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01/11/2008 | Jornal O Globo

Deputados ainda não conhecem projeto

BRASÍLIA. Cortejada por Eduardo Paes em seu “tour da vitória” pela capital federal, na última quarta-feira, a bancada do Rio na Câmara vê poucas chances de o PAC das Favelas chegar ao Complexo da Penha ainda em 2009, como prometeu o prefeito eleito. A duas semanas de entregarem suas emendas ao Orçamento da União, os deputados não receberam sequer uma minuta do projeto. Por isso, aliados e opositores do novo prefeito não se surpreenderam com o aviso da ministra Dilma Rousseff de que ainda não há recursos garantidos para a obra, estimada em R$470 milhões.

Na visita à bancada, Paes e o governador Sérgio Cabral apontaram as emendas parlamentares como solução para financiar o projeto. Coordenador da bancada fluminense, Hugo Leal (PSC), cujo partido apoiou Paes no segundo turno, insistiu que antes de fazer novos pedidos é preciso obter recursos para obras já previstas no Orçamento deste ano. Entre elas, estão duas outras promessas de Paes: a construção da Linha 4 do metrô e a expansão da Via Light da Baixada até Madureira.

— A liberação de verbas federais para o estado tem sido insignificante. Temos que ter parcimônia ao falar de novos projetos — advertiu.

Das 19 emendas aprovadas pela bancada do Rio em 2008, no valor total de R$384 milhões, duas tiveram recursos empenhados (reservados para gastar) até hoje, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira da União. No total, foram R$8 milhões para a manutenção da BR-101 Norte (interior do estado), e R$16 milhões, ainda não liberados, para o PAC das Favelas em Manguinhos. As verbas empenhadas equivalem a 6,2% do previsto.

Aliado de Paes, Simão Sessim (PP) admitiu que, apesar do aviso de Dilma, é mais fácil o novo PAC sair do papel por iniciativa do Planalto do que pelas mãos dos parlamentares. Já Otavio Leite (PSDB), que apoiou Fernando Gabeira (PV) na eleição, acusa Paes de criar falsas expectativas para a população.

— Houve açodamento. Ainda não vimos nem o projeto básico do PAC da Penha. Devagar com o andor, que o santo é de barro.