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17/09/2007 | Agência Tucana

Deputados responsabilizam PT por absolvição de Renan

Deputados do PSDB lamentaram nesta quarta-feira a decisão do plenário do Senado de absolver o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação de quebra de decoro parlamentar por ter supostamente recebido recursos de um lobista para pagar despesas pessoais. De forma geral, a avaliação dos parlamentares tucanos é de que o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores articularam pela absolvição do peemedebista. Outra interpretação é de que o resultado da votação vai abalar ainda mais a imagem do Congresso junto à sociedade. ´O presidente Lula e o PT estão se esforçando ao máximo para desmoralizar o Congresso Nacional. Esse placar favorável a Renan é uma vitória, sobretudo, da gestão petista´, advertiu o deputado Arnaldo Madeira (SP)

PSDB VOTA PELA ÉTICA

Para o 1º vice-presidente da Câmara, deputado Narcio Rodrigues (MG), o PSDB cumpriu, ao votar pela cassação de Renan, seu papel junto à sociedade de atuar pela moralização da política. ´O PSDB fez o que a sociedade esperava. Demonstrou preocupação com a ética e com a transparência durante a análise do processo contra Renan´, destacou.

Na opinião do tucano, o Senado perdeu uma grande oportunidade para dar prosseguimento ao processo de moralidade deflagrado pelo Supremo Tribunal Federal com a abertura de inquérito contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão, entre eles o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e outros integrantes do PT. ´Renan foi absolvido, mas não conseguiu responder as dúvidas e comprovar junto à opinião pública sua inocência ou que é vítima de uma armação´, sentenciou.

Para Narcio, a atitude do Senado pode gerar novos constrangimentos durante a realização de sessões conjuntas do Congresso como na votação do Orçamento da União para 2008. ´Muitos parlamentares não vão aceitar que Renan presida essas sessões, o que vai gerar grande desconforto como o que aconteceu em julho deste ano durante a apreciação da Lei de Diretrizes Orçamentárias [LDO]´, ressaltou.

INGERÊNCIA DO EXECUTIVO

O deputado Edson Aparecido (SP) classificou de ´lastimável´ o resultado da votação e afirmou que a base governista no Senado empurrou para dentro do Congresso a crise ética que atinge o Executivo. ´Foi a vitória da impunidade e a derrota da ética e da democracia. Fica para a sociedade que quem comete irregularidades se dá bem no Brasil, fato que está se tornando marca do governo Lula´, disse.

No entanto, para o tucano, o presidente da Casa não vai se ´safar do julgamento popular´. ´Foi um desrespeito absoluto à população que vai exigir explicações dos responsáveis´, avaliou o deputado paulista, para quem o PT teve papel fundamental para a vitória de Renan. ´Durante a gestão Lula, o Congresso se transformou em mero quintal do governo Lula. Mais de 80% das matérias na Casa são oriundas do Executivo´, condenou.

VOTO ABERTO

O deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES) destacou a ambigüidade adotada pelo Partido dos Trabalhadores que, na frente da opinião pública, colocou líderes como o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para defender a cassação de Renan, mas que, nos bastidores, operou para garantir a absolvição do parlamentar alagoano. ´O governo Lula utilizou instrumentos de ameaças e cooptação para construir uma maioria que livrasse o presidente do Senado de uma punição´, alertou ao defender a votação aberta em julgamentos de quebra de decoro parlamentar. ´A opinião deve ter o poder de controlar o voto dos parlamentares. Caso contrário, restará aos brasileiros a desconfiança com os políticos e um desânimo cada vez maior´, acrescentou.

Na opinião do deputado Silvio Torres (SP), o processo de impunidade no Congresso teve início na Legislatura passada com a absolvição de deputados suspeitos de participação com o esquema do mensalão. ´Essa decisão abriu uma espécie de jurisprudência no Congresso que não pune mais seus integrantes. O PSDB não compactua com esse corporativismo da base aliada que desrespeita à sociedade´, afirmou

O deputado Renato Amary (SP) repudiou o resultado da votação secreta no Senado e afirmou que a população brasileira pode-se considerar vítima de mais uma das articulações ´nefastas´ do Palácio do Planalto, comandada pelo presidente Lula e sua assessoria. ´Como parlamentar e representante da vontade do povo, que certamente está indignado com esse resultado, estarei lutando na Câmara para acabar com o voto secreto. Esse foi o instrumento facilitador para que alguns senadores pudessem, impunes à opinião pública, votar pela permanência do presidente da Casa, e assim pactuar com toda a falta de ética e crise que assola o Senado, afetando a credibilidade dos políticos de forma geral´, avaliou.

TUCANOS COBRAM RENÚNCIA

Ao lamentar a vitória de Renan, o deputado José Aníbal (SP) destacou que eram ´grandes e fortes as evidências de que o senador alagoano transgrediu o decoro´. Na avaliação do tucano, graças a uma posição ´muito simpática do PT´, o peemedebista conseguiu se safar, apesar de não ter dado explicações satisfatórias à sociedade e ao Parlamento sobre ´os seus malfeitos em matéria de dinheiro público´. ´Eles fizeram jogo de cena liberando a bancada, mas, na prática, induziram seus correligionários a votar pela absolvição´.

O parlamentar paulista cobrou a saída de Renan da presidência do Congresso. A avaliação de que os petistas deram a vitória ao senador alagoano é compartilhada também pelo deputado Lobbe Neto (SP). ´A líder do PT, Ideli Salvatti, foi uma das que proclamou que era uma injustiça cassar o mandato do Renan. O partido mais uma vez foi o fiel da balança´, lamentou. O líder da Minoria na Câmara, Zenaldo Coutinho (PA), considerou a vitória de Renan ´uma agressão à população, diante das provas existentes´ e disse que a absolvição do peemedebista significa o prolongamento do ´martírio da democracia brasileira´. ´É um grande desgaste para o Parlamento´, lamentou.

Por sua vez, o deputado Rodrigo de Castro (MG) afirmou que hoje o Congresso Nacional ´é presidido por um senador contra quem pesam ainda as mais sérias restrições, inclusive éticas´ e cobrou do peemedebista ´que ele tenha agora o mínimo de compostura e deixe a presidência do Senado´. Também para o tucano, o presidente Lula foi o grande responsável pela vitória de Renan. Segundo ele, a essa hora, o Planalto e a base aliada estão em ´comemoração vergonhosa´. ´Eles foram contra o sentimento da população e contra a Justiça´, argumentou.

CRISE PROLONGADA

O deputado Otavio Leite (RJ) ressaltou que ao longo do processo foram reunidas uma série de provas que apontavam para procedimentos incompatíveis com o exercício do mandato parlamentar. O tucano considerou a absolvição mais um grave golpe contra a credibilidade do Parlamento. ´Haverá agora uma agudização da crise e me preocupa que ela possa resvalar para a Câmara. É um momento historicamente duro para a democracia brasileira´, avaliou

Na opinião do deputado Alfredo Kaefer (PR), a decisão tomada hoje com apoio maciço dos petistas deu à população ´razões muito óbvias para continuar desacreditando nas instituições, em especial na classe política´. Para o tucano, o Senado abraçou a crise de vez. ´Além disso, teremos ao longo do ano sucessivas tratativas dos novos processos contra o Renan. Certamente a produção legislativa está comprometida. Sem o Senado o Congresso não funciona´, assinalou.

O deputado Vanderlei Macris (SP), disse à Agência Estado que a absolvição do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), ´desmoraliza o Poder Legislativo e desrespeita a inteligência do povo brasileiro´. Na avaliação do deputado tucano, a vitória do peemedebista também representa ´o estado de arte de impunidade no Brasil´. ´É impressionante como o partido que está no poder federal e seus aliados conseguem cooptar consciências, acima da dignidade das instituições e da credibilidade que devem ter os poderes constituídos´, completou.