer quem indicou Renato Duque, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. O tucano falou ainda sobre os transtornos causados pela paralisação das obras do Comperj e pediu ao líder do PT, deputado Sibá Machado (AC), presente à reunião, que convocasse sua bancada a apoiar a aprovação da PEC 370-09. A proposta, de sua autoria, impede a privatização da Petrobras.

Os deputados Delegado Waldir (GO) e Bruno Covas (GO) também questionaram Foster. Para Waldir, foram muitos os erros durante a gestão dela. Entre as revelações da ex-presidente, ela disse sentir “muita vergonha” por tudo que soube que acontecia na Petrobras e afirmou que Pedro Barusco sempre foi um admirável engenheiro naval. “Quando o vejo falando de propinas na empresa imagino que isso seja em outro planeta”, disse.