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17/06/2015 | Jornal Extra

Deputados pró CBF tentaram enfraquecer texto que será lido hoje. Relator promete não flexibilizar

Deputados pró entidade tentaram enfraquecer texto que será lido hoje. Relator promete não flexibilizar

Por Leo Burlá

Pelo enfraquecimento do texto final da Medida Provisória 671 (MP) que pretende refinanciar as dívidas e estabelecer as devidas contrapartidas aos clubes e federações que aderirem ao pacote, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) escalou sua tropa de choque na Câmara Federal. Por meses, a entidade contou com o poder de convencimento de parlamentares que também dão expediente na CBF, casos de Marcelo Aro (diretor de Ética e Transparência da CBF) e Vicente Cândido (Relações Internacionais). Entre adiamentos, outras manobras para desacelerar a tramitação da matéria e angariar novos aliados, a dupla contou com a ajuda de Jovair Arantes (PTBGO), político há muito identificado com causas da CBF.

Hoje, no entanto, o texto do relator Otavio Leite (PSDB-RJ) será, enfim, lido. E de acordo com o próprio deputado, a tentativa de tornar não obrigatória a apresentação da Certidão Negativa de Débitos (CND) vai fracassar, embora esse seja o desejo da CBF e de grande parte dos grandes clubes brasileiros. A inclusão desse item no texto alternativo da MP, que será entregue hoje de manhã ao relator por Eurico Miranda, presidente do Vasco, foi costurado em reunião que contou com a presença de 15 clubes da Série A, que passaram a segundafeira reunidos na sede da CBF, no Rio de Janeiro.
— Esse movimento (da CBF na Câmara) é um trabalho silencioso, surpreende. A CND é a carta de alforria dos clubes, ela é irmã gêmea do parcelamento das dívidas. É preciso que se confira que as parcelas estão ou não sendo pagas. Não vou acatar essa sugestão no texto — garante Otavio Leite.

Embora admita que haja uma insatisfação com alguns pontos da MP, Walter Feldman, secretário-geral da CBF e deputado federal por dois mandatos, afirmou que não há participação da entidade na tentativa de um eventual esvaziamento da MP 671:

— A CBF respeita o parlamento, e a MP segue em seu curso natural. Se não for algo razoável, os clubes podem não aderir, é uma decisão que caberá a eles. Essa história de “bancada da bola” é uma coisa que não existe.

O texto também manterá a limitação de mandato de quatro anos com apenas uma reeleição nas entidades. Semana passada, a CBF adequou o seu estatuto e recomendou que suas filiadas seguissem o mesmo caminho.

Após a leitura do texto da MP, a matéria seguirá para votação no Plenário da Câmara. Aprovada, terá de passar pelo Senado e, depois, ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff.