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07/07/2011 | Globo Esporte.com

Deputados aprovam reunião com Teixeira sobre andamento de obras

Por Victor Canedo

Após um requerimento, o presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, se reuniu nesta quinta-feira com a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara Federal e representantes da Fifa para esclarecer dúvidas sobre o andamento das obras para o torneio no Brasil. O encontro, sediado em um prédio comercial na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, durou cerca de três horas e foi aprovado pelos deputados.

– O Comitê nos informou uma série de dados que, eu diria, desanuviam dúvidas. Até em próprio benefício, porque argumentam que há muita confusão, mistura de interpretações, de que o Comitê estaria exigindo além do fato – afirmou o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).

– Trouxemos algumas perguntas importantes que serão respondidas também por escrito. Essas perguntas envolvem também a troca de e-mail que foi feita pedindo por um colaborador ou assessor do COL, indicando algumas empresas para prestar serviços para as sedes. Questionei o Ricardo Teixeira e ele condenou essa atitude, disse que essa pessoa não tinha respaldo do COL para que fizesse isso – disse Jonas Donizette (PSB-SP), presidente da Comissão de Turismo e Desporto, referindo-se à troca de mensagens que classificou como “tráfico de influência”.

– Ele (Teixeira) disse que essa pessoa, Carlos Lacorte, não estava autorizada a falar em nome do local. Seria um terceirizado. E essa obra específica era de uma empresa de energia, outra para grama e uma modalidade de brindes. Seja qual for não é trabalho do COL sugerir quem tem que fazer essa ou aquela obra – complementou Donizette.

Estádios e aeroportos: preocupação

O encarecimento das reformas infraestruturais também foi um assunto acompanhado de perto pelos deputados. Os atrasos nos aeroportos despertaram excessiva atenção.

– Existe sim uma preocupação, principalmente com questões dos aeroportos, estrutura urbana, tanto que nessas visitas estamos indo a todos os aeroportos, convocamos o secretário de aviação civil, presidente da Infraero e o presidente da ANAC. A situação é caótica e precisamos melhorar – contou Donizette.

– O aeroporto do Rio de Janeiro, por exemplo, já deveria estar pronto há muito tempo. Houve uma CPI do apagão aéreo há quatro anos, e desde então todos os anos a bancada do Rio coloca recursos na Infraero. Até o momento o que não houve e não se constata é a capacidade administrativa de fazer acontecer. O fluxo em uma final de Copa importa necessidades adicionais para pousos e decolagens. Só na África do Sul consta que mais de 600 aeronaves chegaram para a final. É preciso pensar em alternativas mesmo que os aeroportos sejam peças indispensáveis – disse Otavio Leite.

Os estádios também causaram preocupação. Principalmente os preços elevados de alguns deles, como o Itaquerão e Maracanã.

– Sabemos que no Rio de Janeiro o custo inicial era de 400, passou por 700 e chegou a R$ 1 bilhão. A Fifa estabelece recomendação, não exigência em alguns aspectos, como por exemplo a cobertura completa, razão pela qual o orçamento expandiu bastante. Foi uma decisão do Governo do Estado de levar um projeto a uma dimensão de sofisticação que gerou o custo sem que houvesse essa obrigatoriedade. A força da grana ergue e destrói, já dizia Caetano Veloso. Desde que me entendo por gente o Maracanã passa por reformas, e ele estava em situação bem adequada. Claro que algumas exigências, sobretudo de segurança, área de escape e tecnologia são bem plausíveis. Tudo isso está dando margem no mínimo a obras megalomaníacas. E as outras prioridades da cidade? Esse recurso seria muito melhor investido em transporte público, que é um legado que fica para a sociedade como um todo – avaliou Otavio Leite.

R$ 857 milhões como orçamento

A apreensão com o aspecto financeiro se expande ao montante designado pela Fifa. Qual destino teria um possível lucro do orçamento de R$ 857 milhões?

– O COL não tem finalidade lucrativa, mas sempre tem algum tipo de lucro. Na África chegou a ser na ordem de R$ 100 milhões. Havendo lucro, qual seria a destinação desse valor? O Teixeira disse que é para a CBF, e houve uma especulação de distribuições a ele. Acho que o recurso deveria ser destinado para os clubes formadores de atletas, aqueles mais simples, pois precisam de recursos. Ninguém discute que a Copa é um evento importante, mas era uma grande oportunidade para resolver a situação dos clubes – opinou Otavio Leite.

– A Fifa estabelece os R$ 857 milhões, e tudo que não for gasto nesse orçamento ficará com a CBF, segundo o presidente Ricardo Teixeira. Acho que esse recurso deveria ir para as divisões de base do futebol brasileiro. Vamos estudar um projeto de lei que possa assegurar isso, que a verba possa ser destinada a uma finalidade nobre, que é formar atletas – completou Leite.

Para facilitar a fiscalização, Donizette declarou que foi sugeria uma criação de um portal de transparência.

– Todas essas informações que os deputados tiveram têm que estar à disposição da população. A Copa é importante para o nosso país, mas o dinheiro público precisa ser usado com zelo. Podem ter certeza que qualquer centavo que for utilizado será fiscalizado.

Na foto, deputado Otavio Leite após o encontro com Ricardo Teixeira.

Crédito da foto: Victor Canedo / Globoesporte.com