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23/06/2015 | Metro Jornal

Deputado fala ao Metro sobre a MP do futebol

Deputado Otavio Leite fala ao Metro sobre a MP do futebol

Por Julio Calmon 

O relatório da Medida Provisória 671 (MP do Futebol) deve ser votado nesta quarta-feira na comissão mista do Congresso. Assinado pelo deputado federal Otavio Leite (presidente do PSDB-RJ), o texto dá chance para os clubes quitarem as dívidas [R$ 3,3 bilhões] com o Governo Federal e cria uma lei de responsabilidade fiscal. Mas é grande a resistência e mobilização dos devedores.

Na última reunião, houve desentendimento entre os próprios dirigentes. Você está preocupado com a rejeição ao seu relatório?

Saí da reunião com o sentimento de dever cumprido. Por dois anos, ouvi jogadores, acadêmicos, técnicos e clubes para escrever o texto final. Foi apenas a última rodada para apresentação do relatório. A discordância entre os presidentes de Flamengo e Vasco foi uma coisa normal.

A maior parte é contra o limite de 70% do orçamento para o gasto com o futebol [os clubes querem limite de 90%] e também reclama da exigência da CND [Certidão de Débito Negativo] para a disputa dos campeonatos…

É questão de moralização. Preservar 30% do orçamento é fundamental para prever a reserva que o clube terá saldo. Acho que os dirigentes vão precisar botar os pés no chão. Ninguém pode gastar mais do que arrecada. Os jogadores vão entender que salários altos são engodos. O que vai moralizar será a apresentação obrigatória da CND, sob pena de rebaixamento na competição.

Há resistência sobre a alteração nos colégios eleitorais das federações. Como seria?

Por exemplo, hoje o Flamengo tem peso 6 numa votação e uma liga amadora tem peso 1, mas a pessoa cria dezenas de ligas e acaba superando em votos os clubes tradicionais. Propus uma alteração para que se incluam aspectos como títulos e tamanho da torcida. As eleições seriam a cada quatro anos com uma reeleição. Para a CBF, propus que ao menos os clubes da Série B, além da A, tenham voto. Assim, as federações não teriam maioria.

O que garante que os clubes cumpram a obrigação desta vez? A loteria da Timemania foi criada não há muito tempo com a mesma ideia

A Timemania não serve para nada [está no projeto agrupada com INSS, IR, FGTS]. Não é anistia, nem perdão de dívidas. Propomos regras para que essas dívidas não sejam geradas novamente. O pagamento das parcelas é obrigatório. Caso deixe de pagar por três vezes, tem que ser rebaixado.

Foto: Ricardo Borges/Folhapress